Memória

Saibam todos que ele é do Parque...




Em julho de 1983, o ator veio à Redação do Diário. Foi fotografado. E nos concedeu uma longa entrevista, a princípio para constar do livro A Operária Utinga. Foi um belo retorno no tempo.

Corriam os anos 1940.

Petrin, menino, ator.

Comecei a fazer teatro amador no Parque das Nações. E logo descobri que o teatro era minha profissão. Depois percorri todos os caminhos até chegar a este ponto em que sinto quase a obrigação de voltar e dizer obrigado às pessoas e ao próprio local que me deram a chance de descobrir o teatro. Porque quando você tem a chance de descobrir a sua profissão, é ótimo. A maioria da juventude não tem nem essa oportunidade, vai descobrindo a vida de outro jeito, na porrada de tudo quanto é lado.
Aí eu cheguei pra minha mãe e disse:
– Diga ao padre que eu quero fazer um espetáculo beneficente, não cobro nada. Venho. Faço o espetáculo, instalo tudo e não quero um cruzeiro.
Eu quero não só dar essa contribuição; eu quero é uma volta ao meu ponto. Quero voltar ao local onde exercitei os primeiros passos.
Foi o que aconteceu. Outro dia fui ao auditório. Já não me lembrava do espaço. Fui entrando e senti que estava voltando ao passado. Lembrei tudo o que a gente tinha feito no Parque, representando aquelas histórias de santos, de igreja, O Mártir do Calvário, aquelas coisas bem religiosas.
Na mesma Rua Suíça tem a sede do Esporte Clube Parque das Nações e do lado, onde era a antiga igreja, a gente fazia teatro. Isso depois que a igreja foi desativada e virou auditório.
Foi neste auditório que conheci minha mulher. Casei fazendo teatro amador ali, naquela igreja.
Lembro que era garotinho e representava. Agora vou voltar e quero ver se eles convidam as pessoas que devem estar espalhadas por aí, pessoas que começaram aí, fazendo teatro...
Havia problema de preconceito geográfico aqui em Santo André. Do lado de lá da linha era outra civilização, do lado de cá da linha era outra. A elite aqui, os índios lá, como se dizia. Inclusive havia grandes brigas quando jogava um time daqui com um time de lá. Porque onde é a igreja do Bonfim era um grande campo de futebol.
Tinha um bosque imenso ali. Pra que se tenha ideia, eu tinha 6 ou 7 anos de idade e estava assistindo a um jogo de futebol onde é hoje a igreja e de dentro do bosque saiu um veadinho. Daí se tem uma ideia da realidade de então. Devia até haver outros tipos de animais.
A gente ia dançar ali em Santa Teresinha, que a gente chamava “pó preto”. Era o clube de Santa Teresinha, o “pó preto”.
O salão não tinha cimentado. Era terra batida, preta. Então o que eles faziam? O baile começava às 10h da noite. Antes do baile eles jogavam água e deixavam o chão úmido. Algum tempo depois aquela água evaporava e começava a levantar pó preto.
O pessoal, de terno branco e gravata, porque jamais alguém aparecia vestido de outro jeito, ficava imundo. O colarinho ficava preto e minha mãe, louca da vida. Mas era um baile delicioso. Ninguém tinha grana, a miséria campeava. Então os bailinhos eram as grandes diversões.

A verdade sobre a Coluna Prestes

Texto: Milton Parron

A Coluna Prestes – assunto sempre recorrente em salas de aulas e exames vestibulares – foi um movimento político-militar ocorrido entre 1924 e 1927 ligado ao chamado tenentismo.
O principal motivo para a criação do movimento foi a insatisfação com o governo de Arthur Bernardes e o regime oligárquico característico da República Velha, conhecido como política do café com leite. Suas reivindicações eram a exigência do voto secreto, a defesa do ensino público e a obrigatoriedade do ensino secundário para toda a população, além de acabar com a miséria e a injustiça social no Brasil.
Em seus dois anos e meio de duração, a Coluna percorreu 25 mil quilômetros. Viajou por 13 Estados brasileiros. No total, 1.500 homens: uma maioria de trabalhadores do campo, analfabetos e semianalfabetos.
Cerca de 50 mulheres também participaram da marcha, que levou o nome de um de seus idealizadores, Luis Carlos Prestes.
Em março de 1986, Prestes deu uma longa entrevista ao repórter Bahia Filho, da Rádio Bandeirantes. Ele conta detalhes, dá informações sobre o episódio, esclarece aquilo que boa parte dos historiadores, por desconhecimento, ou má-fé, relatam de maneira dúbia em seus livros.
A entrevista na íntegra irá ao ar no programa Memória deste fim de semana.
Em pauta – Rádio Bandeirantes AM (840) e FM (90,9) – A fala de Prestes. Produção e apresentação: Milton Parron. Hoje, sábado, às 22h, com reprise amanhã, domingo, às 7h, e durante madrugadas da semana.

Diário há meio século
Sábado, 17 de abril de 1971 – ano 13, edição 1513
Meio Século – Diário do Grande ABC publicava a primeira coluna Confidencial, dedicada ao esporte e mantida até hoje: Luis Romão foi o primeiro titular; hoje a coluna tem à frente Dérek Bittencourt. São 50 anos de história, boleiros! E grandes cronistas que por aqui passaram.

Em 17 de abril de...
1921 – A Câmara Municipal de São Bernardo, em sua sessão de 2 de abril, autoriza a Prefeitura a abrir concorrência para os serviços de água e esgoto de São Caetano.
- Decisão do Campeonato de Futebol do Interior: Corinthians Jundiahiense 3, Sãojoanense 1, no lotado campo da Floresta, em São Paulo. O time de Jundiaí sagra-se campeão.
- Pianista Maria Carreras faz concerto de despedida no Theatro Municipal de São Paulo, interpretando Bach, Beethoven e Chopin.
1971 – Primeiro de Maio FC, de Santo André, faz sua estreia internacional no voleibol masculino. Recebe o Desportivo Colon do Paraguai, que vence por 3 sets a 0.
1991 – Falece Rolando Frati, liderança popular que por décadas atuou no Grande ABC, projetando seu nome no País e Exterior.

Santos do dia
- Roberto de Molesques.
- Aniceto, Arcangelo, Vanda, Isidora.
Aniceto - Nasceu na Síria e foi papa entre 154 e 166, ano em que foi martirizado.

Municípios brasileiros
- Hoje é o aniversário de Jarinu, município do Estado de São Paulo.
A história de Jarinu remonta ao século XVII. A localidade pertenceu ora a Atibaia, ora a Jundiaí. Obtém a emancipação político-administrativa em 17 de abril de 1949.
- Aniversariam, também em 17 de abril, Arroio do Padre, Pinhal da Serra, Santa Margarida do Sul e Taquara (Rio Grande do Sul); Bacabal (Maranhão); Barro Preto (Bahia); Ibiara (Paraíba); Maripá, Marmeleiro e São José das Palmeiras (Paraná); e São Sebastião do Alto (Rio de Janeiro). 

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