Palavra do Leitor

Palavra do leitor


Em fevereiro o governo federal divulgou relatório detalhado sobre a política de gestão de pessoas. Algo me chamou a atenção: a média salarial das 46 estatais brasileiras é de cerca de R$ 11 mil, mas os valores pagos a alguns funcionários variam muito: menos que um salário mínimo até R$ 100 mil. Fora esses valores, ainda há alguns privilégios, como adicionais de férias acima da previsão legal. Curioso.
Dentre outros privilégios estão regras que restringem o desligamento de funcionários e cláusulas para dificultar a demissão. Isso passa dos limites. É abusar do dinheiro público.
A maioria dos servidores públicos paga pela alta remuneração dos cargos de alto escalão das estatais. Salários milionários para assessores especiais, diretores e presidentes. Muitos acima de R$ 1 milhão ao ano. Há casos que passam de R$ 3 milhões. O setor privado não é diferente. Cargos com altos salários para o topo e cada vez menos para o núcleo operacional. Mas é diferente quando o dinheiro vem das contas públicas.
O caso de mais destaque é o da Petrobras. Em julho de 2020, a estatal aumentou a previsão de remuneração para os principais executivos, incluindo o do atual presidente, Roberto Castello Branco. O salário poderia, até então, chegar a RS 400 mil até março de 2020. Somando os nove executivos da petroleira, em média, cada um poderia ganhar até R$ 4,8 milhões por ano. Ainda há os bônus dedicados aos diretores, que foram triplicados na pandemia.
A petroleira vem apresentando certo atrito com o governo federal. Ela alega que os cargos de liderança não recebem reajuste desde 2016 e que não há aumentos previstos. Mas o que vemos são as estatais usando cargos como espécie de cabide, com salários enormes, parte do dinheiro proveniente dos cofres públicos.
É fato que as estatais não vêm fazendo bom trabalho. A Petrobras em apenas dois meses de 2021 perdeu o equivalente a um Banco do Brasil em valor de mercado. Estamos falando de cerca de R$ 102 bilhões.
Isso representa grande injustiça para a maioria dos servidores. De uns anos para cá a situação só piorou. O cenário contribui para a precarização do servidor público e a ‘crença’ popular de que essa categoria não é necessária para a sociedade. Como não! Estamos falando de profissionais da saúde, educação, segurança...
O governo anunciou que planeja cortar parte dos ‘privilégios’ de poucos. Ótimo! Mas esperamos que isso não leve muito tempo. Em tempos de pandemia, é necessário rever decretos e atitudes, mas é necessário ter em mente que os servidores também merecem justiça e direitos iguais.

Antonio Tuccilio é presidente da CNSP (Confederação Nacional dos Servidores Públicos). 

PALAVRA DO LEITOR

Pós-Bolsonaro 

 Li o Artigo assinado por Luiz Marinho publicado neste Diário (Opinião, ontem). Achei engraçado o tom angelical usado no texto e, como dizem, papel aceita tudo! Esquece que o povo tem memória, acordou e que ‘deitado eternamente em berço esplêndido’ é estrofe do nosso Hino Nacional.

Walmir Ciosani

São Bernardo

 

Vacinômetro

 Este Diário publica em todas suas edições um quadro chamado de Vacinômetro (Setecidades), onde mostra como anda a vacinação contra a Covid nas sete cidades. Ele é de fundamental importância para que de maneira prática a população faça o acompanhamento. Só que se ela não ficar atenta aos números, é induzida a erro. Na última coluna está o percentual da população imunizada, o que é meia verdade, pois o cálculo está feito sobre aqueles que tomaram somente a primeira dose da vacina, portanto, em processo de imunização. O ideal seria também no quadro constar coluna com o percentual daqueles que tomaram a segunda dose, aí sim imunizados.

Alencar Marcon

Santo André

Brioches

 ‘Que comam brioches’ é frase supostamente dita por uma grande princesa da França ao saber que os camponeses não tinham pão para se alimentar. A citação reflete o desrespeito da princesa em relação ao povo, demonstrando sua total ignorância e egoísmo. O mesmo pode-se dizer do ‘infeliz’ comentário de uma apresentadora de telejornal, ao afirmar que ‘o choro é livre’ em resposta às pessoas que se posicionaram contra o lockdown, porque precisam trabalhar para colocar o pão em suas mesas.

Vanderlei A. Retondo

Santo André

Feriados

 Não precisa ser inteligente nem especialista para saber que antecipar feriados em São Paulo, sem considerar a Região Metropolitana como um todo, é medida inócua e politiqueira. O momento é difícil e, com as autoridades agindo assim, tudo se torna mais difícil ainda. São Paulo não pode ser tratada como Araraquara e São José do Rio Preto, por exemplo, que têm suas áreas territoriais definidas. A Região Metropolitana precisa de tratamento igualitário no que tange à circulação de pessoas. Lockdown só em São Paulo é como colocar cloro num canto da piscina para tratar somente parte dela. Não tem como. Santo André, por exemplo, segundo estatísticas, tem 30% dos trabalhadores exercendo as atividades em São Paulo, e o oposto é verdadeiro. Não tem como separar isso. O momento não é para brincadeira e o povo não aguenta mais esse fecha aqui, abre ali, fecha ali, abre aqui. Precisamos de mais união e entendimento para sairmos o menos ileso possível deste mal que assola a humanidade e já ceifou milhões de vidas no planeta. 

Mauri Fontes

Santo André

Proibição 

 Fica decretado que quem votou em Bolsonaro perde direito ao voto nas próximas eleições. 

Juvenal Avelino Suzélido

 Jundiaí (SP)

Desmonte do Suas

 O Suas (Sistema Único de Assistência Social) passa por processo de desmonte dramático e violento, deixando sob ameaça anos de trabalho baseado na noção de direitos – e não de ajuda –, na atenção aos vulneráveis, conforme a Constituição de 1988. Os ataques configuram-se, por exemplo, pelo fechamento dos Cras (Centros de Referência em Assistência Social) por todo o País; esvaziamento do papel dos municípios no cadastramento de beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família, para centralizar o processo na instância federal; e na busca por substituir o CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais) – porta de entrada humanizada na assistência – pelo autocadastramento dos beneficiários via aplicativo para celular (hoje, as famílias são incluídas nos programas a partir dos Cras e unidades de saúde, entre outros equipamentos públicos). Com o aumento das desigualdades, fome e das vulnerabilidades no Grande ABC por conta da pandemia, me parece que o mesmo está ocorrendo em nossas cidades. 

José Lourenço Pechtoll

Santo André

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