Palavra do Leitor

Estatísticas que matam




Os dados estatísticos sobre a desigualdade social brasileira são alarmantes. Às vezes dá para sentir um pouco de inveja das pessoas alienadas, que ignoram a realidade social e dormem tranquilas. Não é possível ser assim, pois os números são reais e assustadores. Pesquisas de diferentes órgãos revelam que dezenas de milhões de brasileiros estão vivendo em situação de extrema pobreza e as ondas de misérias e fome vão piorar neste 2021.

Em 2019, o Brasil tinha 24 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza (11% da população), vivendo com menos de R$ 246 ao mês. Agora são 35 milhões, ou 16% do total (FGV Social). Oito de cada dez famílias de favelados têm dificuldade para se alimentar (Rede Penssan). E 59,3% dos brasileiros, ou 125,6 milhões, não consomem alimentos em quantidade ideal desde a chegada da pandemia. Ainda, 52 milhões de brasileiros vivem na pobreza (renda de até R$ 436 mensais) e 13 milhões, na extrema pobreza (renda de até R$ 151 mensais). Com o atraso e redução dos valores do auxílio emergencial, milhões de famílias continuam em situação de miséria.

Outros dados estatísticos acentuam escancaradamente a desigualdade de um Brasil que é o sétimo país mais desigual do mundo. Mais da metade dos brasileiros de 25 anos ou mais não concluiu a educação básica, e 33,1% não terminaram o ensino fundamental. Há 100 milhões de brasileiros sem acesso a sistema de esgotamento sanitário, e 35%, à água tratada. E 44 mil brasileiros são assassinados por ano, a maioria negros e pobres. O Brasil ocupa o 105º lugar no ranking de mortalidade infantil, o principal indicador de infância.

Por outro lado, insensíveis bilionários brasileiros ficaram ainda mais ricos com a pandemia, refletindo a tendência mundial de concentração de renda. Os 10% mais ricos ficam com 43% da renda nacional (IBGE, 2021). O 1% mais rico concentra 28,3% da renda total do País (RDH, ONU). Segundo a Oxfam, 2.153 bilionários do mundo têm mais riqueza do que 4,6 bilhões de pessoas, ou cerca de 60% da população mundial. No mundo, 500 mais ricos tiveram na pandemia aumento de US$ 1,8 trilhão em seus ganhos (Índice Bloomberg).

s gestores públicos precisam ficar atentos a isso, pois a pandemia vai passar, mas a miséria e a fome continuarão batendo às nossas portas. Isso vale para o Grande ABC, uma Belíndia, que tem legião de miseráveis vivendo com R$ 2,9 por dia (Setecidades, dia 25). Quando a periferia fala é melhor ouvir, construindo agenda de políticas públicas. Caso contrário, essa mesma população periférica vai exigir seus direitos. Recado à elite milionária: é melhor perder os anéis para não perder os dedos.

Cido Faria é economista graduado e pós-graduado pela Universidade Uppsala, Suécia, e coordenador do IMA (Instituto Centro de Memória e Atualidades).


PALAVRA DO LEITOR

Redução
Parabenizo os gestores da municipalidade diademense, que agilizaram ações eficazes, com o escopo de reduzir óbitos ocasionados por acidentes de trânsito (Setecidades, dia 30). O iluminista alcaide José de Filippi Júnior e equipe estão de parabéns!
João Paulo de Oliveira
Diadema


Insegurança
Somos cidadãos que pagamos nossos impostos e temos duas pandemias difíceis, que mexem com estrutura emocional todos os dias: a insegurança e a falta de contingente policial. Os governantes precisam agir, todos os dias, porque não temos paz e parece que não tem solução. Santo André merece ter dignidade.
Reginaldo Amaral
Santo André


Escondido
O ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, Luiz Eduardo Ramos, revelou ter tomado a vacina contra Covid escondido. Disse que a orientação era para não ‘criar caso’ e que ‘como qualquer ser humano, eu quero viver, pô. E se a ciência está dizendo que é a vacina, como posso me contrapor?’ Esta é a tônica deste governo: mentira, enganação. Se eles mentem entre si, imagina você, leitor, o que tem sido enganado por essa equipe manipuladora, mentirosa, desonesta e despreparada. E continuamos batendo palma. Mas o importante é que tiramos o PT e tudo mudou.
Matusalém Sampaio
Santo André


