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A volta de Zé do Caixão


Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

08/08/2008 | 07:03


José Mojica Marins, 72 anos, diz que seus filmes são tachados de trash só no Brasil. Nos Estados Unidos, as produções que têm Zé do Caixão, ou melhor, Coffin Joe, como protagonista, são terror. E ponto. E o cineasta/intérprete tem razão - pelo menos no que se refere a Encarnação do Demônio, que, com 41 anos de atraso, fecha a trilogia do coveiro macabro. O longa estréia hoje no Grande ABC (Extra Anchieta e Multiplex Mauá) e na Capital. para amantes do gênero, com mais de 18 anos e estômago para cenas de crueza impensável nos anos 1960.

O orçamento continua baixo para os padrões atuais - R$ 1,8 milhão. Mas a ‘fita', como gosta de dizer Mojica Marins, é feita por gente de ponta do audiovisual brasileiro. A começar pelo produtor, o andreense Paulo Sacramento, que viabilizou o grande sonho do mestre do terror ao lado da Gullane Filmes.

Embora o cineasta tenha se valido de soluções criativas para imprimir horror às duas primeiras partes (À Meia-Noite Levarei Tua Alma, de 1964, e Esta Noite Encarnarei em Teu Cadáver, de 1967), os efeitos especiais são muito bem-executados. Ratos, aranhas, baratas reais e 3.800 litros de sangue cenográfico foram utilizados nas cenas. Alexandre Herchcovitch criou o figurino de Zé do Caixão e de outros personagens. O diretor Zé Celso faz ponta na seqüência em que Zé delira e imagina o purgatório.

Apesar do esquema profissional, o burlesco permanece para equilibrar com cenas de tortura muito mais realistas do que na época em que Coffin Joe era censurado pelo Regime Militar. Para justificar a passagem de tempo, o roteiro - de Mojica e de Dennison Ramalho - começa com Zé deixando a prisão. A busca pela mulher superior prossegue - agora numa favela. Zé tem como staff o corcunda Bruno (Rui Rezende) e um quarteto que parece saído de sessão sadomasô. Em seu encalço estão dois irmãos policiais (Adriano Stuart e Jece Valadão, em seu derradeiro papel).

Além de conquistar um séquito espontâneo, Zé decide capturar ‘espécimes' de todo tipo: orientais, negras, ruivas, tatuadas. E dá-lhe sangue (Mojica considera a parte mais violenta quando Zé suspende policiais em ganchos), canibalismo e, claro, sexo. ‘Terrir' de verdade.



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