Política

PDT escanteia figuras do caso ‘laranjal’ em Diadema


A cúpula do PDT no Grande ABC interveio no impasse envolvendo o comando do partido em Diadema e nomeou novo diretório sem a participação das principais figuras da legenda atualmente: o ex-prefeiturável Ronaldo Lacerda e o único vereador da sigla na cidade, Jeferson Leite. A dupla está diretamente ligada à denúncia de candidatura laranja no pleito do ano passado, como revelou o Diário no começo deste ano.

O PDT diademense já estava sem comando desde janeiro, quando o então presidente do diretório local, Roberto Holanda, renunciou ao posto justamente depois de o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) iniciar investigação sobre possível fraude à cota de gênero na formação da chapa de candidatos a vereador.

O caso implodiu não só a então direção do partido como impôs racha generalizado, a ponto de pedetistas atuarem nos bastidores para fritar Lacerda, que foi nomeado secretário de Habitação do governo do prefeito José de Filippi Júnior (PT), e pôr em xeque o único mandato que o partido conquistou no pleito do ano passado – ex-dirigentes foram à Justiça Eleitoral denunciar os próprios correligionários.

A exclusão de Lacerda e de Leite do comando do partido tornou oficial o distanciamento entre as duas lideranças e o PDT. Oriunda do PT, a dupla se reaproximou do petismo no segundo turno da eleição, quando declarou voto em Filippi e enterrou disputas políticas travadas no PT desde a eleição de 2018. Eleito vereador pelo PT por dois mandatos, Lacerda deixou a sigla no ano passado, depois de ter sido alijado da disputa pela vaga de vice de Filippi – afilhado político, Leite seguiu o mesmo caminho. Dois anos antes, Lacerda também havia peitado a nata do partido ao se lançar candidato a deputado federal a despeito de o então ex-prefeito também ter se candidatado à Câmara Federal – os dois saíram derrotados daquela disputa.

A denúncia sobre a possível existência de laranjal no PDT diademense envolve a candidatura de Thaina Freire a vereadora. A pedetista teve zero voto, sequer registrou movimentação financeira e é suspeita de ter sido candidata de fachada para o PDT cumprir a cota de mulheres na chapa. Na denúncia que tramita na 222ª Zona Eleitoral da cidade (Centro), há documentos que revelam que Ronaldo Lacerda teria admitido a prática. Nos autos, há transcrição de áudio, atribuída ao ex-petista, que diz: “Ou a gente colocava uma candidata mulher ou cortava dois homens(da chapa)”. O Diário teve acesso ao arquivo e identificou que a voz é idêntica à de Lacerda.

O processo ainda segue em investigação e, segundo a jurisprudência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a prática pode levar à cassação de toda a chapa, inclusive do mandato de eleitos à Câmara. Tanto Lacerda quanto Leite sustentam que não foram responsáveis pela escolha dos candidatos a vereador pela legenda. O novo presidente da sigla na cidade é Jackson Emanuel de Queiroz Souza.

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