Culpada de tudo!
Mais uma vez o governo federal edita medida provisória que reduz salários e jornada de trabalho (Economia, dia 28). Mais uma vez Bolsonaro prejudica o trabalhador. É por causa da pandemia? Sim, a pandemia tem sido a culpada por tudo. Incompetência mudou de nome. Mas, com certeza, se fosse outro presidente, de qualquer outro partido, buscaria outras alternativas para salvar as empresas e os empregos. Deixaria de distribuir dinheiro ao Centrão e a seus familiares – ou acham que a mansão de R$ 6 milhões foi consequência do ‘trabalho’? Aliviaria na gigantesca carga tributária no Brasil, cortaria juros, adiaria pagamentos, enfim, existe ‘N’ maneiras. Mas não, é mais fácil apunhalar o trabalhador, tirar os direitos. E tudo isso foi avisado antes de elegerem esse ser desprezível. Agora pagamos o pato. Não é justo. Que essa conta seja cobrada de quem votou nele.
Mirtes Tomas Fávaro
Santo André


Críticas lá e cá
Engraçado ler nesta magnífica Palavra do Leitor alguns missivistas com ‘mimimi’ falando que vão cancelar assinatura porque nesta coluna tem críticas ao inominável. Se não aguentam bebam leite! Na época dos governos de Lula e Dilma o que mais tinha nessa coluna era crítica à dupla, de todos os jeitos, de várias tiazinhas, a maioria infundada. E nunca li naquele período algum petista ou só admirador dessas gestões com esse tipo de blá-blá-blá. Senhores, por favor, vamos abrir os olhos e enxergar que já deu! Este governo que aí está não tem a menor condição de governar. É muito fraco, desinteligente. Defendê-lo é atitude egoísta, de desinformados. Acordem!
Paulo Cesar Teixeira Ruas
São Bernardo


Manutenção – 1
Solicito ao Dpav (Departamento de Parques e Áreas Verdes), da Prefeitura de Santo André, o serviço de poda para as árvores da Rua Guaxinduva, no Parque Jaçatuba. As plantas já quebraram as calçadas e os pedestres têm de circular pela via, já que é quase impossível caminhar pelo passeio. Também corre-se o risco de curto-circuito, porque cresceram muito e agora estão entrelaçadas aos fios, o que pode causar curto-circuito em caso de ventos fortes. Não há necessidade de cortes drásticos, mas é preciso fazer a manutenção e, assim, evita-se que ocorram prejuízos aos transeuntes e moradores do local.
Paulo César Carneiro
Santo André


Manutenção – 2
Peço, por gentileza, que a Prefeitura de Santo André envie à Travessa Cervantes, na Vila Silvestre, equipe para podar as árvores da via, que estão muito grandes e enroscadas nos fios de alta-tensão. Quando tem chuva com ventos fortes, o que faz com que as árvores empurrem os fios, que encostam uns nos outros, causando até faíscas, nós, os moradores dessa via, corremos o risco de picos de energia e queima de eletrônicos e eletrodomésticos, o que já ocorreu. Ligamos e pedimos à Enel, mas, além de má vontade, ainda empurra obrigação à Prefeitura, afirmando que a administração municipal é que tem de fazer o serviço, quando todos sabemos que é a Enel que tem de desligar a rede para que o serviço seja feito com segurança. Prefeitura, por favor, não faça jogo de empurra.
Israel Arruda de Medeiros
Santo André


Vacinas
Seria cômico se não fosse trágico! Digo do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que dia 30 pediu aos países que têm doses excedentes de vacina que doem ao Brasil. Também informou que nosso ‘querido’ governo federal está próximo de assinar contrato para comprar 100 milhões de doses do imunizante da Pfizer e que é possível que toda população brasileira seja vacinada contra esse terrível mal até o fim deste ano. Falou essas asneiras em coletiva para agradar aos integrantes da OMS (Organização Mundial da Saúde). Só pode! Por que não lembrou que seu presidente rejeitou no ano passado desta mesma Pfizer 70 milhões de doses da vacina dela, que chegariam até dezembro? Que deste total, 3 milhões teriam sido entregues em fevereiro passado? Por que tentar esconder que temos presidente irresponsável? Acha que o mundo já não percebeu? Somos a vergonha mundial por causa do presidente que ora desgoverna o País. São mais de 400 mil mortes que podem ser creditadas a ele.
Ivete Romão Fuentes
Santo André 

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