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Cachaça: vai ‘uma’ para esquentar?


Nelson Albuquerque
Do Diário do Grande ABC

02/06/2001 | 15:00


Tomar uma para esquentar, comemorar ou abrir o apetite. Não importa o motivo – e até mesmo sem motivo especial –, a cachaça é um produto nacional cada vez mais presente no paladar do brasileiro. Apesar de centenária, a caninha só despertou o interesse internacional recentemente. Reflexo disso é o próprio país disposto a assumir e curioso para conhecer sua preciosa bebida, que a cada temporada fria ganha novos apreciadores.

O movimento maior em adegas e cachaçarias da região, provocado pela baixa temperatura, atesta: a cachaça é uma bebida quente e mais consumida quando fica mais frio. Mas é verdade que em um país tropical não são todos que esperam o inverno para bebericar uma pinguinha e, muito menos, para apreciar seu mais famoso drinque, a caipirinha.

Sobram apelidos para essa simpática bebida, mas, para conhecer suas virtudes, só provando. Bom aroma e uma agradável sensação de queima na boca são atributos da caninha de qualidade. Outro sinal, assim como no vinho, são as grossas “lágrimas” que escorrem pela borda do copo – o cálice recomendável é o liso, transparente e de boca larga. “A boa cachaça não dá dor de cabeça, não deixa ressaca”, garante Ivonete Di Traglia Gonçalves, proprietária da Água Doce Cachaçaria (r. das Figueiras, 634. Tel.: 4436-6154), em Santo André.

A casa oferece uma lista de 150 marcas da bebida. A maioria vem de Minas, Estado que é o maior produtor de cachaça do Brasil. No cardápio, elas são classificadas por estrelas. As doses custam de R$ 1,70 (uma estrela) e R$ 4,50 (cinco), mas a rainha das cachaças é a Havana (R$ 12 a dose, ou R$ 130 a garrafa), envelhecida dez anos.

Mito – Apesar do glamour da Havana, Ivonete afirma que existem outras cachaças igualmente boas, como a Seleta e a Peladinha. “A vantagem da Havana é o mito que a envolve (é feita em quantidade limitada, no interior de Minas, sob rigoroso sigilo)”, diz. Outros locais que fabricam cachaças artesanais são o interior de São Paulo, Pernambuco e Santa Catarina, entre outros.

São raros os estabelecimentos no Grande ABC especializados na bebida. Na falta de cachaçarias, as adegas vendem a granel e dão lugar para o cliente sentar e apreciar uma dose com calma. A Adega Tonel (r. Castro Alves, 492. Tel.: 4228-3176), em São Caetano, serve em um espaço modesto pingas de Lençóis Paulista (R$ 1,80 o litro) e de Cabreúva (R$ 2 o litro), além das adoçadas, sabor anis, canelinha e carqueja, entre outras.

Em São Bernardo, a Adega Gauchão (av. Getúlio Vargas, 910. Tel.: 4125-6043) oferece muitas opções, desde as de alambique até as engarrafadas. “Temos as mais simples e as tipo exportação, como a Nêga Fulô (R$ 24 a garrafa) e a Três Coronéis (R$ 17)”, diz o proprietário Marcos Luis Bizotto. Para acompanhar, a casa dispõe de porções e, aos fins de semana, carne assada. A Água Doce Cachaçaria promete para setembro próximo uma nova filial em São Bernardo.

Culinária – A cachaça entra na cozinha sem criar polêmica. É usada, por exemplo, para fazer doces, coquetéis, temperar carne e preparar massas. O barman Sandrelucio Pinho, de Santo André, conquistou o terceiro lugar no Campeonato de Coquetel à Base de Cachaça do ano passado, com o drinque Lady Laura. “A cachaça entrou nesse mercado há pouco tempo”, afirma o barman.

Muito conhecidas, as balinhas de pinga são fáceis de fazer em casa. “Gosto de usar essa bebida para fazer doces, como balas, biscoito e bolo”, diz a culinarista Neusa Barberini. Outra culinarista, Sônia Maneliskhi, prefere utilizá-la nas massas. “A pinga deixa a massa mais sequinha”, explica. Nas carnes, sem alterar o sabor, a cachaça funciona como amaciante. Outro uso muito comum é a flambagem.



