Política

Grupos se dividem à espera de nova eleição em São Caetano




A possibilidade de nova eleição em São Caetano e a demora no fato de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pautar recurso do ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSDB) contra a anulação de seus votos delinearam ao menos três candidaturas potenciais caso o tucano perca suas cartadas em Brasília, com divisão do núcleo governista.

Estimulado pelo prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), e pelo deputado federal Alex Manente (Cidadania), também são-bernardense, o prefeito interino de São Caetano, Tite Campanella (Cidadania - foto), tem se afastado de Auricchio, a despeito de o tucano ter bancado sua ascensão à cadeira principal do Palácio da Cerâmica – foi Auricchio quem articulou pessoalmente a eleição de Tite para presidir a Câmara, função que, automaticamente, o conduzia ao Executivo diante do impasse jurídico instalado.

Com essa fissura na base governista, Morando beneficiou diretamente seu principal aliado no solo vizinho: o ex-vereador Fabio Palacio (PSD). Segundo colocado na eleição do ano passado, com 30,4 mil votos – Auricchio recebeu 42,8 mil –, Palacio capitalizaria substancialmente com o racha situacionista. Seu nome está consolidado na política local, ele partiria para a terceira eleição ao Paço e, como seria pleito de um só turno, seu recall tenderia a ser suficiente para levá-lo ao comando da cidade. Morando, então, teria um fiel escudeiro como prefeito de São Caetano.

Ao mesmo tempo, Alex Manente trabalha intensamente nos bastidores pró-Tite. O deputado federal foi por anos aliado do clã auricchista, a ponto de acolher Thiago Auricchio (PL), hoje deputado estadual, em seu gabinete, como assessor, para introdução do filho de Auricchio à política como ela é. Alex se afastou do tucano à medida em que o processo de Auricchio se arrasta nos tribunais eleitorais e que Tite ganha confiança para tomar passos autônomos na condução do governo. Mais do que defensor da candidatura de Tite, o parlamentar federal age fortemente nos bastidores para semear um terreno fértil para o lançamento do projeto do aliado.

O primeiro passo é reduzir a força do vereador auricchista Marcel Munhoz (Cidadania) dentro do diretório municipal. Marcel é presidente da sigla na cidade, mas deve perder o título nas próximas semanas. Alex também conversa reservadamente com vereadores aliados de Auricchio e que observam com distância segura a briga entre o ex-prefeito e o prefeito interino. Atualmente próximo de Morando, o deputado ainda faz investidas em vereadores do grupo de Palacio – nesse ponto, coordenado por Tite, que também dispensa melhor tratamento aos rivais do que aos aliados.

Na terceira trincheira, o bloco auricchista se monta. Caso o TSE confirme a decisão de primeira instância e mantenha os votos de Auricchio anulados por condenação de captação irregular na eleição de 2016, o nome natural para sucessão é o de Thiago Auricchio. Mas corre por fora ainda a figura da ex-primeira-dama Denise Auricchio. Carismática e com livre trânsito junto às entidades assistenciais do município, Denise é o sonho de consumo de quem hoje finca o pé em várias canoas à espera de saber qual barco pegou o melhor vento para velejar eleitoralmente.

Ainda figura no rol Marcel Munhoz. Campeão de votos na eleição à Câmara em 2016 e segundo melhor no quesito em 2020, Marcel é um ativo eleitoral considerável, além de, como delegado de polícia, possuir atuação política em uma área sensível no município. Uma chapa Thiago com Marcel Munhoz é a mais comentada nas rodas de conversa nas padarias de São Caetano.

Outros partidos anunciaram candidaturas se houver eleição suplementar. O Psol avisou que lançará Rafael Ensinas. O Podemos quer apostar em Luiz Antônio Cicaroni. O vereador Jander Lira busca ser candidato pelo DEM.

O processo está no TSE, nas mãos do relator Luis Felipe Salomão. Cabe a ele levar o tema ao plenário.

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