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Intérprete visceral

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Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

19/12/2011 | 07:08


Era 1987, quando, mais atentamente, Ney Matogrosso começou a olhar para trás e para o lado em busca da direção que o levaria ao futuro. Foi em 'Pescador de Pérolas', sem máscara nem fantasia, que o intérprete provou pela primeira vez - a todos e a si mesmo - que mais que um showman, ele era um músico no palco. Sua voz virou seu principal instrumento. E foi ela que moldou o que viria a seguir.

Fina nata que está disponível na caixa 'Metamorfoses' (Universal Music, R$ 300 em média). São 14 discos que compreendem o período de 1993 até o presente ano, além de coletânea e disco duplo, bônus, com tesouros que ficaram de fora dos lançamentos, a maioria com participação especial.

A partir de 'Pescador', também o repertório do cantor ganhou apuro. Entre pérolas como 'O Mundo é Um Moinho', 'Tristeza do Jeca' e 'Aquarela do Brasil', Ney abriu espaço para ir além - o que fez ao lado do violonista Raphael Rabello em 'À Flor da Pele' (1991), no qual cantou, entre mais pepitas, 'Modinha', 'No Rancho Fundo' e 'Três Apitos'.

'As Aparências Enganam', de 1993, o primeiro disco do box, já dá a dimensão da mudança. Ao lado do recém-formado conjunto instrumental Aquarela Carioca, ele explorou, com base em refinado e popular som, clássico repertório mais jovial que os de suas últimas incursões.

'A Tua Presença Morena' (Caetano Veloso), 'Pavão Mysteriozo' (Ednardo) e 'Vendedor de Bananas' (Jorge Ben Jor) estavam entre as músicas selecionadas. A seguir, o intérprete se rendeu aos tributos. O primeiro, 'Estava Escrito', no qual cantava somente canções de Ângela Maria, saiu em 1995; o segundo, 'Um Brasileiro', reverenciando Chico Buarque, é do ano seguinte. Em 1997, 'O Cair da Tarde' trazia repertório de Tom Jobim e Heitor Villa-Lobos.

A única derrapada é o disco com músicas de Chico. As harmonias soam engessadas e comprometem o resultado final. Com Ângela, Jobim e Villa-Lobos, Ney não só lhes deu a reverência exata como os explorou em nuances e texturas nunca antes testadas. Clássicos da Sapoti como 'Fósforo Queimado', 'Saia do Caminho',
'Escuta' e 'Orgulho' viajaram além do período de ouro do rádio e ganharam sofisticação atemporal.

A partir de 1998, com 'Olhos de Farol', o cantor, lançando jovens compositores desconhecidos, brindou o novo e o velho em sua carreira. Fez álbum com repertório da década de 1930 e 1940, principalmente de Carmen Miranda ('Batuque', 2001), trouxe à mídia o competentíssimo e jovem time carioca Pedro Luís e A Parede, interpretou Cartola e fez mescla de tempos, sucessos e ineditismos em seus três últimos projetos: 'Canto Em Qualquer Canto' (2005),

'Inclassificáveis' (2008) e 'Beijo Bandido' (2009), trazem, cada obra, uma assinatura musical diferente.
O primeiro, feito a quatro violões e voz, o próximo, roqueiro e visceral, enquanto o último tem acento camerístico e sofisticado. Nestes, passeiam pela voz de Ney obras de artistas como Cazuza, Vinicius de Moraes, Piazzolla, Adriana Calcanhotto, Evaldo Gouveia e Jair Amorim, Dan Nagakawa e Gilberto Gil.

O próximo projeto do cantor é aproximar malditos e jovens, dando voz a compositores como Jards Macalé, Itamar Assumpção e Tom Zé, e a indies como a banda Tono.



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