Palavra do Leitor

Quem é o doador brasileiro?




Os resultados da Pesquisa Doação Brasil 2020, produzida pelo Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), ajudam a decifrar o pensamento e o comportamento dos brasileiros em ano particularmente difícil, em que enfrentaram pandemia de dimensões globais e a acentuação das crises econômica e social. Vimos a sociedade civil assumir papel relevante no combate aos efeitos deste cenário e milhões de doadores se mobilizaram para viabilizar iniciativas que surgiram por todos lados. Em 2020, foi estimado que as doações feitas por pessoas somem R$ 10,3 bilhões. Apesar disso, a pesquisa registrou a queda das doações de todos os tipos: dinheiro, bens e trabalho voluntário. O percentual de doadores para organizações e iniciativas socioambientais encolheu de 46% da população (quase a metade) em 2015 para 37% (pouco mais de um terço) em 2020.

Este seria resultado preocupante, mas de certa forma, ele era esperado. A redução se deu majoritariamente entre as classes menos favorecidas, que se viram transformadas de doadores, em 2015, para dependentes de doações, em 2020. As camadas com maior poder aquisitivo, por outro lado, responderam doando ainda mais do que costumavam fazer em 2015. Entre aqueles com renda familiar acima de seis salários mínimos, o percentual de doadores para organizações e iniciativas socioambientais chegou a quase 60%.

A mudança de postura das classes mais altas não é consequência apenas da situação emergencial da pandemia, mas reflete a valorização e confiança no trabalho realizado pelo terceiro setor. A pesquisa mostrou que 74% dos brasileiros acreditam que as ONGs (Organizações Não Governamentais) são necessárias para a solução dos problemas socioambientais e 60% concordam que a maioria faz trabalho competente.

Essas respostas mostram que uma das maiores barreiras às doações, a desconfiança em relação às organizações, está começando a ceder. Em 2015, apenas um quarto da população (26%) acreditava que a maioria das ONGs é confiável. Atualmente, esse percentual subiu para 41%, efeito que atribuímos, entre outros fatores, à cobertura que a imprensa tem feito sobre o impacto da atuação das ONGs no combate à pandemia e seus efeitos. 

Alguns podem receber os resultados da pesquisa de forma negativa. Mas nossa leitura é a de que a redução da doação é circunstancial e, quando recuperarmos a estabilidade econômica, veremos sociedade muito mais ativa na solução de seus problemas. É evidente o fortalecimento da cultura de doação, de sua valorização enquanto ato solidário e cidadão, e os achados da Pesquisa Doação Brasil mostram que estamos no caminho certo!

Paula Fabiani é CEO do Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social).

Palavra do leitor

Variante delta

É com muita preocupação que li neste Diário (Setecidades, dia 10 ) sobre o primeiro caso da variante delta no município de Mauá, e com certeza já chegou em São Bernardo. Pena que por enquanto as medidas de vigilância sanitária da cidade batateira são precárias, principalmente nos parques públicos Raphael Lazzuri, Salvador Arena e Parque da Juventude Citta Di Maróstica. Basta fazer uma caminhada nestes próprios municipais e ver que placas informando sobre a obrigatoriedade do uso da máscara são poucas ou nem tem, e no parque Citta Di Maróstica os adultos que praticam caminhada e esportes no half pipe e pista de skate ignoram totalmente o uso da máscara. Não existe nenhum estudo indicando que usar a máscara de proteção contra a Covid-19 na prática de esportes possa causar problemas de saúde, portanto deveria haver uma fiscalização mais séria nesses parques.

Maria de Lourdes B.dos Santos
São Bernardo

Nota da Redação: O Estado corrigiu no sábado as informações que havia prestado ao Diário, retirando Mauá da lista de cidades que registraram caso da variante delta. A nova cepa chegou ao Grande ABC por Diadema, com dois episódios, conforme divulgado ontem pelo jornal.

