Palavra do Leitor

Missão pela medicina na região




O Grande ABC sempre esteve na vanguarda da saúde. Foi assim em 1969, quando prefeitos da região, preocupados com a falta de médicos para suprir esse mercado, ousaram criar a FMABC (Faculdade de Medicina do ABC). Os municípios decidiram instalar as dependências da instituição em Santo André e colocaram à disposição todos os serviços públicos de saúde para a aprendizagem prática dos estudantes. 

Desde então, a FMABC se consolidou como referência acadêmica e científica no contexto nacional e internacional, construindo também um forte vínculo com o Grande ABC e qualificando os serviços de saúde da região.

Nas últimas duas décadas, a sociedade brasileira confronta-se com outro cenário. A expansão dos serviços de saúde exige dos governos iniciativas para solucionar a carência de profissionais, principalmente em periferias de grandes centros urbanos e em territórios longínquos e inóspitos. A dificuldade de contratação suscitou o Programa Mais Médicos para o Brasil, permitindo a ampliação de vagas no ensino médico e abertura de novos cursos de medicina.

Essa estratégia atende o interesse de colocar mais médicos no mercado de trabalho, mas impõe o desafio de garantir a qualidade do ensino. A aprendizagem da medicina requer vivência em diferentes modalidades assistenciais, seja na Unidade Básica de Saúde ou nos hospitais, ambulatórios, laboratórios, entre outros.

O Grande ABC expandiu sua rede e é excelente campo para a prática dos estudantes. Novos cursos surgiram em toda a região. São mais de 1.000 estudantes de medicina na rede pública do Grande ABC diariamente. Mas com esse aumento é preciso organizar o campo de práticas para que haja espaço para todos e qualidade no ensino ofertado, a partir de compromisso ético com os princípios do SUS e respeito aos seus usuários.

Para isso, a legislação que regula a abertura de novas vagas de medicina estabelece o Coapes (Contrato Organizativo de Ação Pública Ensino-Saúde), buscando aprimorar a relação entre universidades e gestores do SUS. Esse contrato é realizado pelos municípios do Grande ABC com as universidades, e precisa ser articulado regionalmente. 

Apesar de os municípios organizarem essa prática educacional internamente, não se pode perder a perspectiva de que o estudante acaba se inserindo em uma rede regional. Isso requer coordenação competente para que todos os envolvidos sejam contemplados. Nessa direção, o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC precisa urgentemente iniciar processo de discussão para que não haja prejuízos ao ensino e aos serviços de saúde.

Atender o desejo da população por uma saúde melhor também significa um compromisso de todos com a formação adequada de médicos e demais profissionais de saúde para atendimentos das necessidades e exigências da sociedade.

David Uip é reitor do Centro Universitário FMABC. Vânia Barbosa do Nascimento é pró-reitora de extensão do Centro Universitário FMABC.

Palavra do leitor

Paul Harris

Muito boa a reportagem ‘Tite mantém plano para desmonte da Biblioteca Paul Harris’ neste Diário (Política, ontem), assim como o posicionamento do Conselho de Cultura da cidade, em trazer para as discussões um dos principais interessados, que até então pouco havia se manifestado, que é a cultura. Diga-se de passagem que o conselho possui uma cadeira específica da área da literatura, que também parece ausente ao debate. Esse assunto surgiu há mais de um mês e desde as primeiras manifestações o que se responde é que não se trata de tirar a biblioteca de seu legítimo espaço para simplesmente abrigar a Secretaria de Cultura, que por sua vez perde seu espaço para o Legislativo, e sim que existe projeto para tornar melhor e mais atual a biblioteca. O que o conselho fez é lúcido e correto, se existe projeto, cadê? Aliás, o projeto deveria aparecer e com data formalizada de quando foi anunciado, caso contrário se trata de verdadeira mentira!

Felisberto Benedetti
São Caetano

Falta do que fazer

Parece brincadeira, mas é verdade. Alguns vereadores, caras de pau de Santo André, precisam procurar o que fazer. E olha que tem muito, hein! Pasmem. Estão, na surdina, em negociações para apresentar projeto que aumenta o número de cadeiras na Câmara dos atuais 21 para 27 os vereadores na cidade (Política, dia 19). Este assunto já foi definido há não muito tempo. Como sempre, estão na contramão do que precisamos no setor público. Enxugamento da máquina, de vereadores, deputados, assessores, apadrinhados e por aí vai. É isto que atravanca a cidade e o País. Alegam que a Constituição permite esta mudança. Pois bem, só para citar dois exemplos: saúde e educação de qualidade, digna, pública e gratuita, é um direito do cidadão e dever do Estado. Temos isto senhores? É constitucional! Pedro Botaro, presidente da Câmara, disse que vai “puxar este assunto” e perguntar a seus pares o que acham a respeito. Bem, aí é como perguntar ao macaco se quer banana, não é mesmo? É muita cara de pau e safadeza para dizer o mínimo. Se não é pedir muito, juízo e bom senso, nunca é demais.

Mauri Fontes
Santo André

Fim do engavetamento

Renan Calheiros, na CPI da Covid e sua vasta experiência como congressista, tem razão. É preciso disciplinar alguns julgamentos e impeachments hoje restritos e sem definições. A concentração não pode ser absoluta e também carece de prazos. Trata-se dos julgamentos de congressistas que mofam nas gavetas do STF (Supremo Tribunal Federal) e os impeachments de ministros do STF engavetados no Senado. É preciso estipular prazo, digamos de dois ou, no máximo, três meses, para que haja prescrição no STF ou no Senado e ficar a cargo dos congressistas para resolução, limitada em até um mês após a prescrição no STF ou no Senado. Será forma de agilizar os processos que mofam nas gavetas onde deveria ser para ontem.

Humberto Schuwartz Soares
Vila Velha (ES)

Descrédito

O discurso do presidente Jair Bolsonaro na ONU (Organização das Nações Unidas) mostrou um Brasil fora da realidade. E por certo aumentou o descrédito do nosso País em relação ao meio ambiente e na área da saúde, entre outras questões. É profundamente lamentável que um ocupante do cargo maior da nossa República não tenha entendido ainda a sua responsabilidade.

Uriel Villas Boas
Santos (SP)

Comentários


Veja Também



Voltar