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Brad Pitt causa furor no Festival de Cannes


Do Diário OnLine

13/05/2004 | 18:40


Foto:AFPHavia 13 pessoas à mesa da coletiva de Tróia. Uma era o mediador Whadi Taklas, os outros 12 eram integrantes da equipe do filme: o diretor Wolfgang Petersen, a produtora Diana Rathbun e um contingente de astros e estrelas tendo à frente Brad Pitt, que faz Aquiles no épico adaptado da Ilíada. Três das mulheres à mesa eram simplesmente deslumbrantes: Saffron Burrows, Diane Kruger e Rose Byrne.

Havia também os bonitões Eric Bana e Orlando Bloom. Para que serve um festival de cinema? O mais importante festival do mundo quase parou por causa de Tróia. Se havia 13 pessoas à mesa, havia dez vezes mais na sala ou fora delas, todas grudadas na televisão para ver a transmissão em circuito interno.

Quando terminou a coletiva, a gritaria por Brad foi de ensurdecer. Ele sorria meio atarantado. É muito provável que a revista francesa Premiere tenha ganhado sua aposta ao dizer que ele seria o astro do 57º Festival de Cannes.

Tróia é a mais recente investida na nova onda hollywoodiana dos épicos. O diretor Petersen tenta explicar a origem desse fascínio. Diz que nos últimos 3 mil anos, não houve outro escritor como Homero capaz de narrar de maneira hiper-realista os horrores da guerra e ele ressalta: “Para que o público atual se interesse pela trama, é preciso contar essa história com personagens reais, cujas paixões desencadeiam os fatos terríveis”. Por isso mesmo ele encampou a decisão do roteirista David Benioss, que eliminou os deuses fundamentais na saga homérica.

Petersen acredita que, com a participação dos deuses, a história se tornaria risível e isso seria um desastre para a ambição do seu épico. “Há um velho ditado que diz que a guerra faz aparecer o que há de melhor e de pior nos homens. Na verdade a guerra é sempre uma catástrofe para quem quer que esteja envolvida nela”. Daí, ele compreende quando os críticos tentam fazer analogias entre a antigüidade retratada no filme e a época atual. Agamenon com seus sonhos de uma Grécia imperial seria o George W. Bush dos tempos homéricos, aquele capaz de tudo sacrificar por sua ambição.

Indagada sobre justamente isso, a atualidade da trama, a atriz Saffron Burrous disse que embora o filme seja de época tem tudo a ver com o aqui e o agora. Ela aceitou a provocação do jornalista e fez a ponte com os casos de abuso envolvendo prisioneiros na guerra do Iraque. “Só quem for muito inocente pode se surpreender com a revelação dessas coisas. Toda guerra é sempre suja”, disse.

Petersen acrescenta que encontrar os atores certos para os papéis foi um exercício fundamental. Ele se disse muito orgulhoso do alto rendimento de seu elenco. Quando chegou ao projeto, Brad Pitt já estava escalado, pois partiu do próprio ator a iniciativa de oferecer-se à empresa produtora Warner para fazer o heróico Aquiles.

“Homero consegue definir extraordinariamente a personalidade de Aquiles, ainda mais que a Ilíada não é contada de forma linear”, diz Pitt. “Num determinado momento, Aquiles é apresentado como um assassino sanguinário, depois, Homero nos sugere outro aspecto de sua personalidade e a gente descobre que se trata de um homem atormentado por conflitos de honra e de coragem. Portanto, o que seduz o leitor de Homero e o espectador do filme é essa complexidade que o personagem possui e que o torna tão moderno.”

Orlando Bloom, que faz Páris, diz que o atraente nesse tipo de filme é que todos os personagens estão enraizados no inconsciente do público, porque as narrativas de Homero no fundo são as matrizes de todos os relatos heróicos que existem. Eric Bana acrescenta que foi fundamental para ele, no processo de investigação para criar Heitor, o grande oponente de Aquiles, haver lido os livros do mitólogo Joseph Campbell. “Ele me ajudou bastante a entender a natureza sobre-humana e ao mesmo tempo a essência dolorosa de todas essas figuras.”

Sobre os efeitos, Petersen disse que eles foram necessários para digitalizar a maior armada de todos os tempos. O desembarque dos gregos na praia de Tróia sugere alguma coisa parecida com o desembarque dos soldados aliados em O Resgate do Soldado Ryan. Seria o Dia D da antiguidade. Há um plano particularmente impressionante que é um vôo de helicóptero sobre a praia. O próprio Petersen disse que ficou impressionado com o realismo. Reclamou apenas de algumas figuras que pareciam não participar da dureza da ação. Explicaram-lhe que aquelas eram justamente as pessoas. Tudo o mais que o impressionou havia sido criado no computador. “A digitalização é o novo instrumento de um realismo mais grandioso e radical”, diz o diretor.



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