Fechar
Publicidade

Sexta-Feira, 5 de Junho

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

soraiapedrozo@dgabc.com.br | 4435-8057

Exportações do ABC
têm queda de 19,8%

Ari Paleta/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Um dos principais fatores é a crise na Argentina,
que representa quase 40% das vendas externas


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

23/10/2014 | 07:07


Com o impacto da crise na Argentina, principal destino dos produtos do Grande ABC vendidos ao Exterior, as exportações dos sete municípios se reduziram 19,8%, de janeiro a setembro, na comparação com mesmo período de 2013. Neste ano até o mês passado, as empresas da região obtiveram US$ 4,06 bilhões com encomendas a outros países, contra US$ 5,06 bilhões nos nove primeiros meses do ano passado. Os dados, do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior, mostram que o ritmo de queda nas vendas externas é praticamente o mesmo observado até agosto e, segundo analistas, não há perspectiva de melhora no curto prazo para os exportadores. “O cenário externo está difícil, com tendência a piorar”, afirma o presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro.

Um dos principais problemas é a Argentina, que responde atualmente por 38% da receita obtida com exportações dos sete municípios. No mesmo período de 2013, essa fatia estava em 45%. A questão é que o governo da presidente Cristina Kirchner não consegue crédito no mercado internacional para liberar dólares aos importadores daquele país, e segue travando a entrada de produtos manufaturados, sobretudo veículos.

No caso de São Bernardo, onde os automóveis, ônibus e caminhões lideram a pauta de exportação, as encomendas para nossos hermanos recuaram 28% neste ano até setembro. Como exemplo, a Mercedes-Benz, que envia para lá 90% do que exporta registra queda de 50% nas encomendas externas. Em São Caetano (sede da General Motors do Brasil), as encomendas para a Argentina caíram 54% até o mês passado. Recentemente, a montadora está priorizando as vendas de autopeças de reposição para esse país, por causa das dificuldades de comércio com o país vizinho.

A situação segue difícil também em outros mercados. “A economia mundial ainda está em crise. Não para desconsiderar que o quadro de 2008 ainda não terminou”, afirma o professor de Economia do IMT (Instituto Mauá de Tecnologia) Francisco Funcia.

Castro cita ainda que alternativas, como o mercado venezuelano, também estão tendo dificuldades. “Cerca de 96% da receita de exportação da Venezuela é do petróleo e, com a queda da cotação, vai ter de cortar suas importações”, diz.


Brasil demorou a buscar acordos com outros países, diz AEB

As montadoras, por meio da Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores), estão trabalhando junto com o governo federal em agenda de negociações com outros países, como Colômbia e Equador, com o objetivo de expandir as exportações de carros e peças. Isso pode dar resultado, mas já deveria ter sido buscado há muito tempo, avalia o presidente da AEB, José Augusto de Castro. “Por que só agora?”, questiona.

Para ele, o País necessita de outros acordos automotivos, para reduzir a dependência do mercado argentino. O país vizinho representa cerca de 80% do total de carros brasileiros vendidos ao Exterior, O vice-diretor da regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São Caetano, William Pesinato, concorda. “O Brasil deveria ter feito há alguns anos acordo com o grupo dos países andinos (do qual Colômbia, Equador, Peru e Bolívia fazem parte) e também abriu mão de fazer alianças com Europa e Estados Unidos”.

Além da falta de acordos internacionais, os produtos brasileiros sofrem com a elevada carga tributária, afirma o professor do IMT Francisco Funcia. Para ele, há a necessidade, para a indústria brasileira ficar mais competitiva, que o próximo governo discuta uma reforma tributária para reduzir a carga sobre os bens e serviços, o que exigiria, para compensar, a ampliação da incidência sobre patrimônio e renda.
 



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Exportações do ABC
têm queda de 19,8%

Um dos principais fatores é a crise na Argentina,
que representa quase 40% das vendas externas

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

23/10/2014 | 07:07


Com o impacto da crise na Argentina, principal destino dos produtos do Grande ABC vendidos ao Exterior, as exportações dos sete municípios se reduziram 19,8%, de janeiro a setembro, na comparação com mesmo período de 2013. Neste ano até o mês passado, as empresas da região obtiveram US$ 4,06 bilhões com encomendas a outros países, contra US$ 5,06 bilhões nos nove primeiros meses do ano passado. Os dados, do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior, mostram que o ritmo de queda nas vendas externas é praticamente o mesmo observado até agosto e, segundo analistas, não há perspectiva de melhora no curto prazo para os exportadores. “O cenário externo está difícil, com tendência a piorar”, afirma o presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro.

Um dos principais problemas é a Argentina, que responde atualmente por 38% da receita obtida com exportações dos sete municípios. No mesmo período de 2013, essa fatia estava em 45%. A questão é que o governo da presidente Cristina Kirchner não consegue crédito no mercado internacional para liberar dólares aos importadores daquele país, e segue travando a entrada de produtos manufaturados, sobretudo veículos.

No caso de São Bernardo, onde os automóveis, ônibus e caminhões lideram a pauta de exportação, as encomendas para nossos hermanos recuaram 28% neste ano até setembro. Como exemplo, a Mercedes-Benz, que envia para lá 90% do que exporta registra queda de 50% nas encomendas externas. Em São Caetano (sede da General Motors do Brasil), as encomendas para a Argentina caíram 54% até o mês passado. Recentemente, a montadora está priorizando as vendas de autopeças de reposição para esse país, por causa das dificuldades de comércio com o país vizinho.

A situação segue difícil também em outros mercados. “A economia mundial ainda está em crise. Não para desconsiderar que o quadro de 2008 ainda não terminou”, afirma o professor de Economia do IMT (Instituto Mauá de Tecnologia) Francisco Funcia.

Castro cita ainda que alternativas, como o mercado venezuelano, também estão tendo dificuldades. “Cerca de 96% da receita de exportação da Venezuela é do petróleo e, com a queda da cotação, vai ter de cortar suas importações”, diz.


Brasil demorou a buscar acordos com outros países, diz AEB

As montadoras, por meio da Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores), estão trabalhando junto com o governo federal em agenda de negociações com outros países, como Colômbia e Equador, com o objetivo de expandir as exportações de carros e peças. Isso pode dar resultado, mas já deveria ter sido buscado há muito tempo, avalia o presidente da AEB, José Augusto de Castro. “Por que só agora?”, questiona.

Para ele, o País necessita de outros acordos automotivos, para reduzir a dependência do mercado argentino. O país vizinho representa cerca de 80% do total de carros brasileiros vendidos ao Exterior, O vice-diretor da regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São Caetano, William Pesinato, concorda. “O Brasil deveria ter feito há alguns anos acordo com o grupo dos países andinos (do qual Colômbia, Equador, Peru e Bolívia fazem parte) e também abriu mão de fazer alianças com Europa e Estados Unidos”.

Além da falta de acordos internacionais, os produtos brasileiros sofrem com a elevada carga tributária, afirma o professor do IMT Francisco Funcia. Para ele, há a necessidade, para a indústria brasileira ficar mais competitiva, que o próximo governo discuta uma reforma tributária para reduzir a carga sobre os bens e serviços, o que exigiria, para compensar, a ampliação da incidência sobre patrimônio e renda.
 

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;