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Preço de carros no Brasil
é até 109% maior do que nos EUA

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Apesar de queda nas vendas, veículos seguem caros no País; carga tributária é responsável


Fábio Munhoz
Leone Farias

26/04/2015 | 07:00


Apesar de as vendas de veículos zero-quilômetro terem registrado queda de 17% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado e as montadoras estarem com alto volume de unidades estocadas, os preços dos automóveis continuam elevados no Brasil. Os carros comercializados no País chegam a ser até 109,1% mais caros do que os dos Estados Unidos.

Por que os preços seguem altos, apesar de a demanda ser baixa? Especialistas ouvidos pelo Diário avaliam que a carga tributária no Brasil faz com que as empresas não consigam oferecer condições mais vantajosas ao consumidor final. Outro fator mencionado por alguns analistas é a alta margem de lucro das montadoras e concessionárias no País.

Levantamento do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) mostra que, em média, os impostos representam cerca de 35% do valor final do carro produzido no Brasil. Nos Estados Unidos, a carga tributária gira em 6% a 7%, enquanto no Japão chega a 9% e, na Europa, vai de 14% a 18%.

Por aqui, se o carro for importado, a carga tributária pode superar 60% – apenas o imposto de importação acresce o valor em 35%. Mesmo assim, as diferenças são ainda maiores do que esse índice. Enquanto um Jeep Grand Cherokee Limited com motor 3.6 e tração 4x2 é vendido nos Estados Unidos a R$ 109,9 mil (conversão feita com o dólar a R$ 2,97), no Brasil o preço mínimo é de R$ 229,9 mil – 109,3% a mais. O Chrysler 300C parte de R$ 184,9 mil no Brasil, 64,1% mais caro do que nos Estados Unidos (R$ 112,6 mil). Já o Ford Fusion em território nacional custa pelo menos R$ 106 mil, enquanto lá sai por R$ 65,7 mil (diferença de 61,2%).

Entre os carros menos luxuosos, a variação é menor. No caso do New Fiesta Hatch, o modelo no Brasil é vendido a partir de R$ 45,7 mil – 10,2% a mais do que nos Estados Unidos (R$ 41,5 mil). No México, o veículo é ainda mais barato: R$ 32,7 mil. Por outro lado, em todos os cenários pesquisados pelo Diário os automóveis comercializados na Argentina são mais caros do que os do Brasil. No caso do Chevrolet Prisma LT 1.4 com quatro portas, o preço inicial é de aproximadamente R$ 47,8 mil no Brasil, enquanto no país vizinho os modelos mais baratos são oferecidos a pelo menos R$ 61,8 mil (29% a mais).

Fernando Trujillo, consultor da IHS Automotive, afirma que a diferença de preços dos carros zero brasileiros em relação a outros mercados, com a desvalorização do real, tende a ficar menor, mas que há fatores que influenciam para encarecer o veículo nacional, como o custo da mão de obra e matéria-prima e também as margens de lucro das montadoras, que, segundo ele, estão entre as mais altas do mundo.

Outro consultor contesta essa última informação. Para Orlando Merluzzi, CEO (executivo chefe) da MA8 Management Consulting, há diversos outros setores, como bancos e construtoras, com margens maiores de lucro. Ele, que trabalhou durante 30 anos em montadoras, acrescenta que, no Brasil, a baixa produtividade nas fábricas, os custos para treinar os funcionários e os encargos trabalhistas pressionam para cima o valor do veículo. Não é só isso. “Para grandes empresas investirem no País, esperam taxa de retorno acima de 12%, pelo custo do capital. Só a inflação é 7%. Nos Estados Unidos, enquanto a taxa inflacionária está em 2,5%, a taxa de retorno aceitável é a metade da brasileira”, diz.

COMPONENTES
O Brasil sofre nos últimos 40 anos com a falta de políticas de incentivo à indústria de componentes eletrônicos, na avaliação de Merluzzi. Com isso, as montadoras são obrigadas a importar esses itens. Atualmente, com a desvalorização do real, isso também colabora para encarecer o custo do carro.

Trujillo salienta, por sua vez, que os investimentos feitos pelas empresas do setor em tecnologias para atender à legislação de emissões do programa Inovar-Auto (que estabelece índices de aumento de eficiência energética, ou seja, redução de consumo de combustíveis até 2017) também incidem sobre o preço final.

“A montadora não tem como absorver o impacto do aumento de tecnologia. Por esse motivo, já está repassando uma parte disso”, afirma. Ele cita que o desenvolvimento já pode ser observado no mercado, como na diminuição do tamanho do motor – as fabricantes reduziram de quatro para três cilindros, com a utilização de turbo-compressores, por exemplo.

 

Lucro é baixo, garantem distribuidores

Os altos preços dos veículos automotores no Brasil não são provocados pelos lucros dos distribuidores. Pelo menos isso é o que defendem os representantes do setor. Não há definição de percentual máximo que fica com o revendedor.

