VIVIA JANDO

A falsa sensação de calmaria




O turismo está reiniciando com força total. Que maravilha. Julho já sinalizou que o pânico mundial está amenizado, os turistas começam a se programar para as feriados, Natal em Gramado, Réveillon no Rio de Janeiro e Carnaval em Salvador. Os transatlânticos já aquecem os motores para o verão brasileiro, demonstrando que tudo  está voltando à normalidade. Nada mais pode agravar ou prejudicar a indústria turística. Vida que segue – como dizem nas rodas informais.

Para quem não sabe, antes de um evento tsunâmico ocorrer, o mar se cala, recua e o silêncio é pacificador e agradável aos olhos e ouvidos. Todavia, isso é o prenúncio de uma devassa à vista.

O turismo freou de forma abrupta e foi de 100 a zero em horas. Agora fará o processo inverso, e não será na mesma velocidade. Afinal, grande parte desta movimentação nova será com dinheiro velho.

Teremos dias de movimentação na internet, nas agências de viagens, nas companhias aéreas, nos departamentos de reservas hoteleiras. O segmento está em franca atividade comercial, todavia, parte desta movimentação se alicerça na utilização de crédito. Retrabalho.

A pergunta é: como pagar contas novas sem dinheiro novo?

O turista tem o direito legal de usar seu crédito e voar o trecho programado antes da pandemia, desfrutar das diárias dos hotéis, locar o carro, enfim, movimentar o setor em todas as esferas. Esta engrenagem toda terá de ser azeitada para atender a demanda e o fluxo. O problema é que os empresários gastaram este dinheiro recebido anterior à pandemia,  com  pagamento de aluguel,  folha salarial,  impostos e manutenções. Agora o turista quer usufruir, com a mesma qualidade, dos serviços adquiridos e pagos.  Então: como promover por parte do setor a mesma expectativa – qualidade e segurança –  do cliente, se os empresários estão com milhares de dívidas acumuladas e terão de investir ainda mais para colocar em funcionamento? Comprar o azeite com que dinheiro?  

Outro ponto são os turistas que optaram por reembolsos, que, de acordo com medida provisória, permite às empresas de turismo o direito de ressarcimento até dezembro de 2022. Quantas empresas ainda estarão vivas e saudáveis até lá? Quem está garantindo este deposito em conta? Importante frisar que não estou duvidando da idoneidade das empresas, mas sim da saúde financeira e da possibilidade de não conseguir honrar tais compromissos aos seus clientes.

Para quem não sabe a água que retorna ao mar, após uma tsunami, é tão ou mais letal que a água que invade tudo, pois, além do estrago já feito na ida das ondas, ainda permanece a contaminação do solo e a força do retorno do mar, lotada de lixo e entulho.

Somado a este cenário, o ano de 2022  sinaliza (pelos discursos políticos) que teremos uma batalha campal para eleição ou reeleição do presidente brasileiro (tema que sempre movimenta economia – para bem ou para o mal). Teremos ainda, para engrossar o caldo, a Copa do Mundo, todos os shows e datas comemorativas retardadas pela Covid, que passam pela Marcha de Jesus, Parada Gay, Carnaval, Fórmula 1 etc, etc. Será um ano pesado. Utilizando a linguagem da internet, ''''''''oremos'''''''', para que as estruturas suportem tanto peso.

Rodermil Pizzo tem 36 anos de atividades no turismo. É jornalista, empresário, professor universitário e mestre em hospitalidade. Esta coluna é atualizada todas as terças-feiras. E-mail: rodermil@dgabc.com.br  

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