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Aquisição da Pirelli por chineses assusta operários

Ari Paleta/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Trabalhadores de Santo André temem a perda dos
empregos e também a saída da empresa da cidade


Nilton Valentim
Do Diário do Grande ABC

26/03/2015 | 07:21


Trabalhadores da Pirelli Pneus, de Santo André, estão apreensivos com a possibilidade de perda de empregos e, até mesmo, que a fábrica deixe a cidade. Desde segunda-feira, quando foi noticiada a aquisição da marca pelo grupo chinês ChemChina (China National Chemical Corp) por US$ 7,7 bilhões (R$ 24,6 bilhões se considerado o dólar do dia, cotado a R$ 3,20), o assunto não sai das rodinhas de operários. Na unidade fabril atuam 2.500 pessoas.

A possibilidade de cortes alimenta a chamada ‘rádio peão’ – como é conhecida a propagação de boatos dentro das fábricas –, principalmente porque, embora a empresa tenha afirmado que disparou comunicado na intranet de suas unidades, os trabalhadores garantem que não foi feito nenhum tipo de comunicado oficial a eles. O caso tornou-se tão preocupante que o Sindicato dos Trabalhadores Borracheiros da Grande São Paulo fará assembleia hoje, às 14h, na portaria da empresa, para discutir a situação com os operários.

Além disso, embora o CEO (executivo chefe) da fabricante de pneus, Marco Tronchetti Provera, tenha declarado que “o acordo com os chineses não impactará nos empregos”, fonte revelou ao Diário que há possibilidade de redução do quadro de funcionários e aumento no preço dos produtos – devido à escalada do dólar.

Ontem, na saída do turno da manhã, funcionários mostravam-se incomodados com a situação. Para evitar represálias por parte da empresa, solicitaram que seus nomes ou setores em que atuam fossem mantidos em sigilo.

“Estamos preocupados porque a Pirelli já não vem bem. A produção caiu bastante e até já estão falando em mudanças nos horários de trabalho. Não sei se isso (venda aos chineses) é bom ou ruim”, disse um operário que há 11 anos atua na companhia. “Mas, pior do que está não fica, pois estão ocorrendo demissões esporádicas”, completou.

Outro funcionário, que há 18 anos presta serviço à Pirelli, revela medo em relação ao que pode ocorrer em breve. “Isso nos assusta muito, pois o futuro se mostra incerto”, declarou.

Com 21 anos de casa, trabalhador que encerrava o turno ontem às 14h também externou temor. “Sabemos que eles (chineses) se preocupam muito mais com a quantidade do que com a qualidade. Isso assusta, pois sempre existe o risco de demissões. Até porque o nosso sindicato é omisso e sempre concorda com as decisões da Pirelli”, desabafou.

Mesmo quem não atua diretamente na Pirelli se mostra receoso. “Acho que ficará pior do que está. O assunto nas rodinhas de trabalhadores é sempre o mesmo: ‘reduzir a força de trabalho’, além de que a fábrica pode sair da cidade”, disse empregado de empresa terceirizada de limpeza que há três anos dá expediente na indústria de pneus.

O ambulante Gilson Manuel da Silva, 50 anos, tem seu ponto na frente da Pirelli e afirma que o número de clientes vem diminuindo. “Vejo o pessoal muito preocupado. O movimento tem caído muito desde o início do ano”, contou.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Borracheiros da Grande São Paulo, Márcio Ferreira, mostrou-se insatisfeito com as declarações que tem ouvido sobre a negociação. “Desde o início falam muito em tecnologia. Tememos que levem isso para a China e comecem a produzir por lá. Apesar de termos garantia de que não haverá mudanças estruturais nos próximos cinco anos, ficamos preocupados, pois sabemos que o custo da mão de obra naquele país é muito mais baixo”, destacou.

A vice-prefeita e secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Santo André, Oswana Fameli (PRP), embora admita que não tenha se encontrado e nem procurado a direção da indústria, não vê motivos para preocupação. “Acho difícil a empresa sair de Santo André. Nosso trabalho neste momento é garantir que nosso País e nossa cidade sejam ainda grandes possibilidades para o investimento”, afirmou. “Também queremos a manutenção dos empregos”, completou Oswana, sem dar qualquer garantia da permanência das vagas.


Problemas de montadora asiática são citados por sindicalista

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Borracheiros da Grande São Paulo, Márcio Ferreira, usa o exemplo da montadora chinesa Chery, de Jacareí (interior paulista), para justificar o temor dos funcionários da Pirelli, de Santo André, pela perda de empregos em razão da aquisição da marca de origem italiana pelo grupo chinês ChemChina (China National Chemical Corp).

“Veja o exemplo da Chery. Lá está cheio de problemas, os trabalhadores estão sendo desrespeitados e podem entrar em greve. Não queremos ver isso acontecendo aqui”, afirmou Ferreira, que hoje fará assembleia na porta da fábrica de pneus, em Santo André.

No caso da empresa automobilística, que foi inaugurada em agosto do último ano, os operários estão em estado de greve e devem cruzar os braços amanhã. A principal queixa é o valor baixo dos salários pagos, além de, segundo o sindicato da categoria, o desrespeito à legislação trabalhista do Brasil. Também há reclamação quanto à qualidade da alimentação servida aos empregados.

No caso da fabricante de pneus, o presidente do Sindicato dos Borracheiros afirma que não é contrário ao negócio com os chineses, apenas quer garantir direitos adquiridos. “Para nós, não interessa quem é o patrão. Nossa preocupação é manter a fábrica, ter empregos e salários.”

No fim de 2014, a Pirelli transferiu sua sede administrativa para a Capital e, com ela, 320 funcionários. Na região, trabalham 2.500 pessoas das áreas de produção e engenharia.
 



