Setecidades

São Caetano deixa alunos sem o uniforme escolar




Prefeitura de São Caetano suspendeu o pagamento do auxílio-uniforme escolar para o segundo semestre deste ano a todos os 20.640 alunos da rede municipal. Não bastasse a falta de entrega do valor para aquisição da vestimenta, a administração, sob comando de Tite Campanella (PSDB) desde janeiro, ainda revogou a obrigatoriedade do uso do item para frequência das aulas, retomadas presencialmente em julho.

A comunicação com as famílias foi feita por meio de publicação nas redes sociais da Prefeitura e causou indignação também nos funcionários e proprietários das 22 malharias que são conveniadas com a Prefeitura. Os lojistas disseram ao Diário que temem ficar “a ver navios”, já que contavam com essas vendas no segundo semestre. Os empresários, porém, pediram para não serem identificados porque temem represálias e disseram que estão sendo tratados “de forma truculenta” pela atual gestão.

O valor aprovado para este ano para o pagamento do auxílio-uniforme é de R$ 250 para cada aluno, ou seja, o orçamento total é de R$ 5,1 milhões. Os lojistas dizem que esse valor “os manteria de portas abertas”. “Estamos vivendo somente de promessas dessa Prefeitura”, comentou uma profissional, que não quis se identificar.

De acordo com a mesma trabalhadora, as 22 malharias conveniadas passaram toda a pandemia, de março de 2020 até agora, sem a principal fonte de renda, que vem da confecção dos uniformes municipais. “A Prefeitura não deu um centavo para nos ajudar, se não tivermos essa confecção, como vamos sobreviver?” questiona a mulher.
Os pais, por sua vez, temem pela segurança dos filhos nas unidades municipais, já que, sem o uniforme, o controle de quem entra e sai das escolas fica bastante comprometido.

Segundo o texto publicado pela administração municipal nas redes sociais, o auxílio “será retomado para o ano letivo de 2022, em investimento previsto de R$ 5,5 milhões”. A interrupção deste semestre foi justificada, porém, como atendimento “ao princípio constitucional da economicidade”. No entanto, questionada sobre o que será feito com o dinheiro que havia sido aprovado para o auxílio-uniforme, a Prefeitura não se manifestou. A equipe de reportagem questionou ainda como as escolas controlarão o acesso dos alunos descaracterizados. A administração municipal, também não respondeu à demanda.

Das outras cidades do Grande ABC, pelo menos três disseram que vão fornecer o uniforme escolar para os estudantes matriculados nos colégios municipais. Santo André e São Bernardo já entregaram o material e vão exigir que as crianças estejam identificadas para ter acesso aos colégios, enquanto que em Diadema o uso será facultativo até que a Prefeitura distribua os kits. Mauá e Ribeirão Pires não retornaram à demanda e em Rio Grande da Serra as aulas presenciais não foram retomadas.  

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