Dose de reforço

Meu pai tem 99 anos e minha mãe, 92. A Prefeitura anunciou que os idosos acima de 90 anos seriam vacinados com a dose de reforço em domicílio como foi quando tomaram as duas doses. No dia 9 recebi telefonema da UBS Vila Rosa. Perguntaram da possibilidade de levar os meus pais para tomarem a vacina no posto. Respondi que até poderia levá-los, mas, devido a acidente que sofri, estou impossibilitada de andar. A resposta foi que então vão ter que esperar até o fim do cronograma do posto, sem data para virem. Tive que concordar. Tentei ligar para Secretaria de Saúde e Ouvidoria, mas não atendem. Anunciam uma coisa, mas não cumprem.

Keiko Sakata
São Bernardo

Estadista

O atual presidente da República e seus ainda possíveis eleitores atingiram um objetivo nas manifestações do dia 7 de setembro. Os veículos de comunicação deram muito destaque aos pronunciamentos de quem ocupa o cargo maior no cenário nacional. E fica claro que ele está na hora de ‘já ir’ embora. Precisamos de um estadista com urgência.

Uriel Villas Boas
Santos (SP)

Independência?

Como me orgulhar de uma pátria que mantém milhares de pessoas empregadas pouco fazendo em empresas públicas e ganhando R$ 200 mil por mês enquanto a maioria sobrevive com 200 vezes menos? Como me orgulhar de uma pátria que deixa meio milhão de cidadãos morrerem numa pandemia e, ao invés de fornecer remédio adequado, inventa desculpas e dá remédio para boi? Como me orgulhar da mesma pátria que joga no fogo remédios e testes vencidos da mesma doença e na mesma pandemia? Como me orgulhar se o presidente dessa mesma nação clama por fuzil e munição para um povo que só quer comer e trabalhar? Como me orgulhar de parte de um povo que usa o nome de Deus para louvar e confiar em corruptos, sendo que a própria Escritura diz que maldito é o homem que confia no homem? Perdoem-me, mas antes fôssemos colônia de Portugal, pois certamente estaríamos mil vezes melhor do que nessa independência falsa e corrupta. Perdoem-me, mas nada há para comemorar.

Daniel Marques
Virginópolis (MG)

Justiça

Sou da terceira idade, com garantia vencida. Todo dia para mim é um presente de Deus. Está difícil, mas ainda não perdi a esperança, está difícil de o Brasil ser o dos nossos sonhos, com honestidade, os poderes constituídos priorizando o Brasil, adotando “o que eu posso fazer pelo meu País” ao contrário “do que eu posso obter do meu País” e punindo com rigor a bandidagem, a corrupção. A partir de 2014 acendeu a luz no fim do túnel. Nas ruas o povo feliz, entusiasmado com o sério combate à corrupção, a virada de jogo. Os graúdos, certos da impunidade, ficaram expostos, presos e, após exercerem o exaustivo direito constitucional de defesa, 174 deles foram condenados. O tempo passou, estamos em 2021 e, ao invés de crescente rigor com a bandidagem, acontece o contrário. O pessoal no poder amarelou, mudou de lado. Os mocinhos da ação justiceira que desvendou a corrupção estão sendo tachados de bandidos, e os bandidos, inocentados. Justo quem deveria apoiar, dar sequência no combate à criminalidade, age às avessas, como se fosse advogado dos malfeitores, expondo e criminalizando os nossos heróis justiceiros que nos deram esperança. Infelizmente é triste a nossa realidade. O que estava ruim antes de 2014, ao exaltar os malfeitores, tende a piorar além do que fora outrora devido à injustiça da Justiça.

Humberto Schuwartz Soares
Vila Velha (ES)

São Caetano

Como morador do Grande ABC me sinto muito triste ao ler a sequência de notícias negativas sobre São Caetano, que até bem pouco tempo atrás era exemplo a ser seguido pelas demais cidades da região e também do Brasil. Essa história de que o governo pratica sobrepreço na aquisição de itens das cestas básicas que são distribuídas aos pobres é terrível (Política, ontem). Não é porque o município é rico que o dinheiro que os contribuintes pagam de impostos deve ser desperdiçado. Mas o que me causa ainda mais espanto é o silêncio cúmplice daqueles que deveriam fiscalizar.

Edvaldo Vassaz
Santo André

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