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‘Marinho e Nilza não atendiam as reivindicações’

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Três dias depois de anunciar pelas redes sociais sua saída do PT, o ex-prefeito de São Bernardo Mauricio Soares explicou os motivos pela sua segunda desfiliação da legenda que ajudou a criar, em 1980, e pela qual exerceu um mandato, entre 1989 e 1992


Leandro Baldini
Do Diário do Grande ABC

28/04/2015 | 07:00


Três dias depois de anunciar pelas redes sociais sua saída do PT, o ex-prefeito de São Bernardo Mauricio Soares explicou os motivos pela sua segunda desfiliação da legenda que ajudou a criar, em 1980, e pela qual exerceu um mandato, entre 1989 e 1992. O agora ex-petista não poupa críticas a Luiz Marinho (PT) e declara que seu desejo é ser candidato novamente ao Paço em 2016.

Em entrevista exclusiva ao Diário, Mauricio se diz demissionário da Fundação Criança – ainda é presidente da entidade vinculada à Prefeitura –, porém afirma que Marinho o deixou de lado no governo. As críticas também atingem a primeira-dama e secretária de Orçamento e Planejamento Participativo, Nilza de Oliveira (PT), a quem ele acusa de reduzir verbas para seu setor.

Mauricio sai pela segunda vez do PT, o que escancara suas mudanças políticas em quase quatro décadas de carreira. Depois de deixar a sigla no início dos anos 1990, Mauricio transitou pelo PSB, PPS e até PSDB, partido pelo qual exerceu um de seus mandatos. Na entrevista, ele relata reaproximação com o ex-prefeito William Dib (PSDB), de quem foi aliado e desafeto em curto período de tempo.

O ainda presidente da Fundação Criança nega que sua movimentação política tenha digital de Marinho, apesar de não descartar pedir apoio de petistas, caso seja candidato de fato ao Paço. “Jamais me prestaria a um papel como esse. Fui prefeito e tenho 75 anos de idade para aceitar algo nesse sentido”, garante.

O ex-petista ainda discorre que está em negociações avançadas para retornar ao PSB, legenda que está próxima de fusão com o PPS do deputado federal Alex Manente.

Quais foram as razões que levaram o sr. a deixar o PT pela segunda vez?
Em 2008 eu deixei o PSB para apoiar a candidatura do (Luiz) Marinho, a seu pedido. Eu fui o maior responsável e mais importante (agente político) para sua vitória. Começou o seu governo e fui colaborando em diversas áreas, como assessor de gabinete. Contudo, com o passar do tempo, fui perdendo o espaço e reclamei. ‘Só sirvo para apagar incêndio?’. Então, houve proximidade e o prefeito me pediu que exercesse cargo à frente da Secretaria de Governo, pois o Zé Albino não estava conseguindo articular com a Câmara. Aceitei o desafio, mas percebi mais tarde que o Zé Albino era quem estava mandando. Fiquei nervoso porque já fui prefeito (por três mandatos) e não merecia ser usado. Depois deste episódio, o Marinho me chamou para o comando da Fundação Criança. É claro que gostei, pois tinha desenvolvido muitos projetos para o setor. O que foi me deixando chateado foi a postura do Marinho, que nunca foi até a Fundação. Ele precisou ir até o terreno para inaugurar um Caps (Centro de Atenção Psicossocial), mas ele não queria nem entrar para conhecer o meu trabalho. Tive de forçar a barra e ele deu atenção por cinco minutos. Além disso, a Nilza (de Oliveira, secretária de Orçamento e Planejamento Participativo e primeira-dama), é quem comanda o dinheiro da cidade, e eles começaram a tirar recursos e não atender mais minhas reivindicações. Há oito meses solicito melhorias, pois há prédios caindo e eles nem me atendem.

