Política

CPI da OAS em S.Bernardo convida Moro e Dallagnol para auxiliar na apuração




A CPI da OAS instalada na Câmara de São Bernardo aprovou na tarde desta sexta-feira (21) o convite para que o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, que atuaram na linha de frente na Operação Lava Jato em Curitiba, no Paraná, possam contribuir com a apuração conduzida pelos vereadores sobre os contratos da empresa com a Prefeitura são-bernardense.

Moro deixou os casos referentes à operação depois que aceitou convite do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), para ser ministro da Justiça – cargo que também não ocupa mais. Deltan não está mais à frente das investigações por parte do MPF (Ministério Público Federal) após o escândalo da Vaza Jato, quando vazaram supostas mensagens de combinação entre ele e Moro sobre a condução da Lava Jato.

Segundo o relator da CPI da OAS, Julinho Fuzari (DEM), a participação da dupla poderá esclarecer pontos ainda nebulosos para a comissão. “Apresentei este convite na CPI porque entendo que ninguém mais do que eles conhecem tudo que ocorreu com relação às obras em São Bernardo. Serão de suma importância para elucidar os fatos que se encontram obscuros.”

A OAS foi uma das empreiteiras alvo da Operação Lava Jato, acusadas de relação espúria com políticos – pagava propinas em troca de contratos. O então presidente da OAS, Léo Pinheiro, em delação premiada, revelou que tinha amplo esquema para transferência de recursos em caixa dois para campanhas eleitorais e para agrados da classe política. À CPI, Pinheiro comentou que a obra do Piscinão do Paço foi combinada com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-prefeito Luiz Marinho (PT) – Marinho nega as acusações e diz que o empreiteiro tenta, com mentiras, transferir responsabilidades.

OUTROS PEDIDOS
A CPI da OAS também aprovou a convocação de Mateus Coutinho de Sá Oliveira, de Ramilton Lima Machado Junior e de Alexandre Louzada Tourinho, que atuavam no setor financeiro da construtora. Os nomes do trio foram citados em depoimentos de outros funcionários da OAS e de Pinheiro como responsáveis pela estruturação da parte financeira para pagamentos ilícitos.

O bloco encaminhou ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) recurso contra a decisão da juíza Daniela de Carvalho Duarte, da 5ª Vara Criminal de São Bernardo, que autorizou o ex-diretor Marcel Augusto Farias Vieira, convocado pela CPI, a não comparecer à oitiva. Ela já havia concedido liminar a favor de Vieira e, em decisão, ratificou o primeiro pensamento.

Segundo Fuzari, o recurso da CPI será balizado em recente decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), com relação ao depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello na CPI da Covid. Lewandowski autorizou Pazuello a não responder perguntas que poderiam resultar em autoincriminação, porém, não aceitou argumento para que ele não fosse depor – o ex-ministro foi ao Senado quarta e quinta-feira. 

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