Palavra do Leitor

Cultura que une o Brasil




A cana-de-açúcar, primeira grande riqueza agroindustrial do País, foi protagonista de ciclo histórico marcante, entre metades dos séculos XVI e XVIII. Durante mais de 200 anos, no Brasil Colônia, constituiu a base da economia, com produção concentrada no Nordeste. Paulatinamente, a cultura foi reencontrando a origem como atividade estratégica. Volta a crescer na região na qual chegou, está presente em todo território nacional e contribui de modo significativo para superavit de nossa balança comercial e para a transição da matriz energética do carbono à renovável e sustentável.


A cana foi introduzida no Brasil há 505 anos, em 1516, na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco. Está presente, portanto, deste o início de nossa história depois do descobrimento. Hoje, é atividade agrícola nacional, com lavouras em todo o País. Embora o Sudeste seja atualmente principal produtor, nota-se novo movimento de fomento no Nordeste. A região é uma das que apresentam estimativa de crescimento no primeiro levantamento da safra 2021/2022 da Conab (Companhia Brasileira de Abastecimento). Terá queda de 0,5% na área plantada, mas expansão de 3,5% na produtividade e 2,7% na produção, totalizando 49,7 milhões de toneladas. Exemplo dos produtores nordestinos demonstra como incorporação de tecnologia está contribuindo para aumento da produtividade da cana, com utilização de menos áreas plantadas. No Brasil, a agroindústria sucroalcooleira, diferentemente do que ocorre nos demais países, opera em conjuntura positiva e sustentável e conseguiu manter-se muito dinâmica durante a pandemia da Covid-19.


Na safra 2021/2022, em termos gerais, a Conab espera redução de 4% na produção em relação à temporada anterior, provocada pelas oscilações climáticas deste ano e redução da área plantada. Mesmo assim, deveremos colher 628,13 milhões de toneladas, suficientes para que fabriquemos 38,9 milhões de toneladas de açúcar (5,7% a menos) e 27 bilhões de litros de etanol (queda de 9,1%). Apesar das oscilações, continuamos protagonistas e fornecedores indispensáveis para mercado sucroalcooleiro global. Estudo do Departamento do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo mostra que o mundo demandará cada vez mais nossos açúcar e etanol. O relatório projeta que, na safra 2023/2024, haverá necessidade de o País atingir área plantada de 10,5 milhões de hectares e esmagamento de cana de 862 milhões de toneladas, para responder ao crescimento do consumo e das exportações. Cinco séculos depois de chegar ao Nordeste, a cultura une o Brasil, estando presente em todo o nosso território. E, como no seu primeiro ciclo histórico, desempenha papel decisivo na economia nacional.


João Guilherme Sabino Ometto é engenheiro, empresário e integrante da ANA (Academia Nacional de Agricultura).


PALAVRA DO LEITOR

Armados
Sobre a carta do leitor Sandro Abreu (Pátria Amada, dia 23), não precisamos ir ao Afeganistão para ver pessoas armadas nas ruas, é só ir ao Rio de Janeiro, onde o STF (Supremo Tribunal Federal) não deixa a polícia entrar para combatê-los. Este mesmo STF que citam como exemplo de democrático.
Ailton Lima
São Bernardo


Prestes Maia
Passados seis meses da reforma da Avenida Prestes Maia, em Santo André, a mesma encontra-se novamente abandonada nos quesitos limpeza, preservação e segurança. Só no trecho entre a sede da Guarda Civil Municipal e o Viaduto Rotary, até dia 25 mais de 20 grades haviam sido arrancadas ou roubadas! Isso a pouquíssimos metros da GCM! A sujeira nos entornos dos viadutos Luiz Meira e Tamarutaca mostra o descaso da Prefeitura após o tal banho de revitalização! Avenida que é entrada da cidade, dá certa vergonha a sujeira, e ninguém resolve! Não adianta fazer, sem ter manutenção e fiscalização! Fora isso, a Sabesp efetuou obras logo após a Prefeitura recapear a avenida e deixou o asfalto todo danificado! Lamentável nosso dinheiro sendo utilizado desta forma!
Ricardo Fernandes
Santo André


Cortina de fumaça
Conforme reportagem apresentada por este Diário, vereadores de Diadema pretendem abrir CPI contra a Enel, fornecedora de energia elétrica na Região Metropolitana, que possui concessão sob a responsabilidade do Estado (Política, ontem). Causa estranheza o silêncio e a falta de investigação dos legisladores, diante dos relatos comentados nas rodas de assuntos políticos, sobre o nepotismo na administração do prefeito Filippi, tendo em vista que até o momento não foi apresentado nenhum requerimento e nenhuma CPI que visem o cumprimento da súmula vinculante 13, ação que vedaria as indicações irregulares de familiares de vereador e de secretário na atual gestão.
Leonardo Sá Barbosa
Diadema


Vereadores
Deparei-me com notícia neste Diário de que alguns vereadores, precisamente quatro, de Santo André estão querendo colocar em votação o aumento do número de cadeiras de 21 para 27 na Câmara da cidade na próxima eleição (Política, ontem). Só um aviso para esse quarteto, alguns já com mais de um mandato e outros principiantes: se isso for aprovado, seus nomes serão lembrados à população para que não sejam mais eleitos.
Fernando Cesar Toribio
Santo André


Barulho
Li recente reportagem (Setecidades, dia 19) e, depois, cartas de leitores reclamando de barulho (polo petroquímico). Lembrei-me de que, além de o Código Civil, em seu artigo 1.277, limitar o uso da propriedade a não incomodar vizinhos, segundo norma vigente, a emissão de ruídos é limitada a 60 decibéis no período diurno, das 6h às 22h, e reduzida para 50 decibéis das 22h às 6h, segundo a NBR 10.151/2000, da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Exceder esses limites é caso de polícia, pois consuma delito de contravenção penal segundo o decreto-lei 3.688, de 1941. Os prejudicados devem reclamar à polícia e à Prefeitura, essa aparelhada para medir a intensidade do som.
Nevino Antonio Rocco
São Bernardo


Outra derrota
Jair Bolsonaro, hoje, literalmente político rebaixado como o pior presidente que o Brasil já teve, sofre mais uma derrota. Desta vez no Senado, quando seu presidente Rodrigo Pacheco enterra de vez o absurdo que fez Bolsonaro, que havia pedido o impeachment do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Irresponsável que é, esse é mais um episódio lamentável do presidente, que, sem condições de governar, procura atazanar os ambientes político, institucional, econômico e social do País! Se comportando como verdadeiro pária no comando da Nação!
Paulo Panossian
São Carlos (SP)
 

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