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Desalojados do Macuco
ficam sem assistência


Renan Fonseca
Do Diário do Grande ABC

07/01/2011 | 07:16


Famílias que tiveram suas casas interditadas no morro do Macuco, em Mauá, assistiram ontem à demolição dos primeiros barracos. A Prefeitura anunciou ontem que colocará abaixo 26 habitações - e não 23, conforme havia anunciado o Corpo de Bombeiros - sob ameaça de desabamento.

Na noite de terça-feira, um deslizamento de terra matou mãe e filho no local. Três dias depois da tragédia, o poder municipal ainda não sabe para onde serão encaminhados os moradores que não podem voltar para casa.

A recomendação da Defesa Civil é para que todos se acomodem nos lares de parentes e amigos. Ontem, parte dos desalojados passou o dia nas casas interditadas por não ter para onde ir.

O desempregado Francisco Félix Souza, 53 anos, acompanhou com remorso a demolição do barraco onde morava com a mulher e filhos. Irritado, ele relatou a noite que passou na casa de vizinhos no Macuco. "Minha família está espalhada. A mulher dorme em um vizinho e eu e as crianças em outro", contou. Refazer o antigo lar é sonho quase impossível. "Não me deixaram pegar os móveis. Perdi geladeira, fogão e camas dos meninos", reclamou.

Dona Anita Souza Roque, 50, está ainda mais inconformada. Segundo a aposentada, agentes da Prefeitura orientaram para que empacotasse os pertences e fosse para a casa de familiares. "Estou na casa de uma amiga. Meus móveis estão encaixotados. Não tenho lugar para ir e ninguém me diz nada", protestou dona Anita.

Gestante, a jovem Cibele Sirlene Ferreira Araujo, 17, passou a madrugada de ontem em um barraco de dois cômodos, junto a outras cinco famílias. "Muito apertado e não dá para ficar lá para sempre. Só queria um lugar para ir, caso contrário volto para minha casa." A residência que ocupava com o companheiro fica em frente à cicatriz aberta pelo deslizamento.

Na segunda casa posta abaixo ontem morava a dona de casa Girlandia Santos Brito, 22 anos. Ela e o marido foram acolhidos por um casal de amigos e agora têm de dormir em um barraco com dois cômodos, onde vivem outras sete pessoas. "Fazer o quê? A Prefeitura mandou sair de casa, mas não ofereceu lugar", criticou.

Nem o prefeito Oswaldo Dias (PT) nem os secretários de Governo apareceram no Macuco para ouvir os moradores. Procurada, a Prefeitura não informou quando pretende concluir a demolição dos barracos. Tampouco especificou que tipo de assistência está sendo dada às famílias desalojadas.

INCONFORMADO
O geógrafo Márcio Arckemann visitou ontem o Morro do Macuco. Diante da situação de abandono, o especialista se disse inconformado. "Isso mostra que a Prefeitura não tem plano de contingência. Mandar as pessoas para casa de parentes não é cabível hoje em dia." Ele acompanhou três donas de casa até o 4º Distrito Policial para registrar boletim de ocorrência contra a administração. "Ofereci para o delegado a elaboração de um laudo sobre aquela área, que é APP (Área de Proteção Permanente)", ressaltou.

Arckemann criticou também a falta de estratégia para o local. "A morte daquelas pessoas é de responsabilidade do poder municipal. É inadmissível culpar a chuva pelas mortes", avaliou. "O mínimo que uma prefeitura deve fazer hoje, mesmo que seja início de gestão, é tomar atitudes para evitar mortes. E existem medidas economicamente baratas para essa finalidade."

Sistema de drenagem do solo, orientação aos moradores e remoção de famílias em áreas de risco durante chuvas fortes são algumas medidas citadas pelo especialista como planos preventivos.



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Desalojados do Macuco
ficam sem assistência

Renan Fonseca
Do Diário do Grande ABC

07/01/2011 | 07:16


Famílias que tiveram suas casas interditadas no morro do Macuco, em Mauá, assistiram ontem à demolição dos primeiros barracos. A Prefeitura anunciou ontem que colocará abaixo 26 habitações - e não 23, conforme havia anunciado o Corpo de Bombeiros - sob ameaça de desabamento.

Na noite de terça-feira, um deslizamento de terra matou mãe e filho no local. Três dias depois da tragédia, o poder municipal ainda não sabe para onde serão encaminhados os moradores que não podem voltar para casa.

A recomendação da Defesa Civil é para que todos se acomodem nos lares de parentes e amigos. Ontem, parte dos desalojados passou o dia nas casas interditadas por não ter para onde ir.

O desempregado Francisco Félix Souza, 53 anos, acompanhou com remorso a demolição do barraco onde morava com a mulher e filhos. Irritado, ele relatou a noite que passou na casa de vizinhos no Macuco. "Minha família está espalhada. A mulher dorme em um vizinho e eu e as crianças em outro", contou. Refazer o antigo lar é sonho quase impossível. "Não me deixaram pegar os móveis. Perdi geladeira, fogão e camas dos meninos", reclamou.

Dona Anita Souza Roque, 50, está ainda mais inconformada. Segundo a aposentada, agentes da Prefeitura orientaram para que empacotasse os pertences e fosse para a casa de familiares. "Estou na casa de uma amiga. Meus móveis estão encaixotados. Não tenho lugar para ir e ninguém me diz nada", protestou dona Anita.

Gestante, a jovem Cibele Sirlene Ferreira Araujo, 17, passou a madrugada de ontem em um barraco de dois cômodos, junto a outras cinco famílias. "Muito apertado e não dá para ficar lá para sempre. Só queria um lugar para ir, caso contrário volto para minha casa." A residência que ocupava com o companheiro fica em frente à cicatriz aberta pelo deslizamento.

Na segunda casa posta abaixo ontem morava a dona de casa Girlandia Santos Brito, 22 anos. Ela e o marido foram acolhidos por um casal de amigos e agora têm de dormir em um barraco com dois cômodos, onde vivem outras sete pessoas. "Fazer o quê? A Prefeitura mandou sair de casa, mas não ofereceu lugar", criticou.

Nem o prefeito Oswaldo Dias (PT) nem os secretários de Governo apareceram no Macuco para ouvir os moradores. Procurada, a Prefeitura não informou quando pretende concluir a demolição dos barracos. Tampouco especificou que tipo de assistência está sendo dada às famílias desalojadas.

INCONFORMADO
O geógrafo Márcio Arckemann visitou ontem o Morro do Macuco. Diante da situação de abandono, o especialista se disse inconformado. "Isso mostra que a Prefeitura não tem plano de contingência. Mandar as pessoas para casa de parentes não é cabível hoje em dia." Ele acompanhou três donas de casa até o 4º Distrito Policial para registrar boletim de ocorrência contra a administração. "Ofereci para o delegado a elaboração de um laudo sobre aquela área, que é APP (Área de Proteção Permanente)", ressaltou.

Arckemann criticou também a falta de estratégia para o local. "A morte daquelas pessoas é de responsabilidade do poder municipal. É inadmissível culpar a chuva pelas mortes", avaliou. "O mínimo que uma prefeitura deve fazer hoje, mesmo que seja início de gestão, é tomar atitudes para evitar mortes. E existem medidas economicamente baratas para essa finalidade."

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