Política

Aliados de Adriana furam fila da vacinação na FUABC




Oito funcionários de setores administrativos da FUABC (Fundação do ABC) foram vacinados contra a Covid-19 sem figurarem na lista de prioridade da imunização. O Diário teve acesso a uma denúncia, também encaminhada à direção da entidade, atualmente comandada por Adriana Berringer Stephan, mostrando que esses colaboradores foram incluídos em uma lista de 80 profissionais da saúde imunizados ligados à organização social de saúde da região.

No dia 7 de abril, o reitor do centro universitário da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), infectologista David Uip, encaminhou ofício à Prefeitura de Santo André solicitando 80 doses da vacina para aplicar em trabalhadores de ambulatórios gerenciados pela instituição. As primeiras doses já foram aplicadas, mas em São Caetano e não na rede andreense.

Junto ao ofício, Uip encaminhou lista de 80 funcionários. O documento mostra o CPF e as áreas de atuação dessas pessoas – todas atuam ou em laboratórios ou em ambulatórios, nas áreas de neurologia, cardiologia, dermatologia, psiquiatria, infectologia, endocrinologia, urologia e análises clínicas. Uip assegura que o PNI (Plano Nacional de Imunização) será seguido – o PNI é diretriz que estabelece a ordem de vacinação, com critérios etários e de atuação profissional. Ou seja, funcionários da área da saúde estão na prioridade.

No rol estão Vanessa Calipo Leandro, Magali Barbosa Gonçales, Eduardo Asêncio do Nascimento, Ana Paula Barros de Queiroz, Patrícia Veronesi, Ana Paula Carneiro da Costa e Rosimeire Roberta de Siqueira. O Diário apurou que na primeira leva de imunizados estava Sandro Tavares. Nenhum deles, porém, trabalha na linha de frente de ambulatórios médicos mantidos pela FUABC.

Vanessa é gerente administrativa. Magali, gerente de Recursos Humanos. Eduardo do Nascimento gerencia o setor de comunicação. Ana Paula Barros é diretora de RH. Patrícia Veronesi comanda a Central de Convênios. Ana Paula Carneiro é gerente do departamento jurídico. Rosimeire, gerente financeira. Sandro Tavares é gerente jurídico. A lista é composta por funcionários de chefia na Fundação e alguns deles contam com excelente relação com Adriana, como Patrícia Veronesi.

Com exceção de Sandro, que já teria tomado as duas doses, todos receberam a primeira dose da Astrazeneca em unidades de São Caetano, cidade que indicou Adriana Berringer Stephan para comandar a FUABC. A aplicação aconteceu no dia 20 de abril, conforme a denúncia que chegou à presidência e a qual o Diário teve acesso.

O Diário apurou que o caso foi pauta principal do conselho de curadores da FUABC e que, no encontro, Adriana teria relatado que a denúncia era falsa e que era vítima de campanha difamatória. Todos os movimentos para que houvesse apuração rigorosa foram derrubados por aliados da presidente dentro do colegiado.

Ao Diário, a FUABC disse que a denúncia sobre fura-fila da vacinação de funcionários que não integrariam é “falsa” e que o Ministério Público e a direção da FMABC foram acionados para acompanhar e dar respostas ao caso. “Todos os colaboradores mencionados estão à frente em suas áreas de projetos para o enfrentamento da pandemia, como ambulatórios e hospitais de campanha, em contato direto com ambientes com pacientes contaminados pela Covid-19, assim como com os profissionais de saúde que atuam na assistência aos casos suspeitos e confirmados da doença”, reforçou a entidade. “Todos os profissionais da Fundação do ABC mencionados pela reportagem estão qualificados como trabalhadores da saúde e foram vacinados pelo centro universitário da Faculdade de Medicina do ABC, em total concordância com o Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19, justamente porque frequentam ambientes contaminados, hospitais de campanha e os ambulatórios Covid-19 gerenciados pela Fundação do ABC.”

A FUABC alegou ainda que “não recebe doses de vacina e tampouco define os públicos prioritários”. “Esse trabalho é realizado pelo comitê de contingência do centro universitário Faculdade de Medicina do ABC, que já aplicou internamente 879 doses de vacinas contra a Covid-19, em total concordância com o Plano Nacional de Vacinação (confira a íntegra da resposta abaixo).” Também declarou que nenhuma explicação foi dada pelo centro universitário até a conclusão desta reportagem.
 

