Setecidades

Mãe Nossa de Cada Dia: Proteção ao aleitamento




Fabiana Cainé Alves da Graça, 44 anos, moradora de São Bernardo, teve a filha Marina há dez anos. A ideia de ser mãe foi sendo construída aos poucos, com o passar do tempo e, quando Marina nasceu, Fabiana atuava em sua área de formação, como farmacêutica. A possibilidade de ter sete meses para ficar em casa com uma bebê deu a Fabiana, por um momento, a ilusão de que haveria tempo para se organizar para um mestrado. “Achava que a licença-maternidade também servia para a gente fazer outras coisas. Foi uma ilusão que caiu muito rápido, nem deu tempo de me frustrar”, brinca. Sua determinação em alimentar a filha apenas com o leite materno nos primeiros seis meses de vida e a busca por informações a levaram a atuar como consultora internacional de amamentação, mudaram sua vida profissional e atualmente ela é apoiadora e protetora do aleitamento materno.

Desabafar sobre seu dia a dia em um blog foi a saída de Fabiana nos primeiros meses após o nascimento de Marina. De maneira espontânea, seus escritos foram chegando a várias pessoas, até que uma especialista em consultoria de amamentação entrou em contato com ela para falar sobre a necessidade de proteção ao aleitamento materno. Foi assim que ela conheceu a IBFAN Brasil (International Baby Food Action Network, ou Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar, em português) e tornou-se integrante da rede, caminho pelo qual viria a se formar consultora em pouco tempo.

Outras mulheres começaram a se identificar com o que Fabiana escrevia e ela passou a receber muitos pedidos de ajuda com a amamentação. “O que eu fazia era estender a mão. Lembro que uma das primeiras que auxiliei foi uma moça que morava em Jundiaí, que mandou um e-mail e depois nos falamos pelo telefone. Foi aí que comecei a entender que esse era um caminho sem volta”, relembra.

A farmacêutica, que chegou a iniciar uma faculdade de letras para se especializar na redação de textos técnicos e que pensava em fazer um mestrado em biotecnologia, começou a ver as suas aspirações profissionais se transformarem. Quando acabou a licença-maternidade, Fabiana largou a segunda graduação e, no retorno ao serviço público de Diadema, passou a atuar com apoio à amamentação nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

Em 2017, uma decisão administrativa determinou que ela retornasse para a área farmacêutica, mas sua vocação falou mais alto. Pediu exoneração do cargo público e passou a atuar apenas como consultora de amamentação. “Se não tivesse uma filha, jamais mudaria minha trajetória profissional. Eu era da ciência, muito dura, adorava trabalhar com vidros. A maternidade realmente mudou a minha vida”, pontua.

Após quatro anos da mudança na carreira, Fabiana afirma que não faria nada diferente, mesmo tendo passado por alguns momentos de dificuldades e incertezas nesse período. “Ser mãe significa transformação. Em amplo sentido, em tudo. Falo que é algo que nos transforma de dentro para fora, é doído, um processo longo. Cada uma tem um tempo, mas é transformador”, afirma.

A consultora finaliza dizendo que o mais dolorido na maternidade não é a necessidade de dedicação, mas entender que ela mesma não é sua única prioridade. “Tem que se dividir e você quer muito ser alguém profissionalmente, mas você tem que sempre olhar um pouquinho para trás e conciliar. Vou mais devagar, mas vou seguindo. Tem que saber que você não está mais só e que não tem mais como voltar atrás, tem que seguir em frente”, conclui.

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