VIVIA JANDO

Cobrar de Tião e Sebastião é obrigação




Você pode apoiar ou não o governo. É questão de convicção e/ou ideologia. A discussão não entrará nesta seara, porém, não podemos negar que alguns segmentos da economia foram literalmente abandonados, indiferente do período gestacional.

O turismo sequer se tornou pasta, pauta ou foco do poder público. Os Estados, destruídos pela falta de arrecadação de impostos, passam longe de tratar deste assunto. A iniciativa privada, sem fôlego para carregar o fardo, agoniza em ações pontuais e amadoras para alavancar o Brasil como polo receptor/emissor.

Em defesa do indefensável, dirão: Covid é prioridade! Sim, é mesmo. Saúde é fundamental. A pandemia é reconhecida por esta coluna e por este colunista. Entretanto, não estamos tratando deste recorte apocalíptico e sim do período anterior ao início desta jornada viral.

O turismo é uma das pastas que ficam acomodadas e responsabilizadas pela tia do café ­– ainda que a tia do café seja infinitamente mais competente que muitos que assumiram a gestão do turismo no Brasil, tanto no público quanto no privado.

A extinta Embratur, que praticamente não fazia nada, pelo menos constava e demonstrava um grau de preocupação com destino Brasil, sendo ou não para inglês ver.

Hoje existe um acúmulo de perguntas. Quem cuida do turismo brasileiro? O que fazem diariamente pelo segmento? Quanto se investiu nos últimos anos? Fora os órgãos de defesa do consumidor, quem fiscaliza as operações turísticas? Quem dá ou dará atenção ao turista lesado? Quem monitora a qualidade de recepção dos turistas nacionais e estrangeiros? Onde denunciar problemas e falta de qualidade relacionada a atendimento nos aeroportos, imigrações e destinos? Quem monitora as propagandas enganosas? Onde denunciar as falsas empresas de viagens que lesam centenas de turistas? Onde denunciar a sonegação fiscal dos empresários do setor?

O mercado informal domina o segmento. Em breve teremos o carrinho da cocada, o carrinho do yakult e o carrinho do turismo passando por sua rua e batendo nas portas.

O Brasil vive um momento dramático e, o pior, a maioria dos grandes pensadores e investidores do mercado estão dando passos atrás e abandonando o setor.

Esta coluna já abordou, e seguirá abordando, que em 2022 o foco unicamente serão as reeleições e eleições, a campanha para alavancar nosso destino Brasil. Nossas praias, nossas campos e nossas cidades serão apresentadas apenas como pano de fundo, bem ao fundo, de algum palanque eleitoral.

Em tempo, para não dizer que somente tratamos da responsabilidade pública, informo que estamos fazendo uma vasta apuração de como funciona na prática a arrecadação de impostos, notas fiscais e declarações de vendas pelo setor privado, e isso será pauta de muitas colunas e até mesmo de um dossiê que será apresentado em tempo oportuno a todos.

O setor privado tem de prestar contas e devolver como forma de pagamento de impostos seus lucros obtidos e o governo apresentar claramente como investe no setor esta arrecadação.

Cobrar de Tião e Sebastião é nossa obrigação.

Rodermil Pizzo tem 36 anos de atividades no turismo. É jornalista, empresário, professor universitário e mestre em hospitalidade. Esta coluna é atualizada todas as terças-feiras. E-mail: rodermil@dgabc.com.br.

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