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Apaixonada por ônibus, andreense sonha em ser motorista profissional




Nascida em Tupã, no Interior paulista, a costureira Ariane Cristina de Lima, 41 anos, ainda guarda na memória o exato momento em que desenvolveu uma de suas paixões mais duradouras: os ônibus. Aos 8, quando se mudou para Santo André, a ainda garotinha se encantou pelos coletivos que circulavam pela cidade e decidiu que, um dia, ainda dirigiria um deles. Em três décadas, o amor só cresceu, a ponto de ela ostentar nos braços tatuagens de dois modelos de coletivos municipais.

“Amo esses ônibus desde que cheguei a Santo André com a minha mãe, aos 8 anos. Tatuei os dois modelos que rodam na cidade e, se tiverem novas pinturas, vou arrumar espaço para tatuar também”, diz ao Diário a moradora do bairro Condomínio Maracanã.

Enquanto trabalha costurando ternos, Ariane sonha com o dia em que poderá se habilitar para conduzir ônibus. Ela possui carteira de motorista categoria B, mas a legislação nacional exige a D para motoristas profissionais, que permite dirigir veículos para oito passageiros ou mais. “Com fé em Deus, vou conseguir”, informa.

O entusiasmo de Ariane pelos ônibus andreenses é tanto que passou a exibir na pele as imagens de dois coletivos. No ano passado, a costureira tatuou no antebraço esquerdo a primeira imagem – junto com a palavra “amo”. Já na última semana, imprimiu uma segunda versão, agora no direito, com a pintura que passou a vigorar em 2019.

Os ônibus com os novos desenhos laterais, onde se destaca a figura de beija-flor formado por triângulos nas cores verde, amarela e azul, começaram a circular em setembro daquele ano. A pintura é inspirada no traço geométrico que imortalizou quadros e esculturas do artista de Santo André Luiz Sacilotto (1924-2003).

Os primeiros carros a ganhar a nova roupagem foram os da Viação Guaianazes, empresa que integra o Consórcio União Santo André. Na última semana, quando desenhou o novo veículo no braço, Ariane publicou a foto da arte nas redes sociais pedindo ajuda para chegar até os donos das empresas, onde deseja trabalhar.

A convite do Diário, ontem ela visitou a garagem da Guaianazes. Foi uma de suas grandes emoções. “Estou muito, mas muito feliz”, repetia, encantada, enquanto o gerente geral da empresa, Marco Antônio Cavalcante Almeida, apresentava alguns dos modelos. “Muito gostoso ver os ônibus de todos os jeitos.”

O momento de maior emoção foi quando a costureira se sentou no banco de motorista de um dos ônibus. Ao colocar as duas mãos no volante, a andreense não parava de afirmar que vai buscar uma forma de conquistar a habilitação de categoria D “o quanto antes”, e que não desistirá do sonho de, um dia, trabalhar como motorista profissional.

“Não tem um motivo só, mas o principal fator de eu ser apaixonada por estes modelos é o fato de eu achar a coisa mais linda do mundo, principalmente à noite, quando estão com as luzes acesas. É muito lindo”, afirmava Ariane. Seus olhos brilhavam, possivelmente tanto quanto os da garotinha que há 33 anos ficou apaixonada quando, acompanhada da mãe, viu os ônibus andreenses pela primeira vez. 

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