Palavra do Leitor

A nossa Biblioteca Paul Harris fica




Semana passada, São Caetano foi surpreendida pela notícia sobre um desastrado projeto da Prefeitura de retirar a biblioteca mais importante da cidade de seu local, a confinando num espaço semelhante a um “aquário” (uma caixa de vidro), na sede da Secretaria de Educação, na Avenida Goiás. O pretexto é uma suposta “modernização” e digitalização do acervo.

A Biblioteca Paul Harris é uma referência na cidade, fazendo parte da vida de várias gerações de são-caetanenses – inclusive da minha. Desde 2002, ocupa o atual lugar, num endereço privilegiado e de fácil acesso para todos os munícipes. Conta com estrutura muito boa, salas de leitura, um auditório de tamanho adequado, bom acervo, acessibilidade e todas as demais características necessárias a uma biblioteca pública. Ali são realizados diversos eventos, como conversas sobre literatura e as reuniões da Academia Popular de Letras, que conta com a participação de inúmeros escritores da região.

Há tempos não tem havido investimentos na atualização de seus sistemas nem tido seu potencial aproveitado por parte das administrações municipais. E agora, sob a alegação de necessidade de modernização, foi apresentada essa proposta que a descaracteriza completamente também enquanto espaço cultural e de convivência. Isso tudo sem a devida transparência, pois não houve a escuta da comunidade. A medida é arbitrária, portanto, pois sequer foi discutida.

Na condição de titular da cadeira de patrimônio e memória do ConCult (Conselho Municipal de Política Pública Cultural), já manifestei minha total contrariedade em relação a esse disparate, por meio das redes sociais e também na mais recente reunião extraordinária do conselho, ocorrida na segunda-feira. Pedi um posicionamento da Secretaria Municipal de Cultura, e a situação já está inclusa como pauta da próxima reunião ordinária.

Somos favoráveis a quaisquer medidas que visem a ampliação do acesso ao acervo, sua digitalização e eventuais plataformas que possibilitem interatividade e facilidade de pesquisa para os usuários. Mas é um retrocesso a redução do acervo físico disponível e desnecessária a sua retirada do local onde está, que é adequado e contextualizado, junto da Fundação Pró-Memória, a Pinacoteca e a Academia de Letras da Grande São Paulo. Portanto, a nossa Biblioteca Paul Harris deve ficar no espaço onde se encontra, e reivindicamos que a pasta da Educação faça ali os devidos e merecidos investimentos para sua melhoria, com o conveniente aproveitamento da estrutura já existente.

José Augusto Lopes Valim é advogado e titular da cadeira de patrimônio e memória do Conselho Municipal de Política Pública Cultural de São Caetano.

PALAVRA DO LEITOR

Comgás

Estou reformando meu imóvel, casa térrea no bairro Santa Paula, em São Caetano, e entrei em contato com a Comgás para solicitar a ligação para o meu imóvel. Após algumas tentativas e reclamações, fui informada de que meu imóvel não era apto. Fiz contato com a ouvidoria para saber o motivo e tentar fazer a ligação. Fui informada de que a rede de gás passa na minha rua, porém, na calçada oposta à minha. Então solicitei ramal para o meu imóvel e fui surpreendida com a resposta de que não poderiam me atender, pois a Prefeitura de São Caetano não permite. Um dia a Comgás ou a Prefeitura decidiu passar pela minha rua, escolheram um lado para passar a rede e, assim, apenas algumas pessoas podem ser privilegiadas com o abastecimento de gás. Não há lógica nisso, imagine se com Enel, Saesa, Vivo e Net fosse desa forma. Ficam aqui meu desabafo e minha indignação.

Adriana Zanini
São Caetano

Alfredo Flaquer

Nunca é demais lembrar ao prefeito de Santo André, Paulo Serra, que ele deve governar para todos e cuidar da cidade por completo, não dar atenção apenas aos chamados bairros de ricos. Exemplo claro de desleixo é a Avenida Coronel Alfredo Flaquer, no sentido Centro-bairro, que mais parece uma estrada no meio do nada de tantos buracos e desníveis. Por ela circulam ônibus de transporte público, e os passageiros devem se sentir como o gado transportado em caminhões por estradas malcuidadas, de tanto que sacoleja. Claro que o problema aflige também quem está de carro, porque o péssimo estado de conservação da via, de tráfego intenso, não escolhe a quem vai incomodar. Todos são vítimas. Como circulo bastante pela região devido ao meu trabalho, praticamente todas as semanas passo por ali quando preciso ir a Mauá. Não é por nada não, prefeito, mas deveria dar uma bronca na sua equipe. O senhor pode não ver tudo, mas tem pessoas ganhando bem na Prefeitura, pagas com dinheiro do contribuinte, para ajudá-lo a cuidar de Santo André.

Antônio Júlio C. Silveira
São Bernardo

Precatórios INSS

É um verdadeiro absurdo pretenderem ‘meter a mão’ nos precatórios, dívida que o já injustiçado pelo INSS teve reconhecida pelo Judiciário após anos e agora querem parcelar para custear o novo Bolsa Família. Ora, se precisam de dinheiro, que busquem outras fontes – como o fundo partidário ou acabem com a desvinculação das receitas da União – e não penalizem mais uma vez o jurisdicionado. Isso é despir um santo para vestir outro. Uma verdadeira aberração!

Marcos Sergio Fernandes
Santo André

O terror em Araçatuba

Nove meses após o ataque de um bando armado a agências bancárias de Araraquara, a cidade de Araçatuba sofreu terror semelhante, mas com gravidade muito maior. A ação de cerca de 50 homens fortemente armados deixou três mortos, cinco feridos, fez reféns, deixou bombas nas ruas e paralisou Araçatuba na segunda-feira. Nada funcionou. O clima de insegurança alcançou toda a região. A pergunta que fica é: cadê a inteligência da segurança pública do Estado de São Paulo? Não é de hoje que se denuncia e cobra, inclusive este mandato, que a segurança pública de São Paulo está desestruturada. Que há anos não repõe seu efetivo, que não reajusta salários. O Estado tem um padrão de avaliação dessas ocorrências que não condiz com a realidade. As polícias Civil e a Científica são carentes de recursos humanos e técnicos. A Polícia Militar continua reativa e carente de recursos. Agora, depois de mais um estrago, é tentar minimizar as consequências, mas quem pode responder a uma questão crucial: onde será o próximo ataque?

Márcia Lia
Deputada estadual 

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