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Menor morre durante rebeliao em Minas Gerais


Do Diário do Grande ABC

15/11/1999 | 16:47


Um menor morreu atacado a punhaladas e golpes de enxada e quatro ficaram feridos na madrugada desta segunda-feira durante rebeliao de internos do Centro de Integraçao do Adolescente (CIA), em Sete Lagoas, a 70 quilômetros de Belo Horizonte (MG). Segundo ao diretor do CIA, Naymes Rodrigues, a rebeliao começou por volta de 1h, depois que 15 menores do Pavilhao B, ala fechada do centro, cavaram um túnel e chegaram ao pátio da instituiçao, que tem 150 menores e capacidade para apenas 60.

Armados com pedaços de ferro e punhais artesanais, os menores dominaram os cinco monitores de plantao, invadiram a sala onde sao guardadas ferramentas, como enxadas e foices e arrebentaram os cadeados das celas, libertando cerca de 100 colegas. "Pegaram como reféns cinco outros menores e ameaçaram matá-los", contou Rodrigues. Durante a confusao, dois internos fugiram.

Um dos reféns, Gleisson Júnior Braz Silva, 17 anos, foi morto com um golpe de punhal no pescoço e teve o corpo desfigurado com enxadadas. Os outros quatro, nao identificados, tiveram pequenos ferimentos. "Acreditamos que os meninos foram atacados em razao de uma briga interna entre dois grupos, um contra e outro a favor da rebeliao", afirmou o diretor, lembrando que os internos sao acusados de tráfico de drogas, assaltos e assassinatos.

Durante a madrugada, a Polícia Militar foi acionada para controlar a rebeliao, dezenas de homens dos Batalhoes de Choque e de Missoes Especias de Belo Horizonte foram para o local e cercaram o CIA. De acordo com o diretor, os três policiais militares que atuam no centro nao puderam entrar no prédio no início da rebeliao - o que poderia ter evitado a morte de Gleisson -, em razao do Estatuto da Criança e do Adolescente. "A lei diz que os policiais só podem estar no pavilhao com ordem judicial e nao houve tempo", lamentou Rodrigues. A rebeliao foi controlada pela manha.

A rebeliao ocorrida nesta segunda-feira no CIA, a segunda do ano de acordo com a direçao, e a sexta, conforme depoimento dos menores, causou indignaçao no juiz da Infância e Adolescência de Belo Horizonte (BH), Tarcísio Martins da Costa. Na semana passada, Costa esteve no centro onde constatou a precariedade das instalaçoes, a superlotaçao e as "condiçoes subumanas dos internos". "Os meninos estao vivendo ali de forma pior de que os animais do jardim zoológico, sobre um chao coberto fezes e sem a mínima higiene", disse o juiz.

Na última quarta-feira, Costa enviou um fax denunciando a situaçao e pedindo a transferência dos menores às secretarias estaduais de Justiça e da Criança e do Adolescente e ao próprio governador de Minas, Itamar Franco (PMDB). "Também recebi um pedido nesse sentido de promotores, eles diziam que os menores estavam marcados para morrer no CIA e que uma rebeliao estava prestes a ocorrer, fatos que eram de conhecimento da própria secretaria de Justiça", afirmou o magistrado. "Mas as autoridades ficam tocando harpa enquanto Roma pega fogo e Minas parece estar praticando a política da porta arrombada, ou seja, tomando providências só depois que as tragédias acontecem", acrescentou. O juiz classificou os integrantes da equipe de Itamar de "irresponsáveis e incompetentes". "O CIA é um centro de deformaçao, nao de reeducaçao e eu nao descarto a possibilidade de acionar o Estado como responsável pela tragédia".

No início da tarde, Itamar Franco realizou uma reuniao de emergência com auxiliares e secretários para tentar encontrar soluçoes. O secretário de Justiça, Luiz Tadeu Leite, disse que até o início da noite parte dos menores seria transferida. Leite criticou as declaraçoes do juiz Costa: "Tem pessoas que demonstram mais a intençao de criar um fato externo para a opiniao pública do que de resolver os problemas".