Sindicâncias são instaladas para apurar denúncia da imunização

Fábio Martins
Do Diário do Grande ABC

Sindicâncias foram instauradas nas prefeituras de Santo André e de São Caetano, além de na FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), para apurar a denúncia de que funcionários da FUABC (Fundação do ABC) ligados à presidente da instituição, Adriana Berringer Stephan, furaram fila da vacinação contra a Covid-19.

No caso da Prefeitura de Santo André, administrada por Paulo Serra (PSDB), o objetivo é apurar se houve tentativa deliberada de desrespeito ao PNI (Programa Nacional de Imunização) com fornecimentos de dados adulterados – colaboradores da FUABC citados como funcionários da linha de frente de combate à pandemia atuam, na realidade, em setores administrativos na sede da Fundação, na Vila Príncipe de Gales.

Já o Paço de São Caetano, gerido por Tite Campanella (Cidadania), anunciou a instalação de sindicância para investigar se as primeiras doses aplicadas nesses funcionários ligados a Adriana foram feitas a partir da lista da FUABC com mudança da atuação profissional.

Em entrevista à TV Globo, a secretária de Saúde de São Caetano, Regina Maura Zetone, confirmou a apuração interna. “Se fossem trabalhadores administrativos em hospitais, a gente tem essa liberalidade (de aplicação), pois podem se contaminar no hospital. Pelos nomes que foram indicados, eles trabalham no prédio administrativo da Fundação do ABC”, citou.

Reitor do centro universitário da FMABC, David Uip disse considerar “gravíssima” a denúncia. “Não sei se essa lista foi adulterada, fabricada ou erro dentro do centro universitário que se contrapõe à ordem expressa de contemplar aqueles que estão inseridos nos grupos prioritários do Programa Nacional de Imunização. Abri a sindicância e vou apurar a fundo.”
 

Veja íntegra da nota da FUABC ao Diário:

Em atenção à reportagem do Diário do Grande ABC, a Fundação do ABC informa que são falsas as denúncias de “fura-fila” por funcionários do setor administrativo da instituição. Todos os colaboradores mencionados estão à frente em suas áreas de projetos para o enfrentamento da pandemia, como ambulatórios e hospitais de campanha, em contato direto com ambientes com pacientes contaminados pela Covid-19, assim como com os profissionais de saúde que atuam na assistência aos casos suspeitos e confirmados da doença.

Todos os profissionais da Fundação do ABC mencionados pela reportagem estão qualificados como “Trabalhadores da Saúde” e foram vacinados pelo Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), em total concordância com o Plano Nacional de Vacinação Contra a Covid-19, justamente porque frequentam ambientes contaminados, hospitais de campanha e os ambulatórios Covid-19 gerenciados pela Fundação do ABC.

Vale ressaltar que a Fundação do ABC não recebe doses de vacina e tampouco define os públicos prioritários. Esse trabalho é realizado pelo Comitê de Contingência do Centro Universitário FMABC, sob responsabilidade do Prof. Dr. David Everson Uip, que já aplicou internamente 879 doses de vacinas contra a Covid-19. É o Comitê de Contingência que determina as prioridades conforme o Plano Nacional de Vacinação, distribui e aplica as doses, garantindo o pleno funcionamento dos serviços assistenciais e de apoio, assim como a se gurança aos trabalhadores da saúde.

No Ofício GRE N°143/2021, de 7 de abril, pelo qual o Centro Universitário FMABC solicita doses de vacina à Prefeitura de Santo André, identificou-se que todos os 80 nomes listados não mantinham relação direta com os setores mencionados no documento e não trabalhavam nos ambulatórios mencionados, mas sim em áreas administrativas.

Diante disso, a Fundação do ABC notificou o Ministério Público e solicitou explicações urgentes ao reitor do centro universitário da FMABC, professor doutor David Uip, assim como a imediata retificação do documento, com a inclusão de nomes e demais dados corretos. Até o momento, a Fundação do ABC não recebeu as explicações sobre os erros identificados no documento do centro universitário.

Conforme noticiado pelo Diário, o tema foi pauta da reunião de hoje do conselho de curadores e os conselheiros representantes dos municípios afirmaram que todos os funcionários que trabalham nas secretarias de saúde dos municípios, inclusive os cargos administrativos, já foram vacinados e que não há absolutamente nenhuma irregularidade na vacinação dos trabalhadores da saúde da Fundação do ABC.

Por fim, a Fundação do ABC reitera que todos os seus funcionários vacinados são trabalhadores da Saúde, com funções específicas, ligados diretamente ao combate à pandemia e com presença constante em ambientes contaminados, cuja imunização está prevista e em conformidade com o Plano Nacional de Vacinação Contra a Covid-19.”

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