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Porque temos que acertar a casa?


Sandro Maskio

04/04/2015 | 07:06


Não há como negar que há grande insatisfação com a atual política econômica do governo federal. Elevação da taxa de juros, da tarifa de energia elétrica e dos combustíveis, redução dos subsídios e das desonerações tributárias, entre outras. Mas qual a razão dessas medidas?

Se analisarmos o comportamento de alguns fundamentos macroeconômicos, conseguiremos ter uma avaliação mais clara. O orçamento do setor público apresentou deficit de aproximadamente 6,7% do PIB, cerca de R$ 343 bilhões, em 2014. No setor externo a balança comercial registrou saldo negativo de US$ 3,9 bilhões, enquanto o saldo das transações correntes foi de mais de US$ 90 bilhões negativos. Estes números não seriam tão desfavoráveis se a economia tivesse significativa capacidade de se financiar, interna e externamente, com juros baixos. Entretanto, não temos essa condição.

Dados divulgados pelo IBGE no dia 27 de março apontam que a taxa de poupança foi de apenas 15,8% do PIB. Em tese, isso representa o volume de recursos que temos para financiar a atividade econômica, incluindo agentes públicos e privados, seja para fins de consumo ou investimento.

Neste cenário, para diminuir a necessidade de financiamento, o governo se vê obrigado a reequilibrar as contas públicas, o que na prática passa por diminuir despesas e ampliar arrecadação. Do contrário, o governo verá ampliar sua necessidade de captação de empréstimo a juros elevados, que se refletirá em despesa igualmente elevada para a sociedade. Em 2014, o governo pagou de juros nominais o equivalente a 6,08% do PIB, ou R$ 311 bilhões. O volume de investimento ficou em 18,7% do PIB, apresentando retração de 4,4% em relação ao ano anterior. Considerando que a taxa de investimento no País é baixa, comparadas a taxas acima de 30% apresentadas por Índia e China, a redução no volume de recursos destinados à ampliação da capacidade de produção compromete a capacidade de crescimento futuro da economia. Isto foi fruto da opção de continuidade da política econômica de estimular a economia via incentivo ao consumo, como ocorreu nos anos de 2009 e 2010.

A continuidade da política de estímulo ao consumo, seja com subsídios, redução de tarifas, redução de juros e expansão do crédito, levou a uma pressão sobre os preços. Com isso, apesar de todos os esforços, nos últimos anos a inflação tem ficado próximo ao teto da meta. Há de se considerar ainda que a atual desvalorização do real, se de um lado amenizará o deficit na balança comercial, a partir das exportações e o respectivo estímulo à atividade produtiva interna, de outro tornará as importações mais caras, que se refletirá, ao menos no médio prazo, sobre os níveis de inflação.

Neste cenário, a política econômica tem procurado adotar uma política fiscal restritiva, com objetivo, ao menos, de diminuir a necessidade de financiamento do orçamento nos períodos futuros. Além deste ajuste, que em curto prazo mostra-se um remédio amargo, é fundamental reestabelecer uma política de planejamento de longo prazo que promova a ampliação da taxa de investimento. Sem isso, ficaremos presos às pressões de médio e curto prazo, e obrigados a realizar ajustes via contenção de demanda.  



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Porque temos que acertar a casa?

Sandro Maskio

04/04/2015 | 07:06


Não há como negar que há grande insatisfação com a atual política econômica do governo federal. Elevação da taxa de juros, da tarifa de energia elétrica e dos combustíveis, redução dos subsídios e das desonerações tributárias, entre outras. Mas qual a razão dessas medidas?

Se analisarmos o comportamento de alguns fundamentos macroeconômicos, conseguiremos ter uma avaliação mais clara. O orçamento do setor público apresentou deficit de aproximadamente 6,7% do PIB, cerca de R$ 343 bilhões, em 2014. No setor externo a balança comercial registrou saldo negativo de US$ 3,9 bilhões, enquanto o saldo das transações correntes foi de mais de US$ 90 bilhões negativos. Estes números não seriam tão desfavoráveis se a economia tivesse significativa capacidade de se financiar, interna e externamente, com juros baixos. Entretanto, não temos essa condição.

Dados divulgados pelo IBGE no dia 27 de março apontam que a taxa de poupança foi de apenas 15,8% do PIB. Em tese, isso representa o volume de recursos que temos para financiar a atividade econômica, incluindo agentes públicos e privados, seja para fins de consumo ou investimento.

Neste cenário, para diminuir a necessidade de financiamento, o governo se vê obrigado a reequilibrar as contas públicas, o que na prática passa por diminuir despesas e ampliar arrecadação. Do contrário, o governo verá ampliar sua necessidade de captação de empréstimo a juros elevados, que se refletirá em despesa igualmente elevada para a sociedade. Em 2014, o governo pagou de juros nominais o equivalente a 6,08% do PIB, ou R$ 311 bilhões. O volume de investimento ficou em 18,7% do PIB, apresentando retração de 4,4% em relação ao ano anterior. Considerando que a taxa de investimento no País é baixa, comparadas a taxas acima de 30% apresentadas por Índia e China, a redução no volume de recursos destinados à ampliação da capacidade de produção compromete a capacidade de crescimento futuro da economia. Isto foi fruto da opção de continuidade da política econômica de estimular a economia via incentivo ao consumo, como ocorreu nos anos de 2009 e 2010.

A continuidade da política de estímulo ao consumo, seja com subsídios, redução de tarifas, redução de juros e expansão do crédito, levou a uma pressão sobre os preços. Com isso, apesar de todos os esforços, nos últimos anos a inflação tem ficado próximo ao teto da meta. Há de se considerar ainda que a atual desvalorização do real, se de um lado amenizará o deficit na balança comercial, a partir das exportações e o respectivo estímulo à atividade produtiva interna, de outro tornará as importações mais caras, que se refletirá, ao menos no médio prazo, sobre os níveis de inflação.

Neste cenário, a política econômica tem procurado adotar uma política fiscal restritiva, com objetivo, ao menos, de diminuir a necessidade de financiamento do orçamento nos períodos futuros. Além deste ajuste, que em curto prazo mostra-se um remédio amargo, é fundamental reestabelecer uma política de planejamento de longo prazo que promova a ampliação da taxa de investimento. Sem isso, ficaremos presos às pressões de médio e curto prazo, e obrigados a realizar ajustes via contenção de demanda.  

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