Esportes

Mauaense desafia os limites em prova de ironman em Portugal



O mauaense Juan Alves Teixeira, 35 anos, disputa amanhã o Ironman Portugal Cascais, tradicional prova do país europeu, com trecho inclusive dentro do autódromo de Estoril. Ironman é esporte composto por três modalidades, de diferentes distâncias. São 3,8 quilômetros de natação, 180 quilômetros de bicicleta e maratona de 42 quilômetros. Esse é o ápice do ironman. Juan participa do meio-ironman, que tem exatamente a metade de cada percurso.


De acordo com a Confederação Brasileira de Triatlo, a modalidade surgiu em 1974, em San Diego, nos Estados Unidos. Um clube de atletismo enviou aos seus atletas planilha de treinamentos com exercícios de natação e ciclismo para que usassem nas férias. A ‘lição de casa’ consistia em nadar 500 metros, pedalar 12 quilômetros e correr cinco quilômetros. Em outubro de 1977, um oficial da Marinha norte-americana sugeriu prova contendo as três modalidades, praticadas de forma sucessiva e sem intervalos. Quem as concluísse em menor tempo seria conhecido como ‘ironman’, ou ‘homem de ferro.


Surgia o ironman, no qual as modalidades são sempre nessa ordem, com duas transições, da natação para o ciclismo e deste para a corrida. É uma das provas mais difíceis do mundo, que testa o limite dos competidores, obrigando-os à superação. Chegou ao Brasil em 1981, mas a primeira competição oficial ocorreu somente em 1983, no Rio de Janeiro.


Há seis anos praticante, o mauaense Juan, funcionário da Braskem há 18 anos e natural e morador da cidade desde sempre, revela que no primeiro ano levou o esporte na base do ‘oba-oba’, mas que há quatro anos, determinado, aprendeu a ser regrado e viu na mudança a evolução da modalidade em seu dia a dia. Considerava-se magro, mas nenhum pouco preparado. Dedicou-se e, hoje, ansioso, põe à prova, já pela quarta vez, os seus limites. “É distância boa, prova exaustiva, cinco, seis horas de prova.” Antes havia participado no Rio de Janeiro, Florianópolis e São Paulo, na qual fez o seu melhor tempo até hoje, de 4h57min58. Em janeiro deve fazer o quinto, porque, em maio, pretende participar do ironman full, o auge do triatlo. “Já conversei com meu treinador, porque realmente é algo bem desafiador.” Também já fez mais de 100 corridas.


Disposto, Juan treina todos os dias, duas modalidades diárias, e ainda acrescenta musculação e fisioterapia. No fim de semana faz “treinos longos”, nada, pedala e corre. Para isso utiliza as estruturas do Aramaçan, em Santo André, para a “parte fechada”. A “aberta”, em Paranapiacaba, Estrada Velha de Santos e em cidades do Interior, como Itu, Araçariguama e Santa Branca, além da Estrada Rio-Santos. “Meu treino de sábado começa na sexta-feira na hora do almoço, porque tem de comer direito, dormir cedo, porque no sábado de manhã o corpo vai ter de ir no limite.”


A dosagem durante as disputas Juan ensina que conta com a tecnologia – relógio com fita cardíaca, sensores de cadência e de potência são alguns dos itens –, sem, no entanto, desprezar o autoconhecimento. “Uso equipamentos de medição e também a percepção do próprio corpo. Defino com o treinador, se mais forte no pedal porque na corrida vou trabalhar um pouco mais fraco. A gente tem zonas de treinamento, um dois, três, quatro e cinco. E para mim o aceitável é trabalhar em zona três. Acho meu ‘confortável’ na prova. Daí vou dosando. Da metade para o fim vou para o limite.”


Apoio financeiro, acrescenta, não há, tem de bancar seu ‘esporte’, que considera hobby. A inscrição para Portugal ele pagou R$ 1.500, sem reclamar. “Muito gostoso, apaixonante. Qualquer roupa é R$ 500. Mas hoje consigo competir e viajar ao mesmo tempo, e isso é muito prazeroso.”


Isso sem contar as duas bicicletas, tratadas como estrelas e às quais prefere não revelar o valor. Uma, a Suift Ultravox, é de estrada, a outra, Specializad, de prova contra o relógio. Apelidou-as de ‘Ranuca’ em homenagem às sobrinhas Rafaela, 10 anos, e Manuela, 6.


Na prova haverá 12 brasileiros na multidão de cerca de 2.500 participantes. “Vou competir no melhor que puder, fazer força o quanto der, o quanto as pernas aguentarem. Para atleta amador, fazer abaixo de cinco horas é algo muito bom.”


Apesar de esporte caro, no qual se gasta bastante, e tudo bancado por ele mesmo, a retribuição não vem em forma de prêmio, o que, para Juan, não importa. “Virou meu estilo de vida e a recompensa é o prazer de competir. E isso já basta”, finaliza. 

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