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Grande ABC ganha 10.015 aposentados no período de um ano

Divulgação  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Crise econômica no setor automotivo e mudanças nas
regras da Previdência estimulam pedidos de benefício


Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

13/12/2014 | 07:09


O número de aposentados ativos nas agências do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) do Grande ABC aumentou em 10.015 segurados em um ano. Em novembro de 2013, informou o órgão federal, a lista mantinha 283.687 desses beneficiários. No mês passado, eram 293.702.

Para o diretor de políticas sociais da Associação dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas do Grande ABC, Luís Antonio Ferreira, esse incremento no saldo é devido ao cenário econômico, principalmente o do setor automotivo, em desaceleração.

“É muito preocupante, porque esse aumento é resultado do que está acontecendo com as montadoras. É a primeira saída para quem está nessas empresas. Eles pensam que é melhor se aposentar, quando já estão em condições disso (mas poderiam contribuir por mais tempo e conseguir benefício maior), e preferem aderir aos PDVs (Programas de Demissões Voluntárias), do que serem cortados e enfrentar mercado de trabalho restritivo, no qual quem passou dos 40 anos não será mais empregado”, analisou Ferreira.

O representante da categoria observou ainda que o medo de que as regras da Previdência Social mudem ainda mais também estimulou a alta no número de aposentados. “Todas as mudanças têm apenas piorado a situação de quem vai se aposentar.” Cabe ainda destacar que as aposentadorias após o dia 1º de dezembro já são calculadas com o fator previdenciário considerando a nova expectativa de vida do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). “Todo ano eles dizem que o brasileiro vive mais e, como consequência, o benefício fica cada vez menor”, criticou.

Não é possível saber ao certo quantas pessoas se aposentaram nos períodos em comparação e quantas morreram e deixaram de ganhar o benefício. Mas, de qualquer maneira, o saldo de aumento de 10.015 é preocupante do ponto de vista econômico para as famílias afetadas. “A aposentadoria hoje em dia não é suficiente para se sustentar”, observou o coordenador da Escola Metodista de Educação Corporativa, Rafael Chiuzi.

Essa piora econômica é ilustrada pelos dados da Pesquisa Socioeconômica do Inpes (Instituto de Pesquisas) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), revelou o gestor do Inpes, Leandro Prearo. A renda média do trabalhador formal na região é de R$ 2.517. Já do aposentado, R$ 1.801 – R$ 716 a menos. Em resumo, se aposentar significa perder poder de compra e, consequentemente, qualidade de vida.

“A situação é terrível. Se nós (da associação) falarmos para um trabalhador que é interessante ele aceitar um pacote (PDV) e se aposentar e ele faz, pode ser bom, mas depois ele vê que não valeu a pena. E se falarmos para ele não pedir a aposentadoria e a coisa piorar (regras da Previdência mudarem) lá na frente, aí demos um palpite terrível”, disse Ferreira.

Chiuzi avalia, no entanto, que a aceitação do mercado de trabalho restritiva está muito mais na memória das pessoas do que na realidade. “Nosso mercado de trabalho anda muito mais poroso. Se você pegar um cara de 60 anos hoje, até fisicamente, ele está em melhores condições do que uma pessoa com essa idade há anos atrás. Tivemos uma mudança social significativa. O mercado de trabalho acompanha isso.”


Número de pensionistas sobe 2.099, mas tendência é de diminuição

A região teve acréscimo de 2.099 pensionistas entre novembro de 2013 e o mês passado, saltando de 111.407 detentores de pensões para 113.506. Os dados são do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Mas a tendência é de queda, já que o governo federal pretende mudar as regras da Previdência.

Esses benefícios previdenciários quase foram reformados no fim de 2012, mas por uma decisão política da presidente Dilma Rousseff (PT) a ideia foi para a gaveta. Os planos são de aumentar o rigor na concessão das pensões por morte, exigindo número maior de meses de contribuição ao INSS para que o segurado possa transferir ao cônjuge a pensão por morte. 



