Diarinho

Apaixonados por defender o gol




Tão importante quanto fazer o gol é não deixar que a bola chacoalhe a rede. Quando o assunto é futebol, muita gente lembra sempre dos atacantes, mas dentro de campo o goleiro é também uma das peças mais importantes, principalmente quando a decisão da partida é nas cobranças de pênaltis.

E amanhã, dia 26, é celebrado no Brasil o Dia do Goleiro. A data foi escolhida por ser o dia de nascimento do pernambucano Haílton Corrêa de Arruda. Conhecido como Manga, defendeu a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1966 e é considerado um dos maiores nomes do futebol brasileiro.

Muita criança que gosta de futebol sonha ser um grande atacante. Mas há também os que já se empenham muito para se tornarem grandes goleiros. É o caso de Enrico Sernagiotto Lopes, 10 anos, morador de São Caetano.

Corintiano nato e com uma queda pelo Flamengo, Enrico começou a jogar futebol por influência do pai e do avô. Brincava de bola com o irmão, no quintal de casa, e o gosto começou a crescer.

Quando tinha 6 anos, Enrico conta que o técnico do time onde jogava falava para seu pai que ele tinha mais talento no gol do que em outra posição. “Um dia faltou goleiro, mas meu pai não me deixava jogar como goleiro”, recorda. Depois de uma conversa em família, Enrico assumiu a posição e gostou muito. “Me apaixonei por ser goleiro”, conta. Depois daquela primeira experiência no gol, não jogou mais em outro lugar.

Federado, joga pelo RSFC São Caetano e já tem uma certeza. Quando crescer, quer ser goleiro profissional de futebol de campo. “Queria dizer que o esporte ensina muita coisa, como aprender a perder e ganhar, e respeitar os adversários e colegas. Jogar futebol me faz muito bem e me deixa feliz, porque faço várias amizades dentro de campo.”

Assim como Enrico, Samuel Pocay da Silva Pitao, 12, também gosta de jogar no gol. O andreense conta que na sua casa seus pais gostam muito de futebol. E com ele não foi diferente. Torcedor do Sâo Paulo, ele conta que antes da pandemia da Covid-19 ia com a família aos estádios assistir aos jogos. “Adorava ver a torcida da Gaviões da Fiel fazendo espetáculo”, conta. Samuel joga como goleiro. Começou quanto tinha 8 anos, como zagueiro.

“Meu tio foi goleiro no Clube Atlético Aramaçan (em Santo André) e por dois anos seguidos ganhou troféu de goleiro menos vazado. Ele fazia a diferença e eu queria fazer também”, conta.

Samuel diz que treinava em dois locais e participava sempre de campeonatos, mas, com a chegada da pandemia, as atividades estão pausadas.

Para ele, a posição de goleiro é a mais importante dentro de campo. “Infelizmente, às vezes fazemos tudo o que está ao nosso alcance, mas também precisamos de um boa zaga para nos dar suporte”, explica.

Ao entrar em campo, o foco de Samuel é todo na partida. Diz que sempre se concentra e faz uma oração. “É um momento muito meu. Mas o nervosismo é muito grande. Tento me acalmar para enxergar o jogo.”
Seu sonho é se tornar profissional e trabalhar como goleiro. “Quero me esforçar ao máximo que posso e aprender sempre mais para que isso se torne mais provável.”
Assim como com Enrico, o futebol também faz bem para Samuel. “Me anima muito”, diz. Ele conta que leva a tarefa muito a sério. “Às vezes saio nervoso (do jogo). Não gosto de perder. Mas com o tempo aprendi a entender que estou lá para aprender, na vitória ou derrota.”

Atletas fazem história defendendo as redes

A história do futebol brasileiro conta com grandes goleiros. Um deles é Cláudio André Mergen Taffarel, gaúcho de Santa Rosa. Passou pelo Internacional e também pelo italiano Parma. O ponto alto da carreira do ex-jogador foi a conquista da Copa do Mundo de 1994, pela Seleção Brasileira, quando o Brasil venceu a Itália por 3 x 2 nos pênaltis.

Outro que fez história foi Gylmar dos Santos Neves (1930-2013). Com passagens pelo Corinthians, entre 1951 e 1961, e Santos, de 1962 a 1969, o goleiro ficou marcado também pela atuação na Seleção Brasileira, com mundiais conquistados em 1958 e 1962.

As mulheres também fazem história na hora de defender o gol. É o caso de Bárbara Micheline do Monte Barbosa, atual titular da Seleção Brasileira feminina. A pernambucana defende também a equipe catarinense Avaí Kindermann. Pelo Campeonato Catarinense conquistou três títulos, em 2017, 2018 e 2019. Passou ainda pelo Sport Club do Recife e por times europeus.

No fim dos anos 1980 e na década seguinte, outro nome que brilhou no futebol brasileiro foi Armelino Donizetti Quagliato, o Zetti. O paulista teve passagens pelo Palmeiras e depois pelo São Paulo, onde conquistou campeonatos como o Paulista, em 1991 e 1992, e o Brasileiro de 1991. Sua lista conta ainda com mundiais Interclubes de 1992 e 1993. Em 1994, foi reserva de Taffarel na Copa do Mundo.

Ídolo da atual geração, o goleiro Cássio Ramos, de Veranópolis, Rio Grande do Sul, é outro que está fazendo história. Saiu do futebol holandês e ingressou no Corinthians em 2011. No time, até agora, conquistou títulos como Mundial de Clubes de 2012, e Paulistas de 2013, 2017, 2018 e 2019, entre outros campeonatos. O jogador também vestiu a camisa da Seleção Brasileira, com quem, em 2019, faturou a Copa América, em final disputada contra o Peru e vencida por 3 x 1.


Ex-goleiro, Sérgio Guedes dá dicas para iniciantes

A vida de goleiro exige dedicação. Técnico do Água Santa, de Diadema, o ex-jogador Sérgio Guedes, 58 anos, é prova disso. O atleta, que teve passagens por clubes como Ponte Preta, Coritiba, Internacional e Santos, entre outros, explica que os jovens que sonham em seguir essa profissão precisam ter postura de liderança, e saber coordenar.
O profissional cita ainda ser necessário ter tranquilidade e frieza. “Treinar bastante para que as coisas aconteçam”, afirma.

Sérgio conta que sua experiência dentro de campo o ajuda muito agora, como técnico. “Goleiro é muito disciplinado, centrado. A gente passa a ser mais detalhista. A gente pensa e pondera muito.”

Sérgio explica que a posição responsável por defender o gol é a mais cobrada dentro de campo. Ele conta que quando um jogador erra pênalti ou um chute, o jogo segue.

Mas quando a jogada é com goleiro, é diferente. “É a última instância, maior posição de cobrança mesmo. Costumo dizer que goleiro é posição de confiança, tanto para quem joga, para torcida, quanto para quem contrata.”

Em 1989, quando passou a fazer parte do Santos, Sérgio teve uma missão pela frente, que foi a de substituir o goleiro uruguaio Rodolfo Rodriguez, estrela do time. Ele se recorda que foi um desafio, pois era um clube que impactaria sua carreira. “A grande oportunidade, talvez, da minha afirmação (como jogador). Foi bom, pois na estreia peguei dois pênaltis. Isso foi bacana. Eu estava preparado”, encerra.

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