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Menor morre durante rebeliao em Minas Gerais

Do Diário do Grande ABC

15/11/1999 | 16:47


Um menor morreu atacado a punhaladas e golpes de enxada e quatro ficaram feridos na madrugada desta segunda-feira durante rebeliao de internos do Centro de Integraçao do Adolescente (CIA), em Sete Lagoas, a 70 quilômetros de Belo Horizonte (MG). Segundo ao diretor do CIA, Naymes Rodrigues, a rebeliao começou por volta de 1h, depois que 15 menores do Pavilhao B, ala fechada do centro, cavaram um túnel e chegaram ao pátio da instituiçao, que tem 150 menores e capacidade para apenas 60.

Armados com pedaços de ferro e punhais artesanais, os menores dominaram os cinco monitores de plantao, invadiram a sala onde sao guardadas ferramentas, como enxadas e foices e arrebentaram os cadeados das celas, libertando cerca de 100 colegas. "Pegaram como reféns cinco outros menores e ameaçaram matá-los", contou Rodrigues. Durante a confusao, dois internos fugiram.

Um dos reféns, Gleisson Júnior Braz Silva, 17 anos, foi morto com um golpe de punhal no pescoço e teve o corpo desfigurado com enxadadas. Os outros quatro, nao identificados, tiveram pequenos ferimentos. "Acreditamos que os meninos foram atacados em razao de uma briga interna entre dois grupos, um contra e outro a favor da rebeliao", afirmou o diretor, lembrando que os internos sao acusados de tráfico de drogas, assaltos e assassinatos.

Durante a madrugada, a Polícia Militar foi acionada para controlar a rebeliao, dezenas de homens dos Batalhoes de Choque e de Missoes Especias de Belo Horizonte foram para o local e cercaram o CIA. De acordo com o diretor, os três policiais militares que atuam no centro nao puderam entrar no prédio no início da rebeliao - o que poderia ter evitado a morte de Gleisson -, em razao do Estatuto da Criança e do Adolescente. "A lei diz que os policiais só podem estar no pavilhao com ordem judicial e nao houve tempo", lamentou Rodrigues. A rebeliao foi controlada pela manha.

A rebeliao ocorrida nesta segunda-feira no CIA, a segunda do ano de acordo com a direçao, e a sexta, conforme depoimento dos menores, causou indignaçao no juiz da Infância e Adolescência de Belo Horizonte (BH), Tarcísio Martins da Costa. Na semana passada, Costa esteve no centro onde constatou a precariedade das instalaçoes, a superlotaçao e as "condiçoes subumanas dos internos". "Os meninos estao vivendo ali de forma pior de que os animais do jardim zoológico, sobre um chao coberto fezes e sem a mínima higiene", disse o juiz.

Na última quarta-feira, Costa enviou um fax denunciando a situaçao e pedindo a transferência dos menores às secretarias estaduais de Justiça e da Criança e do Adolescente e ao próprio governador de Minas, Itamar Franco (PMDB). "Também recebi um pedido nesse sentido de promotores, eles diziam que os menores estavam marcados para morrer no CIA e que uma rebeliao estava prestes a ocorrer, fatos que eram de conhecimento da própria secretaria de Justiça", afirmou o magistrado. "Mas as autoridades ficam tocando harpa enquanto Roma pega fogo e Minas parece estar praticando a política da porta arrombada, ou seja, tomando providências só depois que as tragédias acontecem", acrescentou. O juiz classificou os integrantes da equipe de Itamar de "irresponsáveis e incompetentes". "O CIA é um centro de deformaçao, nao de reeducaçao e eu nao descarto a possibilidade de acionar o Estado como responsável pela tragédia".

No início da tarde, Itamar Franco realizou uma reuniao de emergência com auxiliares e secretários para tentar encontrar soluçoes. O secretário de Justiça, Luiz Tadeu Leite, disse que até o início da noite parte dos menores seria transferida. Leite criticou as declaraçoes do juiz Costa: "Tem pessoas que demonstram mais a intençao de criar um fato externo para a opiniao pública do que de resolver os problemas".

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