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Aquisição da Pirelli por chineses assusta operários

Trabalhadores de Santo André temem a perda dos
empregos e também a saída da empresa da cidade

Nilton Valentim
Do Diário do Grande ABC

26/03/2015 | 07:21


Trabalhadores da Pirelli Pneus, de Santo André, estão apreensivos com a possibilidade de perda de empregos e, até mesmo, que a fábrica deixe a cidade. Desde segunda-feira, quando foi noticiada a aquisição da marca pelo grupo chinês ChemChina (China National Chemical Corp) por US$ 7,7 bilhões (R$ 24,6 bilhões se considerado o dólar do dia, cotado a R$ 3,20), o assunto não sai das rodinhas de operários. Na unidade fabril atuam 2.500 pessoas.

A possibilidade de cortes alimenta a chamada ‘rádio peão’ – como é conhecida a propagação de boatos dentro das fábricas –, principalmente porque, embora a empresa tenha afirmado que disparou comunicado na intranet de suas unidades, os trabalhadores garantem que não foi feito nenhum tipo de comunicado oficial a eles. O caso tornou-se tão preocupante que o Sindicato dos Trabalhadores Borracheiros da Grande São Paulo fará assembleia hoje, às 14h, na portaria da empresa, para discutir a situação com os operários.

Além disso, embora o CEO (executivo chefe) da fabricante de pneus, Marco Tronchetti Provera, tenha declarado que “o acordo com os chineses não impactará nos empregos”, fonte revelou ao Diário que há possibilidade de redução do quadro de funcionários e aumento no preço dos produtos – devido à escalada do dólar.

Ontem, na saída do turno da manhã, funcionários mostravam-se incomodados com a situação. Para evitar represálias por parte da empresa, solicitaram que seus nomes ou setores em que atuam fossem mantidos em sigilo.

“Estamos preocupados porque a Pirelli já não vem bem. A produção caiu bastante e até já estão falando em mudanças nos horários de trabalho. Não sei se isso (venda aos chineses) é bom ou ruim”, disse um operário que há 11 anos atua na companhia. “Mas, pior do que está não fica, pois estão ocorrendo demissões esporádicas”, completou.

Outro funcionário, que há 18 anos presta serviço à Pirelli, revela medo em relação ao que pode ocorrer em breve. “Isso nos assusta muito, pois o futuro se mostra incerto”, declarou.

Com 21 anos de casa, trabalhador que encerrava o turno ontem às 14h também externou temor. “Sabemos que eles (chineses) se preocupam muito mais com a quantidade do que com a qualidade. Isso assusta, pois sempre existe o risco de demissões. Até porque o nosso sindicato é omisso e sempre concorda com as decisões da Pirelli”, desabafou.

Mesmo quem não atua diretamente na Pirelli se mostra receoso. “Acho que ficará pior do que está. O assunto nas rodinhas de trabalhadores é sempre o mesmo: ‘reduzir a força de trabalho’, além de que a fábrica pode sair da cidade”, disse empregado de empresa terceirizada de limpeza que há três anos dá expediente na indústria de pneus.

O ambulante Gilson Manuel da Silva, 50 anos, tem seu ponto na frente da Pirelli e afirma que o número de clientes vem diminuindo. “Vejo o pessoal muito preocupado. O movimento tem caído muito desde o início do ano”, contou.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Borracheiros da Grande São Paulo, Márcio Ferreira, mostrou-se insatisfeito com as declarações que tem ouvido sobre a negociação. “Desde o início falam muito em tecnologia. Tememos que levem isso para a China e comecem a produzir por lá. Apesar de termos garantia de que não haverá mudanças estruturais nos próximos cinco anos, ficamos preocupados, pois sabemos que o custo da mão de obra naquele país é muito mais baixo”, destacou.

A vice-prefeita e secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Santo André, Oswana Fameli (PRP), embora admita que não tenha se encontrado e nem procurado a direção da indústria, não vê motivos para preocupação. “Acho difícil a empresa sair de Santo André. Nosso trabalho neste momento é garantir que nosso País e nossa cidade sejam ainda grandes possibilidades para o investimento”, afirmou. “Também queremos a manutenção dos empregos”, completou Oswana, sem dar qualquer garantia da permanência das vagas.


Problemas de montadora asiática são citados por sindicalista

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Borracheiros da Grande São Paulo, Márcio Ferreira, usa o exemplo da montadora chinesa Chery, de Jacareí (interior paulista), para justificar o temor dos funcionários da Pirelli, de Santo André, pela perda de empregos em razão da aquisição da marca de origem italiana pelo grupo chinês ChemChina (China National Chemical Corp).

“Veja o exemplo da Chery. Lá está cheio de problemas, os trabalhadores estão sendo desrespeitados e podem entrar em greve. Não queremos ver isso acontecendo aqui”, afirmou Ferreira, que hoje fará assembleia na porta da fábrica de pneus, em Santo André.

No caso da empresa automobilística, que foi inaugurada em agosto do último ano, os operários estão em estado de greve e devem cruzar os braços amanhã. A principal queixa é o valor baixo dos salários pagos, além de, segundo o sindicato da categoria, o desrespeito à legislação trabalhista do Brasil. Também há reclamação quanto à qualidade da alimentação servida aos empregados.

No caso da fabricante de pneus, o presidente do Sindicato dos Borracheiros afirma que não é contrário ao negócio com os chineses, apenas quer garantir direitos adquiridos. “Para nós, não interessa quem é o patrão. Nossa preocupação é manter a fábrica, ter empregos e salários.”

No fim de 2014, a Pirelli transferiu sua sede administrativa para a Capital e, com ela, 320 funcionários. Na região, trabalham 2.500 pessoas das áreas de produção e engenharia.
 

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