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Sérvios estupram mulheres como arma de guerra, diz médica


Do Diário do Grande ABC

22/04/1999 | 10:00


O estupro sistemático das mulheres de Kosovo por parte das forças sérvias é uma arma de guerra poderosa, pois atinge uma sociedade tradicional onde o estupro é "um tabu fortíssimo", estima a Dra. Helen Bamber, da Fundaçao Médica para as Vítimas da Tortura.

A Dra. Bamber, que acaba de regressar de um congresso de associaçoes médicos e psico-sociais da Macedônia, Croácia e o resto da regiao, realizado na Austria, preparou a coordenaçao da assistência aos refugiados e, principalmente, às mulheres estupradas. Trata-se de uma questao que a associaçao com sede em Londres conhece muito bem, já que, desde 1985, tem tratado de centenas de casos de estupro particularmente violentos, em inúmeros países em guerra, como Uganda. "O estupro sempre foi uma arma de guerra, apesar de nao ser algo ao qual se dê destaque'', estimou a especialista, recordando que ``o estupro de mulheres é o ataque a toda uma sociedade". "É uma arma poderosa porque nao destrói apenas uma mulher e sua perspectivas de vida no futuro - marido, filhos - como também a família e sua comunidade, assim como todo o sistema de crenças religiosas e culturais de um grupo", explica a dra. Bamber.

Os estupros em Kosovo, onde a Organizaçao para a Segurança e Cooperaçao na Europa denunciou um aumento dos testemunhos de casos, "sao uma forma muito brutal de dizer 'temos o poder total, destruímos suas mulheres e combatemos o futuro de todo seu grupo étnico'", acrescenta Bamber.

Estes estupros também sao cometidos na presença de outros membros da família para causar maior impacto, diz ainda. "A longo prazo, isto é particularmente destrutivo porque é muito mais difícil fazer o trabalho de luto. Isto é possível no caso dos mortos, mas como fazer com o luto de uma filha ou uma neta que foi estuprada?", indaga a psicoterapeuta.

A procuradora do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, Louise Arbour, inicou uma investigaçao sobre as denúncias de estupro, às vezes precedidas de seqüestro de mulheres em suas aldeias ou nas estradas por sérvios armados.

Por sua parte, o Pentágono citou denúncias sobre um acampamento de treinamento do exército sérvio, perto de Djakovica, onde as mulheres foram reunidas e estupradas pelos soldados. Cerca de vinte vítimas de estupro foram assassinadas, segundo o informe.



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