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O que muda na ortografia (5)


professor Pasquale Cipro Neto

26/04/2009 | 07:03


Vamos encerrar de vez nossa conversa sobre a reforma ortográfica. Precisamos ver algumas aberrações da reforma. Sim, aberrações, coisas absurdas, sem nexo, sem pé nem cabeça. Uma delas diz respeito ao hífen em casos como o de mula sem cabeça, pé de moleque, dia a dia etc.

Antes da reforma, escreviam-se deste modo estas palavras compostas, entre outras: mula-sem-cabeça (figura do nosso folclore), pé-de-moleque (doce feito com amendoim) e dia-a-dia (quando sinônimo de rotina, o correr dos dias, cotidiano).

A reforma eliminou o hífen dessas ex-palavras compostas. Agora, não há mais hífen nesses casos, ou seja, escreve-se tudo isso separadamente, qualquer que seja o sentido. Para se falar do pé de um moleque (de uma criança), por exemplo, ou do doce feito com amendoim, escreve-se pé de moleque.

E onde está a aberração nesse caso? Está no que diz o texto oficial: lá se informa que não se emprega o hífen nesses casos, exceto em "algumas exceções já consagradas pelo uso". Sabe quais são essas exceções? Anote aí: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito (quando nome de tempo verbal), pé-de-meia (quando sinônimo de poupança, dinheiro guardado para o futuro), ao deus-dará e à queima-roupa. Não me pergunte por que os idealizadores da reforma consideram esses os casos "consagrados pelo uso". Eu não saberia responder. Nem eles.

Outro absurdo se dá no emprego do hífen com o prefixo pré-. O novo Vocabulário Ortográfico traz, por exemplo, prequestionar sem hífen e sem acento no pre-, mas traz pré-qualificar com hífen e com acento no pré-. Qual o motivo disso? Só Deus deve saber!

Vamos a outra aberração: o caso de paraquedas, que, como você acabou de ver, não se escreve mais com hífen, nem com acento agudo no a da sílaba pa. Antes da reforma, escrevia-se pára-quedas. Também perderam o hífen e o acento as formas paraquedismo e paraquedista. Até aí, tudo mais ou menos, até que se descobre que o hífen só caiu nesses casos de palavras compostas formadas com a forma verbal para. Sim, a reforma eliminou o hífen de paraquedas, mas o manteve em para-choque, para-brisa, para-raios... Não dá para levar a sério isso, dá? Paciência. É só o que se pode pedir. No próximo domingo, a gente volta. Até lá.



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O que muda na ortografia (5)

professor Pasquale Cipro Neto

26/04/2009 | 07:03


Vamos encerrar de vez nossa conversa sobre a reforma ortográfica. Precisamos ver algumas aberrações da reforma. Sim, aberrações, coisas absurdas, sem nexo, sem pé nem cabeça. Uma delas diz respeito ao hífen em casos como o de mula sem cabeça, pé de moleque, dia a dia etc.

Antes da reforma, escreviam-se deste modo estas palavras compostas, entre outras: mula-sem-cabeça (figura do nosso folclore), pé-de-moleque (doce feito com amendoim) e dia-a-dia (quando sinônimo de rotina, o correr dos dias, cotidiano).

A reforma eliminou o hífen dessas ex-palavras compostas. Agora, não há mais hífen nesses casos, ou seja, escreve-se tudo isso separadamente, qualquer que seja o sentido. Para se falar do pé de um moleque (de uma criança), por exemplo, ou do doce feito com amendoim, escreve-se pé de moleque.

E onde está a aberração nesse caso? Está no que diz o texto oficial: lá se informa que não se emprega o hífen nesses casos, exceto em "algumas exceções já consagradas pelo uso". Sabe quais são essas exceções? Anote aí: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito (quando nome de tempo verbal), pé-de-meia (quando sinônimo de poupança, dinheiro guardado para o futuro), ao deus-dará e à queima-roupa. Não me pergunte por que os idealizadores da reforma consideram esses os casos "consagrados pelo uso". Eu não saberia responder. Nem eles.

Outro absurdo se dá no emprego do hífen com o prefixo pré-. O novo Vocabulário Ortográfico traz, por exemplo, prequestionar sem hífen e sem acento no pre-, mas traz pré-qualificar com hífen e com acento no pré-. Qual o motivo disso? Só Deus deve saber!

Vamos a outra aberração: o caso de paraquedas, que, como você acabou de ver, não se escreve mais com hífen, nem com acento agudo no a da sílaba pa. Antes da reforma, escrevia-se pára-quedas. Também perderam o hífen e o acento as formas paraquedismo e paraquedista. Até aí, tudo mais ou menos, até que se descobre que o hífen só caiu nesses casos de palavras compostas formadas com a forma verbal para. Sim, a reforma eliminou o hífen de paraquedas, mas o manteve em para-choque, para-brisa, para-raios... Não dá para levar a sério isso, dá? Paciência. É só o que se pode pedir. No próximo domingo, a gente volta. Até lá.

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