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Lula chega do exterior para apagar incêndios
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04/12/2002 | 00:17
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O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, desembarca nesta quarta-feira no Brasil com a lista de seu primeiro escalão praticamente concluída, mas terá de ocupar grande parte do dia para apagar incêndios dentro de seu próprio partido antes de anunciar qualquer nome. À tarde, ele conversará com o "núcleo central do PT", conforme definição de um de seus assessores, com o objetivo de aparar as arestas abertas por causa da ocupação de cargos e, só depois disso, oficializará alguns integrantes do seu ministério.

O principal obstáculo, no momento, é a indefinição em relação ao futuro de algumas peças-chave do PT, como é o caso do deputado José Genoino (PT-SP). Outro fato que deverá impossibilitar o anúncio completo do primeiro escalão do próximo governo ainda nesta semana é que Lula ainda não conversou, nem obteve respostas, de todos os ministeriáveis. O advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos, por exemplo, já teria sido sondado mais de uma vez por Lula para ocupar a Pasta da Justiça.

Chile – No esforço de fortalecer o Mercosul, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta terça-feira que conhece as dificuldades que impedem a integração do Chile ao bloco comercial, mas propôs que sejam encontradas soluções para resolver especialmente as diferenças das tarifas aduaneiras. Lula, no entanto, foi muito vago em seu pronunciamento e falou apenas em "soluções, ainda que provisórias" e em "múltiplas medidas compensatórias". Não especificou quais mecanismos poderiam levar os chilenos a participar integralmente do bloco. A grande diferença é que a tarifa de importação do Chile é de 6%, enquanto a Tarifa Externa Comum do Mercosul varia de 13% a 15%. "Temos respeito pelas posições chilenas", disse Lula em seu discurso. Mas ressalvou: "Este não é o momento de discutir aspectos técnicos."

Para o Chile, o comércio exterior representa 60% do PIB de US$ 68 bilhões. O país tem feito uma série de acordos bilaterais com blocos e países de várias partes do mundo e no momento tenta superar dificuldades para fechar um acordo com os Estados Unidos.

O discurso do presidente Ricardo Lagos, que precisa, por outro lado, de uma boa relação com os países vizinhos, é de que o Mercosul não deve ser apenas um acordo aduaneiro, mas também uma união política para tratar de assuntos como macroeconomia, câmbio e a integração dos países sul-americanos. Lagos deixou claro que não há possibilidade de uma integração aduaneira, mas disse estar disposto a unir-se ao Mercosul nos outros pontos de integração do bloco comercial.

Lagos fez o convite para Lula visitar o Chile interessado em demonstrar afinidade política com o presidente eleito, que tem como prioridade nas relações exteriores assegurar um novo rumo para o Mercosul. "Estou certo de que, com a liderança do presidente Lula, a América Latina será uma zona melhor para todos", disse o presidente chileno. Depois de almoçar com Lagos no palácio La Moneda, Lula visitou a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) das Nações Unidas.




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