Política

Vereador de Morando usou carro pago por verba pública em eleição



Veículo pago pelo contribuinte de São Bernardo foi utilizado na campanha do vereador Lucas Ferreira (DEM), aliado do prefeito Orlando Morando (PSDB).

O Renault Sandero Stepway branco, de placa QUW-3579, pertence à CLD – Construtora, Laços Detetores e Eletrônica Ltda, empresa que presta serviço de operação, apoio à fiscalização, monitoramento, manutenção, supervisão e fornecimento de equipamentos voltados à sinalização viária do município.

O carro integra o pacote que serve à Prefeitura, mas foi utilizado e até adesivado com imagens de Lucas e de Morando. O democrata é filho de Zimma Francisco do Nascimento Filho, antigo assessor do tucano e figura próxima do chefe do Executivo. Ele foi diretor da ETC (Empresa de Transporte Coletivo) e hoje trabalha em cargo comissionado na prefeitura de São Paulo, chefiada por Ricardo Nunes (MDB).

O caso integra Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) movida pelo diretório municipal do PSL, comandado pelo ex-vereador e ex-prefeiturável Rafael Demarchi. A peça, que tramita na 174ª Zona Eleitoral de São Bernardo, lista série de suspeitas de irregularidades cometidas por Lucas em sua campanha, muitas delas envolvendo possível favorecimento do governo Morando à campanha do democrata com uso da máquina pública. Lucas recebeu 2.409 votos e foi eleito para seu primeiro mandato.

A confirmação de que o veículo pago pela municipalidade foi usado no projeto eleitoral do parlamentar veio pela própria CLD, em ofício enviado à Prefeitura. Assinado pela advogada Daniela Bonato Barbosa Zambelli, representante da empresa, a terceirizada diz que entregou o automóvel de placa QUW-3579 ao município para que “ele fosse utilizado pelos servidores municipais responsáveis pelo apoio técnico ou supervisão de operação”.

A CLD emendou que o controle do uso do carro é de responsabilidade da Prefeitura. “É de total desconhecimento da CLD o uso do veículo em campanha eleitoral.”

O Sandero adesivado com imagens de Lucas e de Morando foi flagrado em três situações. Uma em frente a um comitê dele e outra abaixo de uma placa de proibido parar.

Advogado especialista em direito eleitoral, Arthur Rollo classificou o episódio como “conduta grave”. “Pode não ser um bem público, mas é um serviço pago pelo poder público. Incide em conduta vedada, passível de punição”, considerou. Rollo apontou que o caso pode gerar de multa a cassação do mandato de Lucas – que, se configurado, daria lugar a Mauro Miaguti (DEM), hoje suplente. “Hoje se fala em gravidade, não potencialidade (do delito cometido). Vários pontos serão considerados antes do veredicto”, discorreu.

Demarchi comentou que ingressou com a representação por ter recebido série de denúncias de preferência do governo Morando à candidatura de Lucas com uso da máquina pública. “Não pude compactuar com o que vi e encaminhei a denúncia à Justiça. São Bernardo não é terra do vale-tudo eleitoral. O dinheiro do contribuinte precisa ser bem cuidado, não empregado em campanha de aliados do prefeito.”

A despeito de Miaguti integrar um partido da base de Morando, o ex-vereador foi um dos principais organizadores da campanha de Demarchi ao Paço no ano passado.

‘Ação é perseguição do PSL’, diz Lucas

O vereador Lucas Ferreira (DEM) negou que tenha utilizado o carro oficial na campanha do ano passado e classificou como “perseguição” a Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) movida pelo diretório municipal do PSL.

“A ação do PSL é uma perseguição pelo trabalho que desenvolvemos durante a campanha. Não foi usado nenhum carro oficial em minha campanha. Eu nunca usei nenhum carro da Prefeitura. Minha campanha foi limpa, sem qualquer irregularidade”, sustentou o democrata. “Alguns opositores políticos ingressaram com ações contra a minha eleição. No total foram quatro ações na Justiça Eleitoral. Já ganhamos três e certamente ganharemos essa também”, emendou Lucas, dizendo que, no mandato, abriu mão do automóvel oficial. “Trabalho com meu próprio carro.”

Em nota, a Prefeitura de São Bernardo, administrada por Orlando Morando (PSDB), informou que “foi aberta sindicância para apuração do episódio e a investigação concluiu que o ex-funcionário cometeu ato ilegal”, em referência a Zimma Francisco do Nascimento Filho, pai de Lucas, braço direito de Morando durante anos, ex-diretor da ETC (Empresa de Transporte Coletivo) e atual servidor comissionado da prefeitura da Capital.

“Foi determinado o ressarcimento no valor de R$ 949,18, referentes aos custos do uso irregular do veículo – o que já foi pago. O servidor foi desligado da ETC em 21 de dezembro de 2020. Caso novas denúncias de ações irregulares surjam, serão tomadas todas as medidas administrativas cabíveis”, adicionou o governo tucano.

Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários


Veja Também



Voltar