Setecidades

Região resiste em aderir ao isolamento




O impacto do superferiado decretado no Grande ABC, com antecipação de feriados para reduzir a circulação de pessoas ao longo desta semana, ainda não foi sentido na região. Dados do sistema de monitoramento do governo do Estado de São Paulo mostram que houve pouca alteração nos índices de isolamento físico no sábado, no domingo e na segunda-feira, na comparação com os mesmos períodos das duas semanas anteriores.

De acordo com os números, a maior taxa de adesão foi observada no domingo, quando 51% das pessoas não circularam. No domingo anterior, 22 de março, a taxa foi de 52%. Considerando que o Grande ABC tem cerca de 2,8 milhões de habitantes, cada ponto percentual representa um grupo aproximado de 28 mil pessoas.

No sábado, o índice de adesão ao isolamento foi de 47%, o mesmo registrado uma semana antes. A maior diferença foi observada na segunda-feira, primeiro dia útil transformado em feriado, com 45% das pessoas em suas residências. Uma semana antes, o índice foi dois pontos percentuais menor, de 43% (veja todos os dados na tabela abaixo).

Infectologista e diretor do Hospital Santa Ana, em São Caetano, Paulo Rezende lamentou que as pessoas ainda estejam resistentes em adotar medidas de distanciamento. “Quanto mais o vírus circular, mais pessoas serão contaminadas, maior a chance de haver novas mutações e mais tempo vai levar para a economia se recuperar”, avaliou.

Rezende apontou que a situação das redes de saúde é crítica em todas as cidades da Região Metropolitana, com estoque baixo de insumos como oxigênio, medicamentos para entubação, ventiladores e até profissionais capacitados para atender na linha de frente de combate à pandemia de Covid-19.

O infectologista ponderou que o índice ideal de adesão ao distanciamento físico seria de 70%, sendo que 60% poderia ser avaliado como satisfatório. “Infelizmente, nunca conseguimos atingir isso. E essas pessoas, que resistem em não aglomerar, que insistem em participar de festas, de eventos irregulares, estão se autoflagelando, porque podem se contaminar ou contaminar um amigo ou um parente”, pontuou.

O médico alertou que se não for reduzida a circulação das pessoas e, por consequência, não houver queda no número de contaminações, as autoridades municipais poderão ter que recorrer a medidas mais drásticas, adotando efetivamente o chamado lockdown, a exemplo do que foi feito em Araraquara, no Interior de São Paulo. Lá, com as UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) cheias e com um aumento no número de casos e mortes, a prefeitura decretou o fechamento de todas as atividades por dez dias, em 21 de fevereiro. Um mês depois, a cidade observou queda de 57,5% no número de novos casos e de 39% nas mortes causadas pelo novo coronavírus.

“Essa é a única forma de combater o vírus. Fazendo as pessoas pararem de circular para que também parem de se contaminar”, destacou o infectologista. Questionado se o início da vacinação contra a Covid-19 pode ser uma das explicações para o relaxamento da sociedade em geral nas medidas de distanciamento físico e no uso de máscaras, Rezende lembrou que além de ser necessário um prazo de mais de duas semanas para que as pessoas sejam efetivamente imunizadas, mesmo quem está vacinado pode continuar a transmitir a doença. “Esse novo subtipo tem vitimado mais as pessoas jovens, para as quais, inclusive, não há prazo para que sejam vacinadas”, concluiu.

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