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Após diagnóstico de Parkinson, aposentado constrói elevador em casa


Há 21 anos um diagnóstico mudou a vida do aposentado José Roberto Martinez, 68, morador do bairro Santa Maria, em São Caetano. Ele ouviu dos médicos que iria desenvolver o mal de Parkinson – distúrbio do sistema nervoso central que afeta os movimentos –, que causou rigidez muscular e que com o tempo iria dificultar a coordenação motora. Sem tempo para lamentar, o ex-metalúrgico resolveu fabricar e instalar elevador particular para que, quando estivesse mais debilitado, pudesse acessar o andar de cima do sobrado onde mora. O equipamento, atualmente, é o que lhe permite ter essa independência.

Martinez deu início ao projeto sozinho, em 2015. Na época, o aposentado, que trabalhou 22 anos em grandes montadoras da região, pesquisou valores no mercado para a instalação de um elevador e viu que o custo era muito alto, na média de R$ 35 mil. Diante isso, resolveu buscar soluções mais baratas, como itens em comércios de reciclagem ou em “feiras de garagem”, principalmente, pelos motores, o que levou o aposentado a gastar cerca de R$ 5.000 para adaptar o elevador.

“Já queria montar sozinho, pesquisei os valores para ter uma ideia, mas eu conseguia fazer, conseguia colocar o plano em prática com custo bem menor do que o do mercado, indo atrás de peças nos antigos ferros velhos”, detalhou Martinez.

O aposentado lembra que todo projeto foi dividido em três etapas. A primeira parte foi destinada aos estudos de toda estrutura e definição do local dentro da casa. Já a segunda etapa integrou a parte do peso do equipamento e quanto poderia sustentar. E, por último, adaptação entre a parte elétrica com a mecânica. Nas duas últimas etapas, Martinez precisou de ajuda de pelo menos quatro amigos que já trabalhavam com isso. “A cobertura (do elevador), portas e outros detalhes, vieram tudo do ferro velho. Os controles para acionar o elevador, na época, compramos em feiras”, explica.

A capacidade do equipamento é de até duas pessoas, com peso máximo de 170 quilos. A vantagem da adaptação do elevador foi que no térreo o equipamento tem duas portas, possibilitando a saída do usuário tanto direto para a garagem quanto na saída principal. Segundo ele, a adaptação não era possível com elevador pronto, ou o custo seria ainda maior.

Outro mecanismo fundamental e seguro do equipamento é a programação das portas de segurança. Caso não estejam fechadas corretamente, ou se, por algum motivo abrirem no meio do percurso, o elevador para de funcionar até que seja fechada de novo para finalizar o trajeto.

EXPERIÊNCIA
O dom e o empenho em mexer, montar e desmontar equipamentos não veio de uma graduação, tão pouco de curso especializado na área. Martinez trabalhou 22 anos em montadoras da região, onde, segundo ele, conseguiu bagagem e ideias inovadoras e muitas delas, auxiliam no dia a dia (leia mais abaixo). “Foram dez anos na GM (General Motors) e 12 na Volkswagen. Lá (na Volks) passei pela área de ferramentaria e, depois, fui para o setor de engenharia, onde participava da construção de protótipos dos veículos. Tudo que sei hoje aprendi durante os anos”, relembra o Martinez, que se aposentou em 2000 por causa da doença.

Há pelo menos um ano o morador de São Caetano começou a sentir os efeitos mais severos da doença, principalmente pelas complicações na coluna e, por isso, comemora a iniciativa de ter feito a adaptação. “Usamos todos os dias, é uma necessidade. Por exemplo, quando chego do mercado, utilizo o elevador para subir as compras. Facilita a nossa vida”, completa Mariza, mulher de Martinez. 


Ex-metalúrgico adapta outros itens

José Roberto Martinez fez outras adaptações em casa para facilitar a rotina. Em seu quarto, por exemplo, o aposentado percebeu que ficaria difícil se levantar da cama sem ajuda e como sua mulher, Mariza, 69 anos, não teria força para carregá-lo, montou suporte que fica preso no teto do cômodo. Ao acordar, ele aciona o equipamento, que serve como um colete, no qual, encaixa os braços e consegue se levantar.

Em paralelo, a cama ainda possui um encosto que também se levanta e fica mais fácil para o aposentado se apoiar no suporte. Tudo adaptado e montado por ele. “Tanto para deitar quanto para se levantar é um suporte especial. Eu não teria força para ajudá-lo, então, ele já fez pensando em mim também, pois sabia que seria difícil”, comenta Mariza.

O morador de São Caetano ainda possui uma bengala para ajudá-lo a andar. Nesse item, Martinez implantou um laser vermelho, que quando a bengala é colocada no chão, a cada passo ela acende, e o objetivo é fazer com que o aposentado se locomova sempre diante do laser, ou seja, seus passos devem ultrapassar a luz vermelha, incentivando a fazer essas caminhadas rotineiras.

“Desde pequeno gostava de desmontar e montar carrinhos de brinquedo. Sempre gostei de mexer nas coisas e agora não é diferente. Hoje, a vida me limita bastante, mas o que eu puder fazer para ajudar, eu vou fazer”, finaliza Martinez.
 

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