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Internacional Socialista vai à conferência da 3ª Via


Do Diário do Grande ABC

20/11/1999 | 14:54


A conferência "Progressive Governance for the 21st Century" começa neste domingo (21) com a confirmaçao da notícia de que o primeiro-ministro de Portugal, Antônio Guterres, eleito no dia 9 presidente da Internacional Socialista, participará do encontro. Guterres nao constava da lista oficial de chefes de governos convidados, mas o seu nome foi incluído na última hora.

O encontro que discutirá a chamada Terceira Via - uma alternativa política ao neoliberalismo e à social-democracia tradicional - iria acontecer sem a presença do representante do órgao máximo dos partidos social-democratas no mundo.

Quatro outros primeiros-ministros europeus convidados (da Inglaterra, da França, da Alemanha e da Itália) também sao de partidos social-democratas ou trabalhistas. Chegaram a circular versoes de que Guterres tinha sido preterido em favor do presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, por pressao direta do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e do primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair.

Os dois realmente trabalharam em prol da participaçao de Fernando Henrique no encontro, principalmente Clinton. Mas é muito improvável que a presença do brasileiro tenha sido arquitetada apenas com o objetivo de excluir o primeiro-ministro português.

Outra versao dá conta de que o presidente dos Estados Unidos nao queria que a conferência ganhasse a conotaçao de um encontro de representantes da social-democracia para discutir questoes relacionadas com essa corrente partidária e os seus problemas na Europa. E que gostaria que os nomes dos participantes fossem escolhidos entre aqueles chefes de governo que poderiam acrescentar substância ao debate teórico.

O presidente brasileiro foi o único líder de um país emergente convidado, mas ele próprio negou que tenha sido escolhido como representante da América Latina. "Foi um convite em caráter quase pessoal", disse Fernando Henrique ao desembarcar na Itália, na quarta-feira. "O convidado nao foi o presidente do Brasil."

O mais provável é que o nome do presidente da Internacional Socialista tenha sido incluído na conferência depois da eleiçao de Antônio Guterres para o cargo. Ele é considerado de linha mais moderada e conciliadora do que a de Pierre Mauroy, ex-primeiro-ministro da França e antecessor do primeiro ministro português na presidência da Internacional.

Sua proposta é tornar a IS menos ortodoxa e menos ideológica. Ele quer incluir na organizaçao partidos como o PSDB de Fernando Henrique Cardoso e o Democrata de Bill Clinton. Atualmente, o PDT de Leonel Brizola, que faz oposiçao sistemática ao governo de Fernando Henrique, é o partido brasileiro que integra a Internacional Socialista.

Trem - Cerca de 400 pessoas participarao da conferência "Progressive Governance for the 21st Century", que discutirá formas de "governo progressista" para o Século 21. "Será uma reuniao de pessoas preocupadas com um modo de governar que atenda melhor à eqüidade, que mantenha a democracia e que permita o desenvolvimento", sintetizou Fernando Henrique.

O presidente brasileiro viajou neste sábado, às 10h30, de trem, de Roma para Florença, acompanhado de sua comitiva. Durante o trajeto, de cerca de 200 quilômetros, o trem foi seguido por um helicóptero da polícia que faz a segurança de chefes de Estado na Itália.

Fernando Henrique almoçou com o primeiro-ministro italiano, Mássimo Dàlema, e teve um encontro com o primeiro-ministro da Fança, Lionel Jospin. O encontro "Progressive Governance", que foi organizado pelo Instituto Europeu e pela Universidade de Nova York, começou sexta-feira (19) à noite com um jantar em homenagem aos chefes de Estado presentes.

O presidente do Conselho Europeu, Romano Prodi, fez um discurso sobre a nova economia e a nova política da Uniao Européia. A primeira-dama dos Estados Unidos, Hilary Clinton, que provavelmente concorrerá ao Senado dos Estados Unidos, recebeu um título conferido pelo Instituto Europeu.

Neste domingo (21), os chefes de Estado terao uma reuniao de trabalho no salao Século XIII do Palácio Vecchio. A proposta é que eles discutam as experiências de seus países, que troquem informaçoes sobre as dificuldades enfrentadas e os caminhos escolhidos. Na parte da tarde está previsto que os chefes de Estado respondam perguntas a serem feitas por cientistas, acadêmicos e políticos que foram convidados.

Entre os políticos brasileiros, o presidente Fernando Henrique Cardoso convidou os deputados Paulo Delgado (PT-MG) e Roberto Brandt (PFL-MG) e os senadores Lúcio Alcântara (PSDB-CE) e José Fogaça (PMDB-RS). Na área acadêmica, Fernando Henrique escolheu o economista Antônio Barros de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e o sociólogo Vilmar Faria, que é seu assessor direto.

Como representante de organizaçoes nao-governamentais (ONGs), ele convidou Dulce Pereira, da Fundaçao Palmares. Integram ainda a comitiva presidencial os ex-ministros da Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Celso Lafer.



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