Por que o sr. anunciou então apenas sua saída do PT e não da administração pelas redes sociais?
Na prática, minha atitude mostra ação única. Estou demissionário. O Marinho falou que vai conversar comigo no dia 15, mas eu vou pedir antecipação disso. Solicitarei uma audiência com ele para ver se conseguimos resolver. Mas como muitos pedidos meus já foram ignorados, não será surpresa se ele deixar de atender esse. Trabalhei hoje (ontem) e vou seguir trabalhando até então.

O prefeito Luiz Marinho falou que quem abandonar o barco vai quebrar a cara. O sr. entendeu como um recado direto?
Pode até ser que eu quebre a cara, mas quem é que sabe disso? Na verdade, quem quebrou a cara foi ele, principalmente por ter confiado a administração a pessoas que não corresponderam e se meter com pessoas corruptas. Ele faz acordo com o (Paulo) Maluf (deputado federal pelo PP). O Marinho foi um bom prefeito para São Bernardo, talvez o melhor dos últimos anos, mas muita coisa foi feita com o dinheiro de Brasília. É claro que o mérito vai para o chefe do Executivo por buscar os recursos, assinar convênios e propor projetos, mas é importante ressaltar.

Foi especulado que essa saída do sr. do PT poderia ser uma manobra política, com objetivo de dividir os votos para a oposição ou ser plano B de Marinho, já que os candidatos do Paço ainda não decolaram. O que tem a dizer sobre isso?
Jamais me prestaria a um papel como esse. Fui prefeito e tenho 75 anos de idade para aceitar algo nesse sentido. Não tenho intimidade nem com o Alex (Manente, deputado federal pelo PPS) nem com o Orlando (Morando, deputado estadual pelo PSDB). Tenho diálogo. Contudo, não entraria na disputa política apenas para tirar votos deles. Se um dia eles ganharem a cadeira de prefeito, parabéns. Estarei torcendo pelo trabalho e desenvolvimento.

E quanto ao seu futuro? O que o sr. planeja?
Eu quero ser prefeito novamente e o único quem pode me impedir é Deus. Minha candidatura precisa ser a curto prazo, muito por conta da minha idade. Sou pré-candidato (à Prefeitura) e a partir de agora vou conversar com todas as lideranças, até mesmo com o PT. Estou muito magoado com eles, mas deixei muitos amigos e na política é preciso cada vez mais exercitar o diálogo.

E em qual partido o sr. pretende construir candidatura. Já se falou que o sr. teve conversas com o PDT, PSD, PSB e PMDB?
Provavelmente eu devo voltar ao PSB. As conversas estão um pouco adiantadas. E eu devo não demorar para definir essa situação. Resolvendo isso, fica mais fácil para trabalhar e buscar apoios e alianças, mas hoje sou pré-candidato a prefeito.

Outro possível candidato à Prefeitura em 2016 é o ex-deputado federal e ex-prefeito William Dib (PSDB). Ele é antigo aliado do sr., foi seu vice, mas a relação estremeceu. Há possibilidade de composição?
Nós almoçamos hoje (ontem) e ele disse que não vai mais concorrer à Prefeitura (Dib negou a declaração, veja mais abaixo). Falou que ficou desanimado com a política e sentiu que o cenário não está favorável. Respeito muito isso no Dib. Avança nas decisões após avaliar se há possibilidade de conseguir construir projeto. No passado, tivemos entrevero. Ele me traiu junto com outros vereadores quando decidiu apoiar o Orlando, para que ele fosse o candidato a prefeito em 2008. Ele me largou, pois eu quem sairia como cabeça da chapa. Depois, queria que fosse o candidato a vice-prefeito e eu afirmei que não poderia aceitar. Projeto era para ser prefeito, já tinha comandado a cidade por três vezes. Contudo, pudemos aparar as arestas, conversar de uma maneira muito sincera. E, ao fim do nosso almoço, enfatizei que não guardava rancor, que a vida seguia e ele falou que sentia o mesmo. Eu espero ter o seu apoio. Estou de braços abertos para um suporte no processo eleitoral. 



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