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Variante põe em risco cobertura da vacinação contra a Covid-19




Desde o começo da campanha de imunização contra a Covid no Grande ABC, dia 19 de janeiro, a expectativa dos infectologistas era a de que a população pudesse respirar mais aliviada quando pelo menos 70% dos adultos estivessem com o esquema vacinal completo. Porém, a chegada de variantes altamente infectantes, como a delta, fez a exigência subir para 90% das pessoas com proteção mínima. 

Duas cidades do Grande ABC estão perto de atingir a marca, mas apenas com a primeira dose. Tanto Santo André como Ribeirão Pires já iniciaram o esquema vacinal em 88,5% dos moradores adultos. A Prefeitura ribeirão-pirense, no entanto, trabalha com a marca de 95% de cobertura, isso porque a cidade usa dados da Fundação Seade para estipular a população com 18 anos ou mais, porém, a plataforma do governo do Estado está com dados defasados na comparação com os do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que são usados pelo Diário e pelo Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Além disso, a cidade é a única da região que soma as vacinas da Janssen, de aplicação única, junto com a primeira dose. 

Nas outras cidades, a melhor situação é a de São Caetano, com 83,9% da população adulta com a primeira dose, seguida de Diadema (82,1%), São Bernardo (80,8%), Mauá (74,9%) e Rio Grande da Serra (67,8%). 

Mesmo diante do bom índice de cobertura, o infectologista e fundador do IBSP (Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente), José Ribamar Branco, ponderou que é preciso cautela. Segundo o médico, algumas doenças como a gripe (Influenza) têm meta de cobertura vacinal estipulada pelo PNI (Plano Nacional de Imunização), do governo federal, de 90%, mas o vírus já é mais conhecido e, portanto, controlado. “A gripe é doença que já se sabe como tem de se fazer a cobertura vacinal e, para evitar absentismo, a gente imuniza, além do público de risco, a população toda, e principalmente a parte economicamente ativa. No caso da Covid, a gente provavelmente vai ter que vacinar mais de 90% da população porque as variantes novas nos trazem os problemas, porque não se sabe como se comportam”, explicou.

Branco destacou que há, ainda, 78,6% da população brasileira desprotegida, já que somente 21,4% foram totalmente imunizadas no País. No Grande ABC, a segunda dose é realidade para 24,3% da população em geral e 32,7% dos adultos. 

Diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri destaca que “não há número mágico” para se ter controle da pandemia e pontua que, por enquanto, o importante é vacinar o maior número de pessoas. “Muitos defendiam a imunidade de rebanho achando que o vírus ia parar de ser transmitido e não acredito que se chegue nisso. Sou cético diante dessa afirmação, porque não temos vacinas capazes de eliminar transmissão, sobretudo porque o vírus tem suas mutações, e isso possibilita reinfecção”, destacou o especialista, pontuando que acredita que a doença se assemelhe, com o tempo, com o vírus da gripe, deixando de ser pandemia e acometendo com sazonalidade. 

Infectologista e diretor do centro de pesquisas clínicas da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Fabio Leal concorda com a opinião de Kfouri e destaca que para se controlar a doença depende também de neutralizar as variantes, além de medidas de controle eficazes contra a pandemia. ”Infelizmente não existe um número, uma porcentagem da população vacinada que seja estático, ou que seja determinante para se falar em controle da pandemia, porque isso é muito complexo e não depende só de vacinação”, destacou, comparando com os casos de países estrangeiros que mesmo com vacinação em massa enfrentam novas ondas devido à chegada de variantes. “Não existe número específico, mas, claramente, quando mais rápido se avança na vacinação, mais cedo a gente pode falar de medidas de relaxamento”, finalizou Fábio.

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