Memória

Irmão de Bruno Daniel. Tio de Celso Daniel. O adeus!


Uma foto mostra a classe artística de Santo André ocupando todas as dependências do Auditório Municipal no início de mais uma administração do prefeito Newton Brandão, em 1983. Atores e atrizes, cineastas, artistas plásticos atendem ao chamamento do recém-empossado secretário de Educação, Cultura e Esportes, Durval Annibal Daniel.

A foto foi publicada com destaque pelo Diário e republicada por Memória 30 anos depois, com a mesma pauta: os caminhos culturais de Santo André.

Os resultados da reunião não foram os mais frutíferos, mas aquela foto sintetiza a grandeza cultural do município de Santo André, com tantos personagens revelados e com um teatro – o Municipal, inaugurado há 50 anos – que foi modelo no País. Durval Daniel gostava dessas manifestações e desses títulos para a sua gente e a sua cidade.

Em sua biografia, Durval Daniel destaca duas realizações que muito o orgulhavam, e justamente na área cultural: a fundação da Sociedade Amigos de Música e a oficialização da Orquestra Sinfônica de Santo André.

FAMÍLIA

Durval Daniel foi fiel à cidade de Santo André, como integrante de uma das mais antigas famílias de origem italiana que aqui aportaram. Seu avô, Carmine Daniel, veio em 1895, originário de Pago di Lauro, Província de Avelino.

Francisco, o terceiro filho de Carmine e Antonieta Amado Daniel, deu sequência aos negócios comerciais do pai em Santo André. Casou-se com Maria Elizabeth Guazzelli, com quem teve cinco filhos, entre os quais Bruno José Daniel, que foi vereador e prefeito, hoje nome do estádio municipal, e o caçula, Durval.

O prefeito Celso Daniel, filho de Bruno Daniel, neto de Francisco, bisneto de Carmine, era sobrinho de Durval. Politicamente, sempre caminharam em polos distintos.

VIDA PÚBLICA

Durval Annibal Daniel formou-se em advocacia em 1954, pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Na administração pública, exerceu vários cargos. Foi o fiel escudeiro do prefeito Newton Brandão, que o chamava de “irmão”. Fidelíssimo. Acompanhou Brandão mesmo nos intervalos das gestões, quando o médico estava momentaneamente fora do poder.

E os cargos se sucederam: secretário municipal em várias áreas, da educação ao governo, diretamente ligado ao gabinete do prefeito. Presidiu a Fundação Santo André. Dirigiu o departamento de trânsito. Foi diretor da Câmara Municipal. 

No governo estadual, Durval Daniel foi diretor administrativo da Comgás. 

O ADEUS

Durval Annibal Daniel parte aos 93 anos. Seu corpo foi conduzido ao Memorial Planalto, em São Bernardo. Ele deixa a mulher, Maria de Lourdes Oliveira Daniel, e dois filhos, Durval e Carlos Eduardo.

Os médicos Durval Anibal Daniel Filho e Marcelo Bernasconi Daniel, filho e neto, tiveram a triste missão de atestar a partida do pai e do avô.

A etnia do Grande ABC

Região abriga brasileiros de todos os Estados e os agentes funerários são os historiadores deste tempo tão desolador

A partida, semana passada, do advogado Durval Daniel e do médico José Prota bem sintetiza o que é Santo André e o Grande ABC: o porto de tantas famílias, vindas de todos os pontos do País e do mundo. Somos todos migrantes e imigrantes.

Durval Daniel era da terceira geração do casal de italianos de Avelino. Dr. José Prota, originário das Minas Gerais, como tantos irmãos brasileiros que o Grande ABC atraiu. Alguns, como ele, retornam, depois de mortos, para serem sepultados nas suas cidades de origem. A grande maioria aqui jaz para sempre.

A foto de Celso Luiz, que ilustrou tristemente a capa do Diário da quinta-feira, simbolizando as primeiras 5.000 vítimas do Covid-19 entre nós, é outra síntese do epílogo de tantos, no caso, sepultadas no imenso Cemitério de Nossa Senhora do Carmo, em Vila Curuçá.

O obituário que vem sendo publicado pelo Diário On-Line, na íntegra, com um resumo aqui em Memória, nunca foi tão elevado. E o jornal, em cada registro, faz questão de enumerar as cidades em que nasceram todos eles.

Neste momento de flagelo, Memória dirige uma palavra aos agentes de cada uma das sete cidades responsáveis pelo registro do obituário do Grande ABC em contínuo processo de mutação: vocês são os historiadores dos novos tempos. O ombro amigo dos declarantes que os procuram. O anjo da guarda de todos eles.

Propriá (Sergipe). Ipirá (Bahia). Piancó (Paraíba). Mirandópolis (São Paulo). Japira (Paraná). Pastos Bons (Maranhão). Divino Laranjeiras (Minas Gerais). Cachoeiro de Itapemirim (Espírito Santo). Simplício Mendes (Piauí)... O Brasileirão entre nós. Piedade, Senhor.

Diário há meio século

Domingo, 21 de março de 1971 – ano 13, edição 1491

Religiosidade – O reverendo Alípio da Silva Lavoura, da Igreja Metodista de Santo André, foi eleito ontem (20 de março de 1971) bispo da 3ª Região, que engloba o Grande ABC.

Política – O senador Franco Montoro (MDB) almoçou ontem (20 de março de 1971) com líderes do seu partido na região, dando início, praticamente, à campanha sucessória municipal de 1972.

Arte Hoje (Enock Sacramento) – O perfil de João Suzuki, artista plástico.

Confidencial (Luís Romão) – Gente! Ouvi dizer que os estádios distritais de Santo André irão sair. Vocês acreditam?

Em 21 de março de...

1921 – Os atos da Semana Santa serão realizados na região com grande solenidade.

- Roma, 15 (UP) – Na Vila de Poggio Rusco deu-se anteontem um grande conflito entre socialistas e fascistas. Morreram quatro socialistas e quatro fascistas.

- Três circos estavam armados em São Paulo: Circo Pierre, no Anhangabaú; Circo Berlando, na Rua da Conceição; e Grande Circo Nelson, na Avenida Celso Garcia.

1956 – A geração sem palavras: 4 cruzeiros por ano gasta o brasileiro com livros, segundo pesquisa do IBGE, quando havia no País 267 livrarias, 94 das quais em São Paulo.

Entre a juventude, a uma geração do livro está sucedendo uma geração da imagem, notadamente a geração da história em quadrinhos.

“A decadência do livro gera a crise de palavras, e esta, a crise de conceitos, que nos leva ao caos em que já estamos vivendo”, declarava ao Estadão Mario da Silva Brito, diretor da Câmara Brasileira do Livro

Santos do dia

- Paulo de Narbonne. Bispo e mártir 

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