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Povo para quê?


Da redação

18/03/2015 | 07:00


O prefeito Luiz Marinho (PT) demonstrou claramente ontem qual papel ele espera que a população de São Bernardo interprete em seu governo: o de mera coadjuvante, importante apenas na hora do voto. Depois de ajudá-lo a obter seu intento, assegurando-lhe a principal cadeira do Executivo municipal, que se afaste e se cale. Nada de atrapalhar o governo.

Ao determinar que, durante a audiência com a secretária de Educação, Cleuza Repulho, funcionários comissionados deixassem o trabalho para ocupar as cadeiras do plenário da Câmara, impedindo que os assentos fossem utilizados pelos representantes da sociedade, o petista evidencia o apreço que nutre pelo contraditório, pela crítica e, enfim, pela democracia.

Cleuza foi convocada para explicar por que, no início do ano letivo, cortou pela metade, sem aviso prévio, as refeições servidas aos alunos da rede pública. Desde então, tem sido duramente censurada pela população são-bernardense, que ontem poderia ter a chance de expor sua insatisfação. Isso, evidentemente, se Marinho não interviesse.

Sem o povo nas tribunas, a audiência foi reduzida a sessão de salamaleques. Das galerias, a claque cumpria suas atribuições bovinamente, aplaudindo cada intervenção da secretária. Ninguém parecia concordar com a frase lapidar cunhada por Agostinho de Hipona, um dos principais teólogos e filósofos dos primeiros anos do Cristianismo, conhecido como Santo Agostinho: prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem.

Calado durante a administração petista, o eleitor de São Bernardo poderá dar a resposta nas urnas. Daqui a dois anos, haverá nova eleição destinada a escolher o sucessor do petista. Será a vez de a população emitir seu recado. Ou não – nesse caso, Marinho terá, enfim, conseguido concretizar o sonho de todos os ditadores: manter o poder em uma democracia sem povo. 



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Povo para quê?

Da redação

18/03/2015 | 07:00


O prefeito Luiz Marinho (PT) demonstrou claramente ontem qual papel ele espera que a população de São Bernardo interprete em seu governo: o de mera coadjuvante, importante apenas na hora do voto. Depois de ajudá-lo a obter seu intento, assegurando-lhe a principal cadeira do Executivo municipal, que se afaste e se cale. Nada de atrapalhar o governo.

Ao determinar que, durante a audiência com a secretária de Educação, Cleuza Repulho, funcionários comissionados deixassem o trabalho para ocupar as cadeiras do plenário da Câmara, impedindo que os assentos fossem utilizados pelos representantes da sociedade, o petista evidencia o apreço que nutre pelo contraditório, pela crítica e, enfim, pela democracia.

Cleuza foi convocada para explicar por que, no início do ano letivo, cortou pela metade, sem aviso prévio, as refeições servidas aos alunos da rede pública. Desde então, tem sido duramente censurada pela população são-bernardense, que ontem poderia ter a chance de expor sua insatisfação. Isso, evidentemente, se Marinho não interviesse.

Sem o povo nas tribunas, a audiência foi reduzida a sessão de salamaleques. Das galerias, a claque cumpria suas atribuições bovinamente, aplaudindo cada intervenção da secretária. Ninguém parecia concordar com a frase lapidar cunhada por Agostinho de Hipona, um dos principais teólogos e filósofos dos primeiros anos do Cristianismo, conhecido como Santo Agostinho: prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem.

Calado durante a administração petista, o eleitor de São Bernardo poderá dar a resposta nas urnas. Daqui a dois anos, haverá nova eleição destinada a escolher o sucessor do petista. Será a vez de a população emitir seu recado. Ou não – nesse caso, Marinho terá, enfim, conseguido concretizar o sonho de todos os ditadores: manter o poder em uma democracia sem povo. 

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