Memória

Adolpho Kirstens salvou seu boi Uma cobrança histórica




 “Tamanduateí, irmão de minha infância, quantas vezes nu meu corpo de menino, com o desafio de minha petulância, tivestes envolto nos teus torvelinos.” Do poema A Morte do Meu Rio, de Holando Lacorte. Hoje são capivaras que frequentam o rio transformado em canal de esgotos.

Fim da década de 1930. Adolpho Kirstens, filho de alemães, tinha chácara próxima ao espaço que mais tarde viria a ser a Vila Alto de Santo André. Foi quando um de seus quatro bois fugiu, misteriosamente. Onde teria se metido o animal? O carreiro Brás, muito conhecido em toda a área, foi quem deu a primeira pista.
– ‘Seo’ Adolpho, corre que o seu boi seguiu uma vaca e foi parar no matadouro do Martinelli.

A pista estava certa. Adolpho Kirstens e o filho Carlos correram para o matadouro, localizado onde depois foi construída a Garagem Municipal, às margens do Rio Tamanduateí, hoje espaço da Universidade Federal do ABC, campus de Santo André.

Pai e filho reconheceram o boi fujão. Era o oitavo da fila para ser sacrificado num corredor do matadouro. ‘Seo’ Adolpho conversou com o encarregado, contou o caso e foi autorizado a pegar o boi de volta, desde que o animal o acompanhasse, não criasse problema. Caso contrário viraria carne de açougue mesmo.

Carlos Kirtus (Kirtus e não Kirstens como o pai, por erro do catório), que nos contou esta história, lembra que tudo deu certo. O boi, vermelho, de chifres enormes, olho com uma lista branca, o mais bonito do matadouro, reconheceu o dono. Levantou a cabeça e lambeu o velho Adolpho, que chorou como criança e voltou para a sua chácara conduzindo o animal de estimação.

Adolpho Kirstens nasceu em Rio das Pedras, em São Paulo, adiante de Sapopemba, em 1893, e faleceu na Avenida Dom Bosco, em Utinga, em 1962. Era casado com dona Virgínia (1902-1961). Tiveram sete filhos: Inês, Margarida, Elizia, Carlos, Claudelina, Roberto e Silvio.

Professor Takara: as três irmãs mais velhas – Inês, Margarida e Elizia – estudaram na escola Torrinha, como veremos nesta série, a seu pedido.

Diário há meio século
Domingo, 11 de abril de 1971 – ano 13, edição 1508
Manchete – Municipal se prepara para a sua estreia
Em 13 de abril de 1971, a primeira voz a ser ouvida no palco do Teatro Municipal de Santo André seria o da atriz Sonia Guedes, andreense, natural de Paranapiacaba.

Estariam ainda no palco em cena Antonio Petrin e Luzia Carmela.

Aos poucos surgiriam Cláudio Correa e Castro, Henrique Lisboa, Paco Sanches, João Batista Acaibe, Geraldo Rosa, Augusto Maciel, Roberto Portela, Luiz Parreiras, Manuel Andrade, Antonio Chiarelli, Amaury Alvarez, Silvio Borges e Osley Delamo.
Dezesseis atores encenariam “Guerra do Cansa Cavalo”, dirigidos por Celso Nunes, com a assistência de Gabriela Rabelo.

Produção: Grupo Teatro da cidade.

O Teatro Municipal de Santo André, com este nome – Teatro Municipal de Santo André, como o é o Theatro Municipal de São Paulo, entre tantos outros – nasceu de projeto arquitetônico de Rino Levi.

Em 11 de abril de ...
1901 – Do correspondente do Estadão em Rio Grande, estação, hoje Rio Grande da Serra: têm-se retirado desta localidade, de mudança para diversos pontos do Estado, algumas famílias. Sabemos que outras famílias também deverão sair, para educarem seus filhos.
1921 – Bolonha, 4 (UP) – A sessão desta manhã do congresso dos fascistas foi dedicada inteiramente em homenagem ao professor Benito Mussolini, diretor do ‘Popolo d’Italia’, de Milão, órgão oficial dos fascistas.
1956 – Com data de 9 de abril, o governador Jânio Quadros assinou o decreto número 25.706 dando o nome de Padre Luiz Capra ao Grupo Escolar de Vila Marlene, em São Caetano.
Nota – Padre Capra foi vigário de Santo André na década de 1910, falecendo quando celebrava missa no bairro Fundação, em São Caetano.
O grupo escolar citado é a atual Emef Padre Luis Capra, no bairro Nova Gerty, que absorveu o loteamento Vila Marlene.
1961 – Em sessão tumultuada, a Câmara Municipal de São Caetano aprova nova tabela de vencimentos dos vereadores: 15 votos a favor, cinco contra; populares apedrejam a Câmara.
1976 – Com reportagem sobre a Vila Assunção, em Santo André, Diário inicia série focalizando a história dos bairros do Grande ABC.
Nota – Foram quase 100 reportagens especiais publicadas aos domingos. Contemplados praticamente todos os antigos loteamentos das sete cidades, com ênfase ao uso da memória oral – semente desta página Memória.
1986 – A Ford lança o projeto Datadif, que consiste em colocar microcomputadores nos 384 distribuidores da empresa em todo o País, interligados ao seu computador central em São Bernardo. Saudades!

Hoje
Dia do Prefeito. Lembra o 11 de abril de 1835, quando foi criada a função de prefeito pela Assembleia Provincial Paulista. Outras datas lembram o prefeito: 6 de outubro e 1º de outubro (também Dia do Vereador).
Dia do Infectologista
Dia Nacional do Kung Fu

Municípios brasileiros
No Estado de São Paulo, hoje é o aniversário de Cafelândia. Elevado a município em 1925, quando se separa de Pirajui.
Entre as cidades brasileiras, aniversariam em 11 de abril: Acari e Touros (Rio Grande do Norte); Brochier, Dezesseis de Novembro, Erebango, Ernestina e Nova Bréscia (Rio Grande do Sul); Coxim (Mato Grosso do Sul); Guaraí (Tocantins); Heliópolis (Bahia); Jutaí (Amazonas); Papanduva (Santa Catarina); São João da Canabrava (Piauí); São José da Coroa Grande (Pernambuco); Tapejara (Paraná); e Tuparetama (Pernambuco).

Santos do dia
GEMMA GALGANI (Camigliano, perto de Lucca, Itália, 1878-1903). Venerada como a Virgem de Lucca. Das mais populares santas modernas. O papa Pio XII a declarou modelo para a juventude da Igreja. No Grande ABC, a Paróquia Santa Gemma Galgani localiza-se no Jardim Ana Maria, em Santa Maria

Estanislau
Helena Guerra

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