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BRT-ABC vai criar rota que liga universidades




Entre as muitas mudanças e melhorias que são esperadas no Grande ABC com a construção do BRT (sigla em inglês para ônibus de alta velocidade), cujas obras devem começar em julho – com previsão de término no ínicio de 2023 – e que vai ligar o Terminal São Bernardo ao Terminal Tamanduateí, na Capital, passando por Santo André e São Caetano, uma das mais esperadas é a chamada “rota das universidades”. Pontos de paradas do modal, próximos a seis instituições de ensino superior vão facilitar acesso de alunos, professores e funcionários, além de permitir integração entre as cidades.

Nas 23 paradas e terminais previstos nos 18 quilômetros de corredor, duas delas não deixam dúvidas quanto à localização: Fundação ABC, em Santo André, e Instituto Mauá, em São Caetano. Além dessas, outras instituições de ensino superior vão se beneficiar da obra viária, como a Metodista e a Faculdade de Direito São Bernardo; a Fundação Santo André e a FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), em Santo André, e a USCS (Universidade Municipal de São Caetano), em São Caetano.

Para o secretário executivo do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, Acácio Miranda, o BRT-ABC vai deixar as instituições mais próximas de uma série de pessoas que dependem do transporte coletivo. “É uma forma de inserção das pessoas no ambiente universitário”, afirmou. Miranda destacou que isso pode atrair também número ainda maior de alunos moradores de São Paulo para as faculdades e universidades localizadas no Grande ABC.

Coordenador de transporte metropolitano do Instituto de Engenharia, Flamínio Fichmann destaca a importância de o projeto pensar na questão da intermodalidade, dando condições para que o passageiro utilize outros meios de transporte antes de embarcar ou quando desembarcar do BRT. “Em se falando de universitários, em jovens, pessoas que usam a bicicleta, que podem vir a usar um patinete elétrico para fazer parte do percurso”, elencou.

As novas paradas, segundo o governo do Estado, terão sistema de iluminação de LED, transformando-se em marcos urbanos durante a noite e aumentando também a segurança dos pedestres. Diretor do programa de Cidades do WRI Brasil, instituto de pesquisas sobre cidades, clima e florestas, Luis Antonio Lindau destacou que garantir bom acesso ao sistema aos pedestres é fundamental, por isso, é também preciso trabalho focado no paisagismo e na revitalização do entorno das paradas.

Coordenadora do curso de engenharia civil e arquitetura da Metodista, Marcia Aparecida Sartori destacou que, o BRT, apresentando-se como uma boa opção, alunos, funcionários e professores devem optar pelo sistema para chegar até as instituições de ensino, e pontuou o impacto positivo que viagens mais curtas e confortáveis podem ter. “É comum entre os alunos que trabalham em locais com trânsito intenso, como São Paulo, já chegarem para as aulas cansados, sem tempo de comer. Isso pode garantir mais qualidade de vida para todos”, afirmou.

Instituições esperam por aumento de alunos da Capital

A criação de um meio de transporte mais ágil que ligue o Grande ABC a São Paulo pode se refletir no aumento no número de matrículas de alunos que residem na Capital nas instituições de ensino superior da região, avaliam os porta-vozes de faculdades e universidades.

Reitor da Fundação Santo André, Rodrigo Cutri relatou que cerca de 10% a 15% dos 3.200 estudantes da instituição residem em São Paulo, mas a expectativa é que esse percentual aumente com a conclusão do BRT-ABC.

Cutri pontuou que o Grande ABC merece uma opção de transporte viário que facilite a vida da população e permita uma ligação mais rápida com a Capital. “Enxergamos positivamente o encaminhamento de uma resolução para esta discussão que vinha sendo travada já há muitos anos”, afirmou o reitor. “O assunto já foi, inclusive, tema de trabalho de graduação de alunos do curso de engenharia civil que constatou o aumento do valor imobiliário de todo o entorno das futuras estações”, concluiu.

Superintendente geral do Instituto Mauá de Tecnologia, Francisco Olivieri pontuou que a nova ligação é um antigo anseio da região e que pode ajudar no deslocamento de alunos e funcionários. A instituição, que já teve cerca de 80% dos estudantes residindo na Capital, lembra a importância de o projeto prever intermodalidades, uma vez que os jovens hoje em dia abrem mão, cada vez mais, de possuírem veículos próprios. “Alguns alunos sequer têm idade para dirigir, então, tudo isso precisa ser considerado”, avaliou. “O advento do BRT-ABC é altamente favorável, pois se configura numa solução moderna e rápida de transporte e deslocamento, sem os problemas advindos do trânsito e o estresse por eles causados”, concluiu Olivieri. Atualmente, 57% dos cerca de 3.000 alunos da graduação e da pós-graduação do Instituto Mauá residem em São Paulo.

A Universidade Metodista tem cerca de 10 mil alunos matriculados, dos quais 7,16% moram na Capital. A expectativa da instituição é a de que esse percentual aumente. “Podemos passar a vislumbrar um número mais representativo vindo de São Paulo. Atualmente, a Metodista atende alunos residentes na Vila Prudente, Ipiranga e outros bairros de São Paulo adjacentes ao nosso município. Tendo mais opções de transporte, podemos esperar um aumento no fluxo de estudantes vindos destas regiões, bem como aumentar nossa margem de captação em outras áreas da Capital”, comentou, em nota.

Na USCS (Universidade Municipal de São Caetano), 14% dos 8.000 alunos moram em São Paulo e a instituição avalia que a facilidade de deslocamento ganha, a cada dia, papel mais decisivo na jornada de escolha do estudante na hora de optar por uma instituição de ensino. “Às vezes chega mesmo a ser um fator preponderante para que um aluno dê, ou não, continuidade aos seus estudos. Muitos dos nossos alunos já atuam no mercado de trabalho, e o tempo e as condições para percorrer determinado trajeto são determinantes para que consigam conciliar os compromissos profissionais com os da vida acadêmica”, informou a instituição, em nota. “É importantes destacar que o transporte público impacta não apenas os moradores, mas, sobretudo, os alunos que trabalham em São Paulo, assim como os de outras cidades do (Grande) ABC, que também serão beneficiadas pelo BRT-ABC”, acrescentou a universidade de São Caetano.

Vice-governador e secretário vêm à região mostrar projeto

O vice-governador do Estado de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), e o secretário de Transportes Metropolitanos do Estado, Alexandre Baldy, vêm até o Grande ABC hoje para apresentar o projeto do BRT-ABC a integrantes do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. A reunião está marcada para acontecer a partir das 8h, no Salão Nobre Burle Marx, no Paço de Santo André.

A expectativa é a de que sejam dirimidas diversas dúvidas sobre o modal, como a confirmação de quantas estações terá cada cidade, qual o tempo previsto para os três tipos de viagens que o BRT-ABC deve fazer (expressa, semiexpressa e convencional), além de detalhes sobre a reordenação que será realizada nas linhas de ônibus municipais e intermunicipais das cidades que vão receber as obras do corredor, Santo André, São Bernardo e São Caetano.

Alexandre Baldy foi o responsável pela condução dos estudos que levaram o Palácio dos Bandeirantes a trocar o projeto do monotrilho da Linha 18-Bronze pelo BRT-ABC.

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