Política

Munhoz vira fiel da balança em S.Caetano




Enquanto está cada vez mais latente o distanciamento do prefeito de São Caetano, Tite Campanella (Cidadania), e do ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSDB), um personagem da política municipal está no meio da guerra fria com relações nos dois lados: o vereador Marcel Munhoz (Cidadania).

Presidente do diretório municipal do Cidadania, partido de Tite, Munhoz é fiel escudeiro de Auricchio. Publicamente, o parlamentar evita qualquer comentário que possa estremecer a desgastada parceria entre os dois. Nos bastidores, recorre a mensagens subliminares para pregar lealdade ao tucano.

Na última semana, Munhoz publicou foto ao lado de Auricchio em suas redes sociais com uma legenda provocativa: “Relembrando as épocas de campanha eleitoral, precisamente no ano passado, ao lado do sempre prefeito Auricchio Júnior”. O afago foi retribuído pelo ex-chefe do Executivo: “Grande amigo e companheiro”.

Na sexta-feira, Auricchio compareceu ao ato de filiação do vice-prefeito de Santo André, Luiz Zacarias, ao PL, em restaurante no bairro Jardim. O tucano foi ao evento junto de Munhoz – inclusive, deu carona ao aliado vereador. A presença do parlamentar, ao lado de Auricchio, foi um dos assuntos mais comentados nas rodas formadas durante a solenidade. Munhoz deixou o evento sem dar entrevistas.

Os passos de Munhoz são monitorados com lupa pela classe política de São Caetano. Em seu terceiro mandato, o vereador se consolidou como um dos nomes com maior número de eleitores fiéis. Antes de se eleger pela primeira vez, em 2012 (com 1.575 votos), ele, que é delegado de polícia, havia buscado vaga na Câmara em 2004 e em 2008, ficando na suplência. Em 2016, se tornou o campeão de votos no município (2.999 adesões). Em 2020, foi o segundo colocado no ranking, com 2.540.

Ele pode ser o fiel da balança também em âmbito partidário. Como presidente do Cidadania, cabe a ele chancelar ou não uma candidatura própria em eventual nova eleição. Nos bastidores, Munhoz reafirma confiança no retorno de Auricchio – o tucano teve os votos anulados pela Justiça Eleitoral e seu recurso está próximo de ser analisado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Porém, caso o aliado direto sofra novo revés, uma eventual candidatura de Tite, pelo Cidadania, teria de ter aval de Munhoz.

O nome do parlamentar é citado como potencial candidato ao Palácio da Cerâmica – seja como cabeça de chapa ou como vice. Além disso, ele tem fomentado a construção de uma candidatura a deputado federal, até pelo distanciamento do parlamentar federal Alex Manente, que, embora tenha filiação em São Bernardo, sempre foi quadro próximo de Auricchio.

Alex foi outro personagem a se distanciar do tucano depois de ser um dos protagonistas do plano do prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), em colocar no mesmo palanque Tite Campanella e o ex-prefeiturável oposicionista Fabio Palacio (PSD) em eventual nova eleição. Essa manobra, revelada pelo Diário, deu pontapé inicial para a guerra fria instalada em São Caetano. Tite, de início, não descartou a possibilidade de parceria, que alijaria Auricchio do processo eleitoral da cidade. Depois, pressionado por quem o colocou na cadeira de prefeito, rechaçou.
<EM>Munhoz não retornou aos contatos da equipe do Diário para comentar a crise. 

Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários


Veja Também



Voltar