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Millôr Fernandes lança '100 Fábulas Fabulosas'


Mauro Fernando
Do Diário do Grande ABC

21/06/2003 | 16:50


Em Fábulas Fabulosas, livro lançado há 40 anos, Millôr Fernandes já havia se revelado um criador de deliciosas fábulas contemporâneas. Com 100 Fábulas Fabulosas (Record, 226 págs., R$ 28), que acaba de aportar nas livrarias, Millôr retorna ao gênero que consagrou Esopo e La Fontaine.

O genial desenhista, dramaturgo, escritor, frasista, humorista e tradutor produz curtas narrativas alegóricas com humor inteligente, ferino. Proprietário de estilo brincalhão, abusando de superlativos em relação a autoridades constituídas ou (supostamente) intelectuais, Millôr constrói pequenas sátiras à condição humana e à realidade brasileira.

Irônico e politicamente incorreto – se isso não for uma redundância –, às vezes dotando seus personagens de um cinismo tão absurdo quanto cômico, Millôr não poupa ninguém. Nem mesmo aquela parcela da humanidade que não consegue se defender, talvez por uma ingenuidade atrelada à escassez de massa cinzenta.

Sábio, o autor conhece as sinuosidades intrínsecas ao processo de conquista do leitor. Em 100 Fábulas Fabulosas – todas devidamente encerradas com uma inequívoca moral –, Millôr não se satisfaz com um leitor passivo. Atiça, provoca, não dá trégua por um instante. E leva a fatura.

Millôr se vale de animais (sapo, raposa, leão, jacaré, cachorro, burro), brinca com personagens da mitologia (Eco, Hércules, Júpiter, Narciso, Pandora, Prometeu), zomba de políticos (“Saar-Nei, pescador no Rio Pir-i-Ku-Man”). Agrega a essa vasta turma qualidades e defeitos, sempre visando à crítica – seja esta de que ordem for, nunca é conservadora ou moralista.

A matéria-prima utilizada pelo autor nada mais é que a própria natureza humana. Exemplos: A rã e o boi (inveja), As ligações (cirúrgicas) perigosas (vaidade), O enfrentamento (teimosia) e Mudanças imutáveis (ideologia).

Se os espertalhões de suas histórias nem sempre se dão bem, não é por falta de habilidade. É por excesso – normalmente a esperteza engole seu próprio dono. O troco vem a galope, como em A esperteza, fábula que envolve um comerciante de tecidos, seu sobrinho e uma velhinha.

Se o homem possui um prazer (o sexo) e duas qualidades (o riso e o pensamento), 100 Fábulas Fabulosas extrai desse universo comum a todos nós o que há de mais interessante. Em O fracasso dos canais eletrônicos, por sinal, Millôr junta de forma concisa as qualidades ao prazer.

Autor de haicais como “Probleminhas terrenos:/Quem vive mais/Morre menos?” e de frases como “O problema não é apenas caminhar na estrada certa. Temos que arriscar também a contra-mão.”, Millôr assina também as ilustrações do livro.



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Millôr Fernandes lança '100 Fábulas Fabulosas'

Mauro Fernando
Do Diário do Grande ABC

21/06/2003 | 16:50


Em Fábulas Fabulosas, livro lançado há 40 anos, Millôr Fernandes já havia se revelado um criador de deliciosas fábulas contemporâneas. Com 100 Fábulas Fabulosas (Record, 226 págs., R$ 28), que acaba de aportar nas livrarias, Millôr retorna ao gênero que consagrou Esopo e La Fontaine.

O genial desenhista, dramaturgo, escritor, frasista, humorista e tradutor produz curtas narrativas alegóricas com humor inteligente, ferino. Proprietário de estilo brincalhão, abusando de superlativos em relação a autoridades constituídas ou (supostamente) intelectuais, Millôr constrói pequenas sátiras à condição humana e à realidade brasileira.

Irônico e politicamente incorreto – se isso não for uma redundância –, às vezes dotando seus personagens de um cinismo tão absurdo quanto cômico, Millôr não poupa ninguém. Nem mesmo aquela parcela da humanidade que não consegue se defender, talvez por uma ingenuidade atrelada à escassez de massa cinzenta.

Sábio, o autor conhece as sinuosidades intrínsecas ao processo de conquista do leitor. Em 100 Fábulas Fabulosas – todas devidamente encerradas com uma inequívoca moral –, Millôr não se satisfaz com um leitor passivo. Atiça, provoca, não dá trégua por um instante. E leva a fatura.

Millôr se vale de animais (sapo, raposa, leão, jacaré, cachorro, burro), brinca com personagens da mitologia (Eco, Hércules, Júpiter, Narciso, Pandora, Prometeu), zomba de políticos (“Saar-Nei, pescador no Rio Pir-i-Ku-Man”). Agrega a essa vasta turma qualidades e defeitos, sempre visando à crítica – seja esta de que ordem for, nunca é conservadora ou moralista.

A matéria-prima utilizada pelo autor nada mais é que a própria natureza humana. Exemplos: A rã e o boi (inveja), As ligações (cirúrgicas) perigosas (vaidade), O enfrentamento (teimosia) e Mudanças imutáveis (ideologia).

Se os espertalhões de suas histórias nem sempre se dão bem, não é por falta de habilidade. É por excesso – normalmente a esperteza engole seu próprio dono. O troco vem a galope, como em A esperteza, fábula que envolve um comerciante de tecidos, seu sobrinho e uma velhinha.

Se o homem possui um prazer (o sexo) e duas qualidades (o riso e o pensamento), 100 Fábulas Fabulosas extrai desse universo comum a todos nós o que há de mais interessante. Em O fracasso dos canais eletrônicos, por sinal, Millôr junta de forma concisa as qualidades ao prazer.

Autor de haicais como “Probleminhas terrenos:/Quem vive mais/Morre menos?” e de frases como “O problema não é apenas caminhar na estrada certa. Temos que arriscar também a contra-mão.”, Millôr assina também as ilustrações do livro.

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