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Grande ABC ganha 10.015 aposentados no período de um ano

Crise econômica no setor automotivo e mudanças nas
regras da Previdência estimulam pedidos de benefício

Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

13/12/2014 | 07:09


O número de aposentados ativos nas agências do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) do Grande ABC aumentou em 10.015 segurados em um ano. Em novembro de 2013, informou o órgão federal, a lista mantinha 283.687 desses beneficiários. No mês passado, eram 293.702.

Para o diretor de políticas sociais da Associação dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas do Grande ABC, Luís Antonio Ferreira, esse incremento no saldo é devido ao cenário econômico, principalmente o do setor automotivo, em desaceleração.

“É muito preocupante, porque esse aumento é resultado do que está acontecendo com as montadoras. É a primeira saída para quem está nessas empresas. Eles pensam que é melhor se aposentar, quando já estão em condições disso (mas poderiam contribuir por mais tempo e conseguir benefício maior), e preferem aderir aos PDVs (Programas de Demissões Voluntárias), do que serem cortados e enfrentar mercado de trabalho restritivo, no qual quem passou dos 40 anos não será mais empregado”, analisou Ferreira.

O representante da categoria observou ainda que o medo de que as regras da Previdência Social mudem ainda mais também estimulou a alta no número de aposentados. “Todas as mudanças têm apenas piorado a situação de quem vai se aposentar.” Cabe ainda destacar que as aposentadorias após o dia 1º de dezembro já são calculadas com o fator previdenciário considerando a nova expectativa de vida do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). “Todo ano eles dizem que o brasileiro vive mais e, como consequência, o benefício fica cada vez menor”, criticou.

Não é possível saber ao certo quantas pessoas se aposentaram nos períodos em comparação e quantas morreram e deixaram de ganhar o benefício. Mas, de qualquer maneira, o saldo de aumento de 10.015 é preocupante do ponto de vista econômico para as famílias afetadas. “A aposentadoria hoje em dia não é suficiente para se sustentar”, observou o coordenador da Escola Metodista de Educação Corporativa, Rafael Chiuzi.

Essa piora econômica é ilustrada pelos dados da Pesquisa Socioeconômica do Inpes (Instituto de Pesquisas) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), revelou o gestor do Inpes, Leandro Prearo. A renda média do trabalhador formal na região é de R$ 2.517. Já do aposentado, R$ 1.801 – R$ 716 a menos. Em resumo, se aposentar significa perder poder de compra e, consequentemente, qualidade de vida.

“A situação é terrível. Se nós (da associação) falarmos para um trabalhador que é interessante ele aceitar um pacote (PDV) e se aposentar e ele faz, pode ser bom, mas depois ele vê que não valeu a pena. E se falarmos para ele não pedir a aposentadoria e a coisa piorar (regras da Previdência mudarem) lá na frente, aí demos um palpite terrível”, disse Ferreira.

Chiuzi avalia, no entanto, que a aceitação do mercado de trabalho restritiva está muito mais na memória das pessoas do que na realidade. “Nosso mercado de trabalho anda muito mais poroso. Se você pegar um cara de 60 anos hoje, até fisicamente, ele está em melhores condições do que uma pessoa com essa idade há anos atrás. Tivemos uma mudança social significativa. O mercado de trabalho acompanha isso.”


Número de pensionistas sobe 2.099, mas tendência é de diminuição

A região teve acréscimo de 2.099 pensionistas entre novembro de 2013 e o mês passado, saltando de 111.407 detentores de pensões para 113.506. Os dados são do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Mas a tendência é de queda, já que o governo federal pretende mudar as regras da Previdência.

Esses benefícios previdenciários quase foram reformados no fim de 2012, mas por uma decisão política da presidente Dilma Rousseff (PT) a ideia foi para a gaveta. Os planos são de aumentar o rigor na concessão das pensões por morte, exigindo número maior de meses de contribuição ao INSS para que o segurado possa transferir ao cônjuge a pensão por morte. 

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