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Um ano após tiroteio em DP, famílias buscam recuperação

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Jovem que levou 5 tiros sentirá dores para resto da
vida; família de médico diz que ‘procura ficar de pé’


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

28/04/2015 | 07:00


Famílias desestruturadas e em processo de recuperação. Um ano depois, esse é o cenário criado em consequência de tiroteio ocorrido no 2º DP (Camilópolis), em Santo André. A confusão, gerada após suspeita de invasão no local, culminou na morte do médico Ricardo Assanome, 28 anos, e deixou duas pessoas feridas: o professor de Educação Física Ricardo Mahlow, 28, e o agente de telecomunicações André Bordwell da Silva, 39.

Durante entrevista exclusiva ao Diário na tarde de ontem, Ricardo Mahlow destacou como o episódio “mudou completamente a sua vida”. Há um ano, o jovem aluno do 3º ano do curso de Educação Física tinha rotina considerada comum: estudava, trabalhava como professor em academia, treinava seis vezes por semana e tinha vida social ativa. “Eu digo que faço 10% do que fazia antes. Hoje não consigo nem ir para a academia porque preciso ir a pé e a distância é longa, então sinto dor.”

Os traumas foram causados enquanto o jovem aguardava, ao lado do irmão, para reconhecer dois suspeitos de assaltarem seu carro. “Com a correria, a gente foi se proteger na parte interna do DP e o policial saiu atirando. Quando me dei conta, estava no chão ensanguentado. Não conseguia levantar, me arrastei até uma sala. Comecei a gritar, pedindo socorro, tentando alertar que eu era vítima, que só tinha ido até lá retirar meu carro. Meu medo era ele (policial) entrar lá e me executar”, lembra.

Mahlow recebeu cinco tiros – dois no abdômen, um na coxa, um no glúteo e um no pé –, ficou quase 20 dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), internado por quase dois meses, passou por quatro cirurgias, ficou sete meses usando duas bolsas de colostomia, fez fisioterapia e tratamento psicológico por quase um ano. Durante seis meses, a ajuda da mãe foi fundamental. A gerente administrativa Maria Antônia Mahlow, 53, largou o emprego para cuidar do filho.

Há dois meses, o jovem voltou a trabalhar, agora em uma loja de suplementos. O próximo passo será retomar os estudos em 2016. “Tudo o que queria era não sentir dores. Os médicos dizem que a lesão no nervo é permanente. Vou tomar remédio para o resto da vida”, diz ele, os olhos molhados pelas lágrimas.

O inquérito apresentado pela polícia à Justiça diz que o agente de telecomunicações teria confundido a entrada de um policial à paisana no DP com uma invasão e iniciado série de disparos, que atingiram as duas vítimas. A família de Mahlow planeja entrar com ação contra o Estado nas próximas semanas. “Não é raiva. Acredito que foi uma falha da polícia. Primeiro atira e depois pergunta, né?”

Outra família que ainda tenta “se erguer” é formada pelo casal de comerciantes Celso Iwao Assanome, 53, e Regina Uzato Assanome, 55, e pela enfermeira Cintia Akemi, 29. Eles são pais e ela noiva do médico Ricardo Seiti Assanome, 28, que morreu um dia após levar um tiro na cabeça durante o tiroteio no DP. “O Ricardo era mais que um filho. Claro que queremos justiça, mas nada vai trazer ele de volta. Estamos procurando ficar de pé”, lamenta o pai.

Após se recuperar de tiro no pulmão disparado pelo colega de trabalho Akiyoshi Honda, André Bordwell da Silva responde ao processo em liberdade. Ele está suspenso de suas atividades pela Justiça desde julho. “Tudo não passou de uma fatalidade que acabou provocando males a todos os envolvidos. Salta aos olhos a ausência de dolo (intenção). Estamos trabalhando para mostrar o cenário de falta de condição de trabalho da delegacia, agravado pela mensagem do serviço de inteligência da polícia de possível ataque aos DPs naquele dia, e que o André agiu em nítida defesa, em estado inconsciente”, alega o advogado do réu, Caio Cesar Marcolino.



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