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Jd.Oratório faz ato contra buracos com bom humor

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

João Lopes criou o boneco João de Mauá para chamar atenção das autoridades para os problemas das ruas da cidade


Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

31/03/2015 | 07:00


Diante de alguns problemas que são velhos conhecidos nas grandes cidades, como os buracos, fazer uma crítica bem-humorada não só ironiza a situação que, grande parte das vezes, já vem de longa data como também chama a atenção das autoridades para que tomem providências e se atentem às necessidades da população. E é exatamente isso que faz o líder comunitário João Batista de Paula Lopes, 46 anos, no Jardim Oratório, em Mauá, ao lado de seu fiel escudeiro, o boneco João de Mauá. Desde 2009, o patrulheiro de transtornos coloca o personagem nas crateras da cidade, com o intuito de alertar o poder público de que é preciso fazer algo com urgência.

A ideia de criar a figura, no entanto, não foi inédita. “Copiei do João Buracão, do Rio de Janeiro, que foi criado naquele ano e teve ampla repercussão na mídia, causando grande impacto. Como naquela época a Avenida Ayrton Senna da Silva (situada no bairro) tinha muitos buracos, então, achei válido fazer o mesmo aqui”, contou ele, que nasceu no Paraná e mora no Jardim Oratório há 26 anos.

João de Mauá foi confeccionado com espumas tiradas de colchões descartados encontrados no lixo.

“Fiz ele todo de espuma, tinha umas roupas usadas, sujas de tinta, pois sou pintor, e o vesti. A cabeça do primeiro boneco fiz com uma bola, amarrei um pano e desenhei o rosto”, lembra, ressaltando que o objeto pesa em torno de seis quilos. “Depois aperfeiçoei, comprei cabeça de manequim de loja. No ano passado, fiz mais um, porque dois bonecos são poucos para os buracos da cidade”, acrescenta.

A bordo de um carro personalizado – adesivado com os dizeres Olho Vivo –, Lopes percorre o município para identificar os problemas e conta também com o apoio da população, que o chama para que intervenha com o João de Mauá. “Vou até o local, deixo o boneco de duas a três horas para dar um impacto e depois o retiro e levo a outro lugar”, fala.

Quem se depara com a criação de Lopes no meio da rua, primeiramente, acha o fato hilário. “É difícil uma pessoa que passa e não ri”, comenta. Em alguns casos, porém, o sentimento é de pavor. “Na Avenida Ayrton Senna, que é muito mal sinalizada, simulei um acidente com os bonecos deitados no asfalto. Teve gente até que passou mal, pensando que era verdade.”

Mesmo sendo cômicas as iniciativas de protesto, ele garante que, na maioria das vezes, elas surtem o efeito desejado. “Muitas vezes o problema é resolvido, proporcionando segurança para quem transita nas ruas, porque os buracos, quando não quebram o carro, provocam acidentes. É um trabalho que faço com prazer.”

Projeto leva futebol para a criançada

Em um dos bairros mais carentes de Mauá, o esporte tem sido grande aliado para tirar crianças e jovens das ruas. Na quadra de um conjunto habitacional entregue em agosto, 32 crianças e adolescentes, com idades entre 6 e 16 anos, aprendem técnicas do futebol e preceitos de cidadania.

A iniciativa foi idealizada pelo professor de Educação Física Washington Cardoso, que convidou o técnico de som Givanildo Leite, 35, para auxiliá-lo a tirar o sonho do papel.

O fato se concretizou em fevereiro, após busca por parceiros que pudessem contribuir com doações de equipamentos. “Conseguimos bolas, cones e também lanches, pois muitos não têm o café da manhã em casa”, conta Leite.

As aulas acontecem aos sábados, das 9h às 11h, e, para participar, apenas uma exigência é feita: ser bom aluno. “Por isso, o nosso projeto se chama Bom de Bola, Bom na Escola. Não adianta jogar bem o futebol e falar errado”, salienta Leite. “Além de lapidarmos um possível diamante do futebol, ensinamos também cidadania para que, no futuro, eles possam ter outras opiniões sobre a vida”, acrescenta.

O efeito da proposta foi tão positivo que lideranças de outros bairros já procuraram a dupla oferecendo espaço para expandir a iniciativa nas proximidades. O convite não está descartado, mas, no momento, a dedicação está 100% voltada ao Jardim Oratório. “Não adianta ir para outro local se as crianças daqui ainda não estão preparadas. A partir do momento em que elas caminharem bem, aí poderemos avançar.”

A atividade é aberta para meninos e meninas e, em breve, outros programas serão ofertados. “Estou arrecadando material e logo vamos incluir oficina de arte circense. Também estamos planejando oferecer aulas de teatro.”

Segundo Leite, o projeto tem capacidade para atender 50 pessoas. As que já fazem parte dele evidenciam, com seus atos, o significado da ação. “Os alunos chegam antes do horário, já vão se aquecendo, sem ninguém precisar falar nada. Isso mostra o desejo e a vontade deles. Só faltava uma oportunidade.”

Solidariedade é herança de família

Ajudar ao próximo está no DNA da família Ferreira. Em 1980, Benedito Ferreira fundava a Associação Amigos do Jardim Oratório e não media esforços para fazer o bem para sua comunidade.

A filha, Gislene Ferreira, 46 anos, cresceu em meio à solidariedade promovida pelo patriarca e, passado um tempo após a sua morte (em 1998), decidiu assumir a entidade que o pai deixara como herança. “Depois que meu pai morreu, a associação passou por outras pessoas, mas ninguém deu continuidade ao trabalho dele nem fez com amor. Eu não podia deixar morrer aquilo que ele tinha plantado e, então, resolvi assumir”, conta ela que, recentemente, teve o mandato como presidente renovado por mais quatro anos, por meio de uma eleição.

A entidade auxilia a população local em diversas frentes. Por meio da Secretaria de Segurança Alimentar da cidade, oferece hortifrúti (frutas, verduras e legumes), atendendo 43 famílias cadastradas. “A gente conta produto por produto que chega e cada sacola vai com a mesma quantidade para todos. Temos fila de espera de 20 famílias que aguardam que sobrem alimentos e a gente consegue fazer com que dê para todo mundo sair levando alguma coisa”, fala Gislene. “Também fazemos entrega de leite, doado pelo governo do Estado, e atendemos 125 famílias, também com fila de espera”, comenta.

O apoio aos moradores se estende ainda à parte esportiva. “Oferecemos aulas de taekwondo e capoeira. Temos ginástica para a terceira idade, com 20 idosas participantes e a mais nova está com 80 anos”, fala.

Atualmente, o imóvel está em reforma, com recursos dos próprios voluntários – a equipe que atua na associação é composta por 11 pessoas. A ampliação do espaço permitirá a expansão de atividades.

Dedicando seu tempo integralmente à entidade, Gislene se emociona ao falar o que o trabalho representa para ela. “Isso está no sangue, é minha vida”, diz com os olhos marejados. “O fato de estar aqui, representando a comunidade, podendo auxiliar de alguma forma, é muito gratificante. A associação não é do meu pai nem minha, é do povo, mas por ter sido ele quem fundou, quem lutou por essa gente, me sinto na obrigação de continuar o trabalho. Enquanto tiver pernas para correr atrás, continuarei nessa caminhada”, conclui.
 



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