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Psicofobia é
desafio para médicos

Divulgação  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Especialistas falam do preconceito contra portadores
de transtornos; rejeição atrasa e dificulta o tratamento


Fabio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

03/11/2014 | 07:00


 Além de lidar com o sofrimento causado por doenças psiquiátricas, portadores desse tipo de transtorno têm outro problema a ser enfrentado: o preconceito. Chamada de psicofobia por especialistas, a discriminação contra esses pacientes atrasa a procura por ajuda médica e dificulta a progressão do tratamento.

 A síndrome do pânico e a depressão estão entre as doenças cujos portadores frequentemente são vítimas de atos de rejeição. “As pessoas têm medo de dizer que têm um problema desse tipo. Isso porque muitos consideram essas situações como preguiça ou desinteresse”, explica o presidente da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), Antônio Geraldo da Silva.

 Por falta de informação, é comum que o preconceito surja dentro de casa, justamente por quem deveria apoiar o familiar que passa por esse momento. “Cerca de 21% da população mundial têm algum tipo de transtorno mental, mas muitas famílias acham que é besteira, e, por isso, o tratamento é negligenciado”, comenta o psiquiatra.

 A psicóloga Tânia Elena Bonfim, professora do curso de Psicologia da Universidade Metodista de São Paulo, acrescenta que a psicofobia também é vivenciada por dependentes químicos. “É ainda pior, levando em consideração toda a contravenção que rodeia este tema.”

 A professora salienta que é comum o próprio paciente ter rejeição ao tratamento psiquátrico e, com isso, atrasar a procura. “O paciente fica muito assustado quando precisa ser consultado por um psiquiatra, pois ainda pode ser visto como um médico para ‘louco’. Pior ainda é quando há necessidade do uso de medicamento controlado. Mesmo assim, isso tem diminuído ao longo do tempo”, reconhece Tânia.

 A demora no início das terapias medicamentosas e comportamentais pode minimizar as chances de melhora significativa. “Quando a depressão não é tratada adequadamente, há a cronificação do quadro”, alerta o presidente da ABP.

 Quando as doenças psiquiátrica são negligenciadas, há aumento no risco de problemas ainda mais graves, como o suicídio. “Aproximadamente 97% das pessoas que se suicidam, o fazem em decorrência de transtorno mental, sendo a depressão a maioria delas”, adverte Silva. Os números referentes ao ato de tirar a própria vida são impressionantes, conforme o especialista: no Brasil, são registrados cerca de 11 mil suicídios por ano. No mundo, é quase um milhão de suicídios anuais, segundo a Organização Mundial de Saúde. Isso é mais do que é contabilizado em uma guerra”, compara. 

LEGISLAÇÃO

 Em 2012, o senador Paulo Davim (PV-RN) apresentou proposta de emenda ao Código Penal que trata a psicofobia como crime. Para tanto, ela seria incluída no mesmo capítulo que trata das discriminações raciais, sexuais e de gênero, com pena prevista de dois a quatro anos de reclusão. O texto ainda não foi votado.

 “A despeito de suas consequências nefastas, a psicofobia faz-se presente com extrema frequência no Brasil. As atitudes psicofóbicas estão de tal forma entranhadas na sociedade que, muitas vezes, sequer nos damos conta de sua ocorrência”, afirmou o senador, em sua justificativa do projeto.

‘Fui estigmatizada’, diz cantora Marina Lima

Estrela da MPB e conhecida pela voz forte, a cantora e compositora Marina Lima já sofreu com a depressão, assim como outras milhões de pessoas no Brasil. Apesar da fama e do sucesso, a artista também teve de enfrentar o preconceito. “Há 20 anos, uma mulher com depressão era o auge da frescura. Eu sofri preconceito e fui estigmatizada”, disse Marina em depoimento dado na 32ª edição do Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado no mês passado em Brasília pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

 Por estar cercada de holofotes, a cantora teve ainda mais dificuldades para buscar soluções. “Tive isso no auge da minha carreira, e a exposição se tornou uma pressão. Não pude viver isso de forma discreta. O problema do sucesso é que você fica sempre exposto e a população sempre busca em um ídolo a perfeição. Talvez os artistas tenham dificuldade em quebrar essa barreira.”

 Em 1999, Marina Lima posou para a revista Playboy. Segundo ela, a decisão por aceitar participar de um ensaio sensual se deu após orientação de seu psiquiatra. “Mostrar minha feminilidade me fez sentir viva e isso foi muito bom para mim”, admitiu.

 A artista, que já lançou 19 álbuns ao longo de sua carreira, considera que os homens têm ainda mais dificuldade para lidar com a depressão. “Os homens, principalmente os de origem mais pobre, têm vergonha de se sentirem frágeis e deprimidos. Mas essas pessoas querem e precisam ser ouvidas.”



