Palavra do Leitor

A ferida e a cura dos homens


A psicologia analítica fundada pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) procurou desvendar aspectos mais significativos da natureza e motivações da masculinidade, tanto consciente quanto inconsciente, e explica como isso afetou e afeta o desenvolvimento da personalidade subjetiva e social, desafiando-nos a reexaminar nossa compreensão contemporânea da masculinidade. O analista junguiano James Hollis, em seu livro Sob a Sombra de Saturno, trouxe com profundidade abordagem acerca da dimensão psicológica e cultural da masculinidade. O título faz menção a Saturno, divindade pagã perversa que devorava seus filhos para impedi-los de usurpar seu poder.

O mito demonstra que os homens sofrem da violência, da corrupção pelo poder e são influenciados pelo medo de outros homens. O livro focaliza feridas masculinas que regem muitos comportamentos, apesar de ocultas e de não reveladas pelos homens, cujo silêncio é imposto pela cultura patriarcal. Saturno está presente de várias maneiras no cotidiano dos homens. Questões relacionadas à corrupção do poder, do medo, humilhação e desvalorização causam feridas profundas.

Hollis assevera que homens carregam milenarmente oito segredos em seu coração. O primeiro pontua que ‘A vida dos homens é tão governada por expectativas restritivas com relação ao papel que devem desempenhar quanto a vida das mulheres’. Pode-se fazer paralelo ao mito de Procusto, personagem da mitologia grega. Viajantes que iam de Mégara a Atenas eram forçados a se deitar em seu leito de ferro. Se fossem menores, Procusto esticava suas pernas. Se fossem maiores, eram esquartejados para se ajustar ao tamanho do leito. O nome Procusto significa ‘o esticador’, em referência à punição que aplicava às suas vítimas. O leito de Procusto é a metáfora para a performance exigida aos homens pela cultura machista. Para adaptarem-se ao padrão social, muitos precisam amputar aspectos significativos do seu ser ou estender aspectos estranhos para corresponder às expectativas do machismo cultural. A condição procrusteana imputa muito sofrimento aos homens, prisioneiros do patriarcado machista.

O leito de Procusto é a normalidade prescrita pela cultura patriarcal. ‘Ser normal é alvo ideal do fracassado’, escreveu o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Performar-se aos estereótipos é, geralmente, processo torturante para o homem cujo padrão arquetípico desvia-se da subjetividade. Educar os homens para a normalidade do machismo representa para muitos deles um pesadelo, pois a necessidade mais profunda de muitos homens é, na verdade, poder levar vida distante dessa normopatia.

Jorge Miklos é analista junguiano, sociólogo, graduado em história e ciências sociais, especialista em psicologia analítica, mestre em ciências da religião, doutor em comunicação social e professor.


PALAVRA DO LEITOR

Todo dia
Que desgraça inexcedível ter presidente da República Federativa do Brasil integralista, ignaro e tosco, que – dia sim e no outro também – diz e faz coisas inconcebíveis para um mandatário maior do Poder Executivo, no âmbito federal. Valha-nos Paulo Freire (1921-1997).
João Paulo de Oliveira
Diadema


Já deu!
Vi que os Estados Unidos já vacinaram quase 100 milhões de pessoas, por iniciativa de seu presidente, Joe Biden, que acredita e enfrenta a Covid-19. Não é como o governo do Brasil, que nunca existiu nem investiu em vacinas. Agora que sabe que pode perder a eleição em 2022, vem fazendo compras de imunizantes. É um presidente genocida, sim, que nunca se importou com o ser humano e está vendo milhares de brasileiros morrerem por causa de doença que ele chamou de ‘gripezinha’. Poupe-me, senhor Bolsonaro! Já está na hora de tirarmos esse senhor da Presidência. Ou melhor, já passou da hora!
Fernando Zucatelli
São Caetano


Santo André e o turismo
Parabéns a este Diário pela brilhante reportagem ‘Santo André quer se firmar como destino turístico’ (Economia, dia 23), assinada pela jornalista Soraia Abreu Pedrozo. Mas não é de hoje que Santo André reivindica se tornar MIT (Município de Interesse Turístico), tendo como principal atração a Vila de Paranapiacaba, que atrai mais de 200 mil visitantes por ano, principalmente nos festivais de Inverno e do Cambuci. Outra atração mais recente é a Sabina Escola Parque do Conhecimento. A primeira tentativa para incluir Santo André como MIT foi em 2017, quando o então deputado estadual Luiz Turco entrou com o projeto, mas na época a cidade não havia preenchido todos requisitos. Agora, o projeto foi protocolado pelo deputado Thiago Auricchio, de São Caetano, com todos os requisitos exigidos, inclusive a criação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Santo André pelo prefeito Paulo Serra. O Grande ABC já conta com São Bernardo reconhecido como MIT, que recebe R$ 700 mil por ano do governo do Estado. Já Ribeirão Pires, como estância turística, recebe R$ 4 milhões anuais.
Hildebrando Pafundi
Santo André


Editorial – 1
Por dois dias seguidos acompanhei vários canais de imprensa, tanto falada como escrita, e para mim fica evidente o pacto que este poder fez para ir contra tudo que é possível ser feito no combate desta pandemia. Imprensa em geral – inclusive este Diário – faz campanha ferrenha contra o governo federal. Todos falam a mesma língua: ‘O presidente não faz nada’, ‘o Planalto só tem alienados’ – conforme Editorial deste Diario (Opinião, ontem). Concordo que ouve falhas do governo, mas o que mais surpreende é que em nenhum momento é mencionado o fato de o STF (Supremo Tribunal Federal), com Alexandre de Moraes, em janeiro, por meio de liminar, determinar que não compete ao presidente da República interferir em decisões de governos estaduais no combate à pandemia. Novo ministro da Saúde nem bem entrou no cargo e já começa a pancadaria: ‘Marcado pela enrolação no discurso de um médico que foi ungido ao cargo de ministro para agradar seu chefe’ (Editorial). Aprendi muitas coisas ao longos de 60 anos e uma delas é respeitar a verdade. Não chuto o meus País e jamais o farei.
Edson Roberto Peleteiro
Santo André


Editorial – 2
‘Muito além dos números’ (Editorial – Opinião, ontem). Não é motivo de dar parabéns para quem escreveu o Editorial com este título, pois a situação em nosso País é de luto, mas sim exaltar a clareza e equilíbrio que a pessoa responsável pelo texto tocou a fundo a realidade que nos encontramos ao atingirmos 300 mil mortes. Que vergonha saber que um País lindo como o nosso é dirigido por pessoas indiferentes ao sofrimento de tantas famílias enlutadas, estarmos presenciando teatro de figuras equivocadas com a nossa triste realidade. Obrigado a quem escreveu este Editorial. Colocou no jornal aquilo que sentimos e que gostaríamos de dizer em voz alta. Obrigado a esse querido Diário.
Sueli Campos
São Bernardo 

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