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Cachaça: vai ‘uma’ para esquentar?

Nelson Albuquerque
Do Diário do Grande ABC

02/06/2001 | 15:00


Tomar uma para esquentar, comemorar ou abrir o apetite. Não importa o motivo – e até mesmo sem motivo especial –, a cachaça é um produto nacional cada vez mais presente no paladar do brasileiro. Apesar de centenária, a caninha só despertou o interesse internacional recentemente. Reflexo disso é o próprio país disposto a assumir e curioso para conhecer sua preciosa bebida, que a cada temporada fria ganha novos apreciadores.

O movimento maior em adegas e cachaçarias da região, provocado pela baixa temperatura, atesta: a cachaça é uma bebida quente e mais consumida quando fica mais frio. Mas é verdade que em um país tropical não são todos que esperam o inverno para bebericar uma pinguinha e, muito menos, para apreciar seu mais famoso drinque, a caipirinha.

Sobram apelidos para essa simpática bebida, mas, para conhecer suas virtudes, só provando. Bom aroma e uma agradável sensação de queima na boca são atributos da caninha de qualidade. Outro sinal, assim como no vinho, são as grossas “lágrimas” que escorrem pela borda do copo – o cálice recomendável é o liso, transparente e de boca larga. “A boa cachaça não dá dor de cabeça, não deixa ressaca”, garante Ivonete Di Traglia Gonçalves, proprietária da Água Doce Cachaçaria (r. das Figueiras, 634. Tel.: 4436-6154), em Santo André.

A casa oferece uma lista de 150 marcas da bebida. A maioria vem de Minas, Estado que é o maior produtor de cachaça do Brasil. No cardápio, elas são classificadas por estrelas. As doses custam de R$ 1,70 (uma estrela) e R$ 4,50 (cinco), mas a rainha das cachaças é a Havana (R$ 12 a dose, ou R$ 130 a garrafa), envelhecida dez anos.

Mito – Apesar do glamour da Havana, Ivonete afirma que existem outras cachaças igualmente boas, como a Seleta e a Peladinha. “A vantagem da Havana é o mito que a envolve (é feita em quantidade limitada, no interior de Minas, sob rigoroso sigilo)”, diz. Outros locais que fabricam cachaças artesanais são o interior de São Paulo, Pernambuco e Santa Catarina, entre outros.

São raros os estabelecimentos no Grande ABC especializados na bebida. Na falta de cachaçarias, as adegas vendem a granel e dão lugar para o cliente sentar e apreciar uma dose com calma. A Adega Tonel (r. Castro Alves, 492. Tel.: 4228-3176), em São Caetano, serve em um espaço modesto pingas de Lençóis Paulista (R$ 1,80 o litro) e de Cabreúva (R$ 2 o litro), além das adoçadas, sabor anis, canelinha e carqueja, entre outras.

Em São Bernardo, a Adega Gauchão (av. Getúlio Vargas, 910. Tel.: 4125-6043) oferece muitas opções, desde as de alambique até as engarrafadas. “Temos as mais simples e as tipo exportação, como a Nêga Fulô (R$ 24 a garrafa) e a Três Coronéis (R$ 17)”, diz o proprietário Marcos Luis Bizotto. Para acompanhar, a casa dispõe de porções e, aos fins de semana, carne assada. A Água Doce Cachaçaria promete para setembro próximo uma nova filial em São Bernardo.

Culinária – A cachaça entra na cozinha sem criar polêmica. É usada, por exemplo, para fazer doces, coquetéis, temperar carne e preparar massas. O barman Sandrelucio Pinho, de Santo André, conquistou o terceiro lugar no Campeonato de Coquetel à Base de Cachaça do ano passado, com o drinque Lady Laura. “A cachaça entrou nesse mercado há pouco tempo”, afirma o barman.

Muito conhecidas, as balinhas de pinga são fáceis de fazer em casa. “Gosto de usar essa bebida para fazer doces, como balas, biscoito e bolo”, diz a culinarista Neusa Barberini. Outra culinarista, Sônia Maneliskhi, prefere utilizá-la nas massas. “A pinga deixa a massa mais sequinha”, explica. Nas carnes, sem alterar o sabor, a cachaça funciona como amaciante. Outro uso muito comum é a flambagem.

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