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Psicofobia é
desafio para médicos

Especialistas falam do preconceito contra portadores
de transtornos; rejeição atrasa e dificulta o tratamento

Fabio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

03/11/2014 | 07:00


 Além de lidar com o sofrimento causado por doenças psiquiátricas, portadores desse tipo de transtorno têm outro problema a ser enfrentado: o preconceito. Chamada de psicofobia por especialistas, a discriminação contra esses pacientes atrasa a procura por ajuda médica e dificulta a progressão do tratamento.

 A síndrome do pânico e a depressão estão entre as doenças cujos portadores frequentemente são vítimas de atos de rejeição. “As pessoas têm medo de dizer que têm um problema desse tipo. Isso porque muitos consideram essas situações como preguiça ou desinteresse”, explica o presidente da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), Antônio Geraldo da Silva.

 Por falta de informação, é comum que o preconceito surja dentro de casa, justamente por quem deveria apoiar o familiar que passa por esse momento. “Cerca de 21% da população mundial têm algum tipo de transtorno mental, mas muitas famílias acham que é besteira, e, por isso, o tratamento é negligenciado”, comenta o psiquiatra.

 A psicóloga Tânia Elena Bonfim, professora do curso de Psicologia da Universidade Metodista de São Paulo, acrescenta que a psicofobia também é vivenciada por dependentes químicos. “É ainda pior, levando em consideração toda a contravenção que rodeia este tema.”

 A professora salienta que é comum o próprio paciente ter rejeição ao tratamento psiquátrico e, com isso, atrasar a procura. “O paciente fica muito assustado quando precisa ser consultado por um psiquiatra, pois ainda pode ser visto como um médico para ‘louco’. Pior ainda é quando há necessidade do uso de medicamento controlado. Mesmo assim, isso tem diminuído ao longo do tempo”, reconhece Tânia.

 A demora no início das terapias medicamentosas e comportamentais pode minimizar as chances de melhora significativa. “Quando a depressão não é tratada adequadamente, há a cronificação do quadro”, alerta o presidente da ABP.

 Quando as doenças psiquiátrica são negligenciadas, há aumento no risco de problemas ainda mais graves, como o suicídio. “Aproximadamente 97% das pessoas que se suicidam, o fazem em decorrência de transtorno mental, sendo a depressão a maioria delas”, adverte Silva. Os números referentes ao ato de tirar a própria vida são impressionantes, conforme o especialista: no Brasil, são registrados cerca de 11 mil suicídios por ano. No mundo, é quase um milhão de suicídios anuais, segundo a Organização Mundial de Saúde. Isso é mais do que é contabilizado em uma guerra”, compara. 

LEGISLAÇÃO

 Em 2012, o senador Paulo Davim (PV-RN) apresentou proposta de emenda ao Código Penal que trata a psicofobia como crime. Para tanto, ela seria incluída no mesmo capítulo que trata das discriminações raciais, sexuais e de gênero, com pena prevista de dois a quatro anos de reclusão. O texto ainda não foi votado.

 “A despeito de suas consequências nefastas, a psicofobia faz-se presente com extrema frequência no Brasil. As atitudes psicofóbicas estão de tal forma entranhadas na sociedade que, muitas vezes, sequer nos damos conta de sua ocorrência”, afirmou o senador, em sua justificativa do projeto.

‘Fui estigmatizada’, diz cantora Marina Lima

Estrela da MPB e conhecida pela voz forte, a cantora e compositora Marina Lima já sofreu com a depressão, assim como outras milhões de pessoas no Brasil. Apesar da fama e do sucesso, a artista também teve de enfrentar o preconceito. “Há 20 anos, uma mulher com depressão era o auge da frescura. Eu sofri preconceito e fui estigmatizada”, disse Marina em depoimento dado na 32ª edição do Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado no mês passado em Brasília pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

 Por estar cercada de holofotes, a cantora teve ainda mais dificuldades para buscar soluções. “Tive isso no auge da minha carreira, e a exposição se tornou uma pressão. Não pude viver isso de forma discreta. O problema do sucesso é que você fica sempre exposto e a população sempre busca em um ídolo a perfeição. Talvez os artistas tenham dificuldade em quebrar essa barreira.”

 Em 1999, Marina Lima posou para a revista Playboy. Segundo ela, a decisão por aceitar participar de um ensaio sensual se deu após orientação de seu psiquiatra. “Mostrar minha feminilidade me fez sentir viva e isso foi muito bom para mim”, admitiu.

 A artista, que já lançou 19 álbuns ao longo de sua carreira, considera que os homens têm ainda mais dificuldade para lidar com a depressão. “Os homens, principalmente os de origem mais pobre, têm vergonha de se sentirem frágeis e deprimidos. Mas essas pessoas querem e precisam ser ouvidas.”

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