“Em crise, o setor vende pelo que dá. O resultado chega a ser vermelho, a não ser em casos de um produto muito aguardado”, analisa o superintendente do Sincodiv-SP (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado de São Paulo), Octavio Vallejo, que atribui os preços à carga tributária do País.

O presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), Alarico Assumpção Júnior, diz que não há possibilidade de fixação do percentual de lucro e que isso é naturalmente regulado pela concorrência. Ele também garante que a margem dos distribuidores é pequena.

Obstáculo para o crescimento das vendas de carros zero-quilômetro, além dos receios dos consumidores em relação ao andamento da economia, são os juros, que estão em elevação. Isso porque cerca de 65% das aquisições de carros zero no País são feitas por financiamento, diz o consultor Fernando Trujillo.

Anfavea justifica que aumentos são inferiores aos índices de inflação

O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan Yabiku Junior, destaca que os aumentos dos carros zero-quilômetro foram inferiores aos índices de inflação. “A pressão de custo nos últimos anos foi muito alta e o preço dos veículos, em geral, não acompanhou.”

Estudo coordenado pela agência Autoinforme mostra que, no ano passado, o valor de mercado médio dos veículos no Brasil subiu 2,3%. No mesmo período, a inflação registrada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) chegou a 6,4%.

“A pressão seria para subir mais e não para diminuir”, comenta o consultor Julian Semple, da Carcon Automotive. Isso, segundo ele, por causa da forte alta da energia elétrica (de mais de 50% neste ano) e também por consequência da desvalorização do real sobre as matérias-primas, como aço, cobre e alumínio, que são commodities (itens com cotação internacional) e, por isso, têm o preço definido com base na oscilação do dólar.

Fernando Trujillo, da IHS, acrescenta ainda que a volta do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) ao patamar normal neste ano – para 7% no caso dos veículos 1.0 – também impacta no custo da fabricação. O imposto chegou a ser zerado nos últimos anos para estimular a demanda. No fim de 2014, o governo decidiu retornar a alíquota para o nível padrão.

Semple considera que, se o mercado estivesse aquecido, os preços já estariam mais elevados. No entanto, no cenário atual de demanda retraída, a expectativa da Anfavea é de queda de 13% nos licenciamentos de veículos zero neste ano em comparação com os números de 2014. Apenas no primeiro trimestre, a comercialização foi 17% inferior ao mesmo período do ano passado. 



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Preço de carros no Brasil
é até 109% maior do que nos EUA

Apesar de queda nas vendas, veículos seguem caros no País; carga tributária é responsável

Fábio Munhoz
Leone Farias

26/04/2015 | 07:00


Apesar de as vendas de veículos zero-quilômetro terem registrado queda de 17% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado e as montadoras estarem com alto volume de unidades estocadas, os preços dos automóveis continuam elevados no Brasil. Os carros comercializados no País chegam a ser até 109,1% mais caros do que os dos Estados Unidos.

Por que os preços seguem altos, apesar de a demanda ser baixa? Especialistas ouvidos pelo Diário avaliam que a carga tributária no Brasil faz com que as empresas não consigam oferecer condições mais vantajosas ao consumidor final. Outro fator mencionado por alguns analistas é a alta margem de lucro das montadoras e concessionárias no País.

Levantamento do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) mostra que, em média, os impostos representam cerca de 35% do valor final do carro produzido no Brasil. Nos Estados Unidos, a carga tributária gira em 6% a 7%, enquanto no Japão chega a 9% e, na Europa, vai de 14% a 18%.

Por aqui, se o carro for importado, a carga tributária pode superar 60% – apenas o imposto de importação acresce o valor em 35%. Mesmo assim, as diferenças são ainda maiores do que esse índice. Enquanto um Jeep Grand Cherokee Limited com motor 3.6 e tração 4x2 é vendido nos Estados Unidos a R$ 109,9 mil (conversão feita com o dólar a R$ 2,97), no Brasil o preço mínimo é de R$ 229,9 mil – 109,3% a mais. O Chrysler 300C parte de R$ 184,9 mil no Brasil, 64,1% mais caro do que nos Estados Unidos (R$ 112,6 mil). Já o Ford Fusion em território nacional custa pelo menos R$ 106 mil, enquanto lá sai por R$ 65,7 mil (diferença de 61,2%).

Entre os carros menos luxuosos, a variação é menor. No caso do New Fiesta Hatch, o modelo no Brasil é vendido a partir de R$ 45,7 mil – 10,2% a mais do que nos Estados Unidos (R$ 41,5 mil). No México, o veículo é ainda mais barato: R$ 32,7 mil. Por outro lado, em todos os cenários pesquisados pelo Diário os automóveis comercializados na Argentina são mais caros do que os do Brasil. No caso do Chevrolet Prisma LT 1.4 com quatro portas, o preço inicial é de aproximadamente R$ 47,8 mil no Brasil, enquanto no país vizinho os modelos mais baratos são oferecidos a pelo menos R$ 61,8 mil (29% a mais).

Fernando Trujillo, consultor da IHS Automotive, afirma que a diferença de preços dos carros zero brasileiros em relação a outros mercados, com a desvalorização do real, tende a ficar menor, mas que há fatores que influenciam para encarecer o veículo nacional, como o custo da mão de obra e matéria-prima e também as margens de lucro das montadoras, que, segundo ele, estão entre as mais altas do mundo.

Outro consultor contesta essa última informação. Para Orlando Merluzzi, CEO (executivo chefe) da MA8 Management Consulting, há diversos outros setores, como bancos e construtoras, com margens maiores de lucro. Ele, que trabalhou durante 30 anos em montadoras, acrescenta que, no Brasil, a baixa produtividade nas fábricas, os custos para treinar os funcionários e os encargos trabalhistas pressionam para cima o valor do veículo. Não é só isso. “Para grandes empresas investirem no País, esperam taxa de retorno acima de 12%, pelo custo do capital. Só a inflação é 7%. Nos Estados Unidos, enquanto a taxa inflacionária está em 2,5%, a taxa de retorno aceitável é a metade da brasileira”, diz.

COMPONENTES
O Brasil sofre nos últimos 40 anos com a falta de políticas de incentivo à indústria de componentes eletrônicos, na avaliação de Merluzzi. Com isso, as montadoras são obrigadas a importar esses itens. Atualmente, com a desvalorização do real, isso também colabora para encarecer o custo do carro.

Trujillo salienta, por sua vez, que os investimentos feitos pelas empresas do setor em tecnologias para atender à legislação de emissões do programa Inovar-Auto (que estabelece índices de aumento de eficiência energética, ou seja, redução de consumo de combustíveis até 2017) também incidem sobre o preço final.

“A montadora não tem como absorver o impacto do aumento de tecnologia. Por esse motivo, já está repassando uma parte disso”, afirma. Ele cita que o desenvolvimento já pode ser observado no mercado, como na diminuição do tamanho do motor – as fabricantes reduziram de quatro para três cilindros, com a utilização de turbo-compressores, por exemplo.

 

Lucro é baixo, garantem distribuidores

Os altos preços dos veículos automotores no Brasil não são provocados pelos lucros dos distribuidores. Pelo menos isso é o que defendem os representantes do setor. Não há definição de percentual máximo que fica com o revendedor.

“Em crise, o setor vende pelo que dá. O resultado chega a ser vermelho, a não ser em casos de um produto muito aguardado”, analisa o superintendente do Sincodiv-SP (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado de São Paulo), Octavio Vallejo, que atribui os preços à carga tributária do País.

O presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), Alarico Assumpção Júnior, diz que não há possibilidade de fixação do percentual de lucro e que isso é naturalmente regulado pela concorrência. Ele também garante que a margem dos distribuidores é pequena.

Obstáculo para o crescimento das vendas de carros zero-quilômetro, além dos receios dos consumidores em relação ao andamento da economia, são os juros, que estão em elevação. Isso porque cerca de 65% das aquisições de carros zero no País são feitas por financiamento, diz o consultor Fernando Trujillo.

Anfavea justifica que aumentos são inferiores aos índices de inflação

O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan Yabiku Junior, destaca que os aumentos dos carros zero-quilômetro foram inferiores aos índices de inflação. “A pressão de custo nos últimos anos foi muito alta e o preço dos veículos, em geral, não acompanhou.”

Estudo coordenado pela agência Autoinforme mostra que, no ano passado, o valor de mercado médio dos veículos no Brasil subiu 2,3%. No mesmo período, a inflação registrada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) chegou a 6,4%.

“A pressão seria para subir mais e não para diminuir”, comenta o consultor Julian Semple, da Carcon Automotive. Isso, segundo ele, por causa da forte alta da energia elétrica (de mais de 50% neste ano) e também por consequência da desvalorização do real sobre as matérias-primas, como aço, cobre e alumínio, que são commodities (itens com cotação internacional) e, por isso, têm o preço definido com base na oscilação do dólar.

Fernando Trujillo, da IHS, acrescenta ainda que a volta do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) ao patamar normal neste ano – para 7% no caso dos veículos 1.0 – também impacta no custo da fabricação. O imposto chegou a ser zerado nos últimos anos para estimular a demanda. No fim de 2014, o governo decidiu retornar a alíquota para o nível padrão.

Semple considera que, se o mercado estivesse aquecido, os preços já estariam mais elevados. No entanto, no cenário atual de demanda retraída, a expectativa da Anfavea é de queda de 13% nos licenciamentos de veículos zero neste ano em comparação com os números de 2014. Apenas no primeiro trimestre, a comercialização foi 17% inferior ao mesmo período do ano passado. 

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