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CPI dos Bancos: depoimento de Lopes começa às 16h


Do Diário do Grande ABC

19/04/1999 | 09:05


O ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes presta depoimento nesta segunda-feira, a partir das 16h, à Comissao Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de irregularidades no Sistema Financeiro.

O bilhete encontrado pelos procuradores do Ministério Público que vasculharam as residências do ex-presidente do Banco Marka Salvatore Cocciola e do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes aumentou a desconfiança dos senadores que integram a CPI dos Bancos sobre as operaçoes de socorro do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam.

No bilhete encontrado na casa de Cacciola, reproduzido na ediçao da revista IstoÉ desta semana, o ex-banqueiro pede para ser recebido por Lopes ou, se isso nao fosse possível, que o entao presidente do BC interferisse para que o entao diretor de Fiscalizaçao, Claudio Mauch, fosse "menos rigoroso" e aceitasse negociar "um preço razoável" para a operaçao de socorro.

Cacciola encerra o bilhete dizendo que ficaria satisfeito em nao dar um prejuízo ao mercado e sobreviveria com uma empresa nao financeira para recomeçar sua vida e "esquecer tudo" - expressao sublinhada pelo autor do bilhete.

"Quero ver como ele (Lopes) vai se sair desta", disse neste domingo o senador Roberto Saturnino Braga (PDT-RJ). "No momento em que sublinhou a expressao, ela pode significar esquecer algum favor ou benesse, do contrário nao teria sentido, esquecer tudo pode ter um significado muito importante", justifica o senador. "O bilhete terá que ser explicado, em detalhes, tanto pro Chico Lopes quanto por Cláudio Mauch", afirmou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

"Ele vai ter que esclarecer por que recebia bilhetes irreverentes de Cacciola já que afirma nao conhecê-lo", sustenta o relator da CPI, senador Joao Alberto (PMDB-MA), que solicitará na segunda (19) ao Banco Central uma cópia do depoimento prestado por Lopes na sexta-feira à comissao de sindicância que apura responsabilidades pelas operaçoes de socorro aos bancos Marka e FonteCindam. Para questionar Lopes com perguntas consistentes, o senador enviou um assessor ao Rio de Janeiro, no final de semana, com o objetivo de analisar o conteúdo dos documentos apreendidos pelo Ministério Público na casa do ex-presidente do BC na última sexta-feira.

Para o relator, os novos fatos revelados pela imprensa neste final de semana podem mudar os rumos da CPI. "Agora temos fatos concretos sobre os quais nos debruçar", afirma, mencionando o bilhete de Cacciola e os informantes da revista Veja, que teriam ouvido do ex-presidente do Marka que este tinha informaçoes de dentro do BC de que o câmbio nao mudaria.

O senador Saturnino Braga disse que irá pedir a convocaçao das pessoas citadas na revista Veja e também os controladores do Banco Boavista e os irmaos Sérgio e Luiz Augusto Bragança, citados pela revista Época como ex-sócios de Lopes na empresa de consultoria Macrométrica, que estariam vendendo informaçoes privilegiadas obtidas junto ao ex-presidente do BC para os bancos Marka, FonteCindam e Boavista. Para o senador Suplicy, a ex-chefe do Departamento de Operaçoes das Reservas Internacionais do BC, Maria do Socorro Carvalho, tem que ser convocada por ter assinado as autorizaçoes para a efetivaçao das operaçoes na BM&F. O relator concorda com essa convocaçao e diz que ela será ouvida oportunamente. Suplicy disse ainda que Salvatore Cacciola tem que ser ouvido pela CPI ainda nesta semana.

O relator da CPI quer esclarecer também outras dúvidas, a começar pelo motivo que levou o BC a socorrer o Marka, um banco sem grande expressao no mercado financeiro. "Que banco tao importante era esse que poderia aluir (abalar) o sistema financeiro", indaga Joao Alberto. Outra questao que inquieta o relator é o fato de o deferimento da operaçao ter sido aprovado no mesmo dia da solicitaçao. Uma "velocidade burocrática impressionante", segundo o relator. "Nao quero prejulgar ninguém, mas os indícios sao grandes", afirma o senador, que está apelando para a colaboraçao de quem tenha informaçoes concretas a prestar à CPI. "Quando suspendermos um pedaço do iceberg, a coisa aparece", prevê Joao Alberto.

A desconfiança do relator é compartilhada por outros integrantes da CPI. Depois de passar o domingo debruçado sobre o relatório que o Banco Central entregou à comissao na semana passada, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) promete fazer muitas perguntas a Lopes. Mas, em primeiro lugar, ele quer saber se, com a ajuda ao Marka e ao FonteCindam, "o governo Fernando Henrique Cardoso descobriu um programa de renda mínima para os bancos".

Segundo Suplicy, nos depoimentos da semana passada, o atual presidente do BC, Armínio Fraga, e o diretor de Fiscalizaçao, Luiz Carlos Alvarez, disseram que a meta do Banco Central deve ser a de trabalhar para ter um sistema financeiro com risco zero. "É pelo menos estranho este sistema de vender dólares barato para garantir que o Marka e FonteCindam saíssem sem problema no momento da mudança da política cambial", afirmou o senador. O senador paulista prometeu ainda incluir na pauta da CPI o Proer, o programa de ajuda aos bancos estaduais, que, segundo o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, injetou R$ 100 bilhoes na tentativa de sanear os bancos estaduais.

O senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO) nao revela as principais perguntas que fará ao ex-presidente do BC alegando que a divulgaçao antecipada facilitaria a preparaçao das respostas. Ele revela, no entanto, que está incomodado com o fato de Lopes ter omitido a operaçao de socorro ao Marka e ao FonteCindam durante a sabatina realizada na Comissao de Assuntos Econômicos do Senado antes de sua nomeaçao para a Presidência do BC ser ratificada. "Quero saber por que ele nao se pronunciou a respeito mesmo tendo sido questionado diretamente sobre o assunto", avisa Siqueira Campos, que está cobrando do Banco Central os pareceres jurídicos sobre as operaçoes. O senador considera "preocupante" o fato de o BC ter permissao legal para vender dólares de forma diferenciada aos bancos.

Temor - Os procuradores do Ministério Público Federal que investigam o caso do Banco Marka estao preocupados com uma possível operaçao de abafamento da investigaçao se o caso for transferido do Rio de Janeiro para Brasília. Eles temem que as investigaçoes sejam conduzidas por um procurador ligado ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que poderia sofrer pressoes do governo para reduzir o ímpeto das investigaçoes. Eles avaliam que, se a operaçao estivesse sendo conduzida em Brasília, os documentos apreendidos nas casas de Lopes e Cacciola nao teriam sido divulgados.

O procurador Arthur Gueiros, um dos representantes do Ministério Público que investigam o caso no Rio, estará na segunda (19) em Brasília para acompanhar o depoimento de Lopes à CPI e deverá se encontrar com Brindeiro para fazer um relatório das investigaçoes.



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CPI dos Bancos: depoimento de Lopes começa às 16h

Do Diário do Grande ABC

19/04/1999 | 09:05


O ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes presta depoimento nesta segunda-feira, a partir das 16h, à Comissao Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de irregularidades no Sistema Financeiro.

O bilhete encontrado pelos procuradores do Ministério Público que vasculharam as residências do ex-presidente do Banco Marka Salvatore Cocciola e do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes aumentou a desconfiança dos senadores que integram a CPI dos Bancos sobre as operaçoes de socorro do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam.

No bilhete encontrado na casa de Cacciola, reproduzido na ediçao da revista IstoÉ desta semana, o ex-banqueiro pede para ser recebido por Lopes ou, se isso nao fosse possível, que o entao presidente do BC interferisse para que o entao diretor de Fiscalizaçao, Claudio Mauch, fosse "menos rigoroso" e aceitasse negociar "um preço razoável" para a operaçao de socorro.

Cacciola encerra o bilhete dizendo que ficaria satisfeito em nao dar um prejuízo ao mercado e sobreviveria com uma empresa nao financeira para recomeçar sua vida e "esquecer tudo" - expressao sublinhada pelo autor do bilhete.

"Quero ver como ele (Lopes) vai se sair desta", disse neste domingo o senador Roberto Saturnino Braga (PDT-RJ). "No momento em que sublinhou a expressao, ela pode significar esquecer algum favor ou benesse, do contrário nao teria sentido, esquecer tudo pode ter um significado muito importante", justifica o senador. "O bilhete terá que ser explicado, em detalhes, tanto pro Chico Lopes quanto por Cláudio Mauch", afirmou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

"Ele vai ter que esclarecer por que recebia bilhetes irreverentes de Cacciola já que afirma nao conhecê-lo", sustenta o relator da CPI, senador Joao Alberto (PMDB-MA), que solicitará na segunda (19) ao Banco Central uma cópia do depoimento prestado por Lopes na sexta-feira à comissao de sindicância que apura responsabilidades pelas operaçoes de socorro aos bancos Marka e FonteCindam. Para questionar Lopes com perguntas consistentes, o senador enviou um assessor ao Rio de Janeiro, no final de semana, com o objetivo de analisar o conteúdo dos documentos apreendidos pelo Ministério Público na casa do ex-presidente do BC na última sexta-feira.

Para o relator, os novos fatos revelados pela imprensa neste final de semana podem mudar os rumos da CPI. "Agora temos fatos concretos sobre os quais nos debruçar", afirma, mencionando o bilhete de Cacciola e os informantes da revista Veja, que teriam ouvido do ex-presidente do Marka que este tinha informaçoes de dentro do BC de que o câmbio nao mudaria.

O senador Saturnino Braga disse que irá pedir a convocaçao das pessoas citadas na revista Veja e também os controladores do Banco Boavista e os irmaos Sérgio e Luiz Augusto Bragança, citados pela revista Época como ex-sócios de Lopes na empresa de consultoria Macrométrica, que estariam vendendo informaçoes privilegiadas obtidas junto ao ex-presidente do BC para os bancos Marka, FonteCindam e Boavista. Para o senador Suplicy, a ex-chefe do Departamento de Operaçoes das Reservas Internacionais do BC, Maria do Socorro Carvalho, tem que ser convocada por ter assinado as autorizaçoes para a efetivaçao das operaçoes na BM&F. O relator concorda com essa convocaçao e diz que ela será ouvida oportunamente. Suplicy disse ainda que Salvatore Cacciola tem que ser ouvido pela CPI ainda nesta semana.

O relator da CPI quer esclarecer também outras dúvidas, a começar pelo motivo que levou o BC a socorrer o Marka, um banco sem grande expressao no mercado financeiro. "Que banco tao importante era esse que poderia aluir (abalar) o sistema financeiro", indaga Joao Alberto. Outra questao que inquieta o relator é o fato de o deferimento da operaçao ter sido aprovado no mesmo dia da solicitaçao. Uma "velocidade burocrática impressionante", segundo o relator. "Nao quero prejulgar ninguém, mas os indícios sao grandes", afirma o senador, que está apelando para a colaboraçao de quem tenha informaçoes concretas a prestar à CPI. "Quando suspendermos um pedaço do iceberg, a coisa aparece", prevê Joao Alberto.

A desconfiança do relator é compartilhada por outros integrantes da CPI. Depois de passar o domingo debruçado sobre o relatório que o Banco Central entregou à comissao na semana passada, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) promete fazer muitas perguntas a Lopes. Mas, em primeiro lugar, ele quer saber se, com a ajuda ao Marka e ao FonteCindam, "o governo Fernando Henrique Cardoso descobriu um programa de renda mínima para os bancos".

Segundo Suplicy, nos depoimentos da semana passada, o atual presidente do BC, Armínio Fraga, e o diretor de Fiscalizaçao, Luiz Carlos Alvarez, disseram que a meta do Banco Central deve ser a de trabalhar para ter um sistema financeiro com risco zero. "É pelo menos estranho este sistema de vender dólares barato para garantir que o Marka e FonteCindam saíssem sem problema no momento da mudança da política cambial", afirmou o senador. O senador paulista prometeu ainda incluir na pauta da CPI o Proer, o programa de ajuda aos bancos estaduais, que, segundo o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, injetou R$ 100 bilhoes na tentativa de sanear os bancos estaduais.

O senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO) nao revela as principais perguntas que fará ao ex-presidente do BC alegando que a divulgaçao antecipada facilitaria a preparaçao das respostas. Ele revela, no entanto, que está incomodado com o fato de Lopes ter omitido a operaçao de socorro ao Marka e ao FonteCindam durante a sabatina realizada na Comissao de Assuntos Econômicos do Senado antes de sua nomeaçao para a Presidência do BC ser ratificada. "Quero saber por que ele nao se pronunciou a respeito mesmo tendo sido questionado diretamente sobre o assunto", avisa Siqueira Campos, que está cobrando do Banco Central os pareceres jurídicos sobre as operaçoes. O senador considera "preocupante" o fato de o BC ter permissao legal para vender dólares de forma diferenciada aos bancos.

Temor - Os procuradores do Ministério Público Federal que investigam o caso do Banco Marka estao preocupados com uma possível operaçao de abafamento da investigaçao se o caso for transferido do Rio de Janeiro para Brasília. Eles temem que as investigaçoes sejam conduzidas por um procurador ligado ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que poderia sofrer pressoes do governo para reduzir o ímpeto das investigaçoes. Eles avaliam que, se a operaçao estivesse sendo conduzida em Brasília, os documentos apreendidos nas casas de Lopes e Cacciola nao teriam sido divulgados.

O procurador Arthur Gueiros, um dos representantes do Ministério Público que investigam o caso no Rio, estará na segunda (19) em Brasília para acompanhar o depoimento de Lopes à CPI e deverá se encontrar com Brindeiro para fazer um relatório das investigaçoes.

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