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Os longevos entre carnes e vegetais




Habilitar-se com instrumentos cortantes e dominar o fogo compuseram o passo evolutivo mais importante de nossa espécie, pois, facilitando o consumo de carnes, possibilitou generoso aporte dietético de proteínas e com isso houve enorme ganho de volume cerebral e aumento da estatura previamente de um metro, em mais 50 centímetros.

Bem nutrido e com um metro e meio de altura, nosso ancestral reuniu as aptidões que permitiram a emigração do berço africano para Ásia, Europa e migrações posteriores.

Lá se vão mais de 2 milhões de anos e o que observamos crescentemente são discussões acerca dos prováveis prejuízos à saúde causados pelo consumo de carnes, com muitas correntes sugerindo sua eliminação de nossos cardápios. Em substituição são sugeridos vegetais, com a contribuição de ovos, leite e derivados no conceito vegetariano, enquanto nenhum elemento animal é permitido na concepção vegana.

Sem provas científicas irrefutáveis que apontem o comprometimento da longevidade decorrente do emprego alimentar de carnes brancas e/ou vermelhas, o que se vê são sugestões fornecidas por pesquisas cujos resultados são extremamente vulneráveis sob avaliações críticas.

Um estudo publicado em 2001 no Journal of the American Medical Association (Jama) baseado em dados do primeiro Adventists Health Study (Estudo de Saúde dos Adventistas de Sétimo Dia) cede a primeira base estrutural utilizada na maioria das proposições que relacionam o vegetarianismo à longevidade. A principal crítica à pesquisa não desdenha o perfil vegetariano dos participantes, mas reivindica os outros bons comportamentos desse grupo como justificativas mais prováveis para sua longevidade que a restrição alimentar de carnes.

Desde o início deste século foram produzidas inúmeras metanálises, compilando de dezenas a milhares de estudos independentes, que demonstram em populações não selecionadas a dieta vegetariana não está associada à redução da mortalidade.

Erro grave é manter todos os carnívoros em grupo único, sem distingui-los entre aqueles mais afeitos a peixes, aves ou carne vermelha. Pior ainda é apontar os malefícios das carnes processadas pelas suas origens e não pelos agentes danosos que participam de seus métodos de produção.

As três maiores expectativas de vida no planeta são encontradas no Japão, Espanha e Singapura, com utilização preferencial de peixes pelos japoneses; peixes, frutos do mar, carnes e embutidos por espanhóis; enquanto fritada com vegetais e carnes é paixão nacional em Singapura.

Muito além de não utilizarem carnes, veganos e vegetarianos apresentam comportamentos e condutas condizentes com o bem-estar de seus corpos e do planeta, hábitos louváveis, que, se adotados por carnívoros de todas as tribos, provavelmente adicionará bom tempo de